A Sompo pretende dobrar novamente de tamanho nos próximos cinco anos e seguir avaliando oportunidades de aquisição no Brasil e na América Latina. A estratégia foi detalhada por Alfredo Lalia Neto, CEO da Sompo, em entrevista à Times Brasil – Licenciado Exclusivo da CNBC, veiculada no dia 17 de agosto.
Segundo o executivo, o recente acordo de aquisição da Fator Seguradora, que ainda está sujeito à aprovação dos órgãos reguladores, faz parte de uma estratégia de crescimento focada nos segmentos de seguros corporativos e agronegócio. A companhia, que vinha registrando crescimento orgânico próximo de 20% ao ano, passou a buscar alternativas para desenvolver o capital disponível no país..
“A gente sempre olhou como desenvolver o capital. Nosso acionista japonês tem capital para desenvolver ao redor do mundo”, afirmou Lalia Neto.
Foi nesse processo que a Sompo identificou a Fator como uma oportunidade estratégica. “Olhamos estrategicamente quais seriam as companhias que poderiam agregar valor à Sompo e a gente acabou encontrando a Fator. ‘Namoramos’ durante dois anos e chegamos a um acordo de compra e venda”, contou o CEO. A Fator atua nas linhas de Seguro Patrimonial, Garantia e Linhas Financeiras, que representam uma complementariedade ao negócio da Sompo.
O acordo de compra da Fator, no entanto, não encerra a busca por novas oportunidades. Segundo Lalia Neto, a Sompo continua atenta a possíveis negócios tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina. “A gente continua com apetite tanto aqui no Brasil quanto na América Latina”, revelou.
O foco, porém, permanece nas áreas consideradas estratégicas pela companhia. “Sempre algo que faça sentido ao nosso core business, ao negócio que a gente decidiu atuar, que no caso do Brasil, é o seguro commercial lines, o seguro para pequenas, médias e grandes empresas, e os negócios de seguro agrícola de maneira geral”, detalhou.
A estratégia consolida a mudança de posicionamento adotado pela Sompo há cerca de três anos, quando a companhia decidiu deixar segmentos como automóveis, vida e pequenos negócios para concentrar recursos nas áreas prioritárias. “A gente decidiu reposicionar a companhia. Tínhamos carteira de automóvel, de vida, de pequenos negócios e decidimos vender essa parte e, desde 2023, a companhia passou a atuar exclusivamente em Seguros Corporativos e de Agronegócio”, recordou o executivo.
Segundo Lalia Neto, o capital obtido com esse movimento permaneceu no Brasil. “A gente diminuiu (em termos de carteiras de negócios) em algum momento para crescer mais focado”, resumiu.
A expansão regional também está nos planos, mas, para o CEO, cada mercado precisa ser analisado individualmente. Apesar de os países latino-americanos compartilharem algumas características, os riscos podem ser bastante diferentes. “São países em desenvolvimento, mas com características de risco muito diferentes”, ponderou, citando como um dos exemplos a exposição a terremotos, que não é uma realidade brasileira, mas um risco muito incidente em outros países.
Por isso, segundo o executivo, a expansão da companhia exigirá atenção às particularidades de cada região. Durante a entrevista, Lalia Neto também falou sobre os desafios relacionados à evolução dos riscos e ao papel da tecnologia na operação das seguradoras.
No Brasil, a Sompo está entre cinco maiores companhias no segmento de Seguros Corporativos e é líder no ramo de Transporte, segmento em que acidentes e roubos de carga estão entre os riscos para os quais a companhia conta com um serviço de gerenciamento de riscos e monitoramento de carga. Para o CEO, o trabalho da seguradora vai além da indenização. “A gente trabalha muito no gerenciamento de risco, como a gente ajuda o cliente a evitar que acidentes ou roubo de carga aconteçam”, afirmou. Por ano, são mais de 205 mil viagens monitoradas em tempo real, o que totaliza mais de R$ 134 bilhões em valores transportados.
As mudanças climáticas também aparecem como um desafio, especialmente para o agronegócio. Na avaliação do executivo, as seguradoras precisam atuar tanto no desenvolvimento de produtos quanto na prevenção e adaptação dos clientes aos novos cenários. “O clima a gente não vai conseguir mudar, mas as consequências que uma enchente, as consequências que uma seca pode ter variam do nível de proteção, do nível de infraestrutura que você cria”, disse.
Nesse contexto, tecnologias como internet das coisas (IoT), sensores e inteligência artificial podem ajudar a monitorar riscos e reduzir danos. Lalia Neto citou como exemplo a possibilidade de monitorar ativos e identificar ocorrências antecipadamente, como um pequeno foco de incêndio, por exemplo, e agir antes que o problema atinja grandes proporções.
A inteligência artificial também já vem sendo utilizada na subscrição, auxiliando a companhia na análise dos riscos que serão aceitos e na precificação. “Hoje a gente trabalha com IA, trabalha com robôs, que é uma IA mais simplificada, e com ser humano”, explicou.
Depois de dobrar de tamanho nos últimos quatro anos, a Sompo quer repetir o avanço no próximo ciclo. Parte desse crescimento deverá vir da integração da Fator Seguradora, após aprovação dos órgãos competentes, enquanto outra parcela dependerá da continuidade da expansão orgânica e de possíveis novas aquisições. “A gente dobrou nos últimos quatro, então a gente espera dobrar de novo”, projetou Lalia Neto.
A ambição, segundo o CEO, é se tornar a maior seguradora de commercial lines do mercado brasileiro. “Sabemos do desafio que é continuar crescendo a uma taxa anual de 20% no atual cenário, mas, se dobrarmos de tamanho, a Sompo passará a ser a maior seguradora de commercial lines do mercado, que é a nossa ambição”, declarou.
Apesar do desafio, o executivo demonstrou confiança na estratégia da companhia. “Fácil de falar, difícil de fazer, mas acreditamos que, com foco, disciplina e com o apoio do nosso acionista, conseguiremos chegar lá”, concluiu.
Assista à entrevista completa: https://www.youtube.com/watch?v=5kGvQ7_Iaxo
Fonte: CQCS







