Reforma tributária impulsiona planejamento patrimonial e amplia espaço para seguros na sucessão de bens

Mudanças nas regras sobre doação de imóveis fazem famílias e empresas revisarem estratégias patrimoniais, enquanto especialistas destacam o papel do seguro na proteção financeira e na sucessão.

A possibilidade de mudanças na tributação sobre doações de imóveis tem levado muitas famílias a anteciparem decisões patrimoniais e revisarem seus planos sucessórios. Mais do que uma discussão tributária, esse movimento também amplia o espaço para soluções de proteção financeira, colocando o mercado de seguros em evidência como ferramenta para preservar patrimônio e garantir liquidez durante processos de sucessão.

Segundo Sérgio Ricardo, especialista em seguros, o momento faz com que famílias de maior patrimônio e empresas familiares passem a olhar a sucessão de forma mais ampla, indo além da preocupação com impostos.

“A reorganização patrimonial leva muitas famílias a revisar sua estratégia de sucessão como um todo, e não apenas a tributação. Ao antecipar doações, surgem novas preocupações relacionadas à proteção financeira dos doadores, dos herdeiros e das empresas”, afirma.

De acordo com ele, esse cenário tende a aumentar a procura por soluções que ofereçam liquidez e evitem impactos financeiros durante a transferência de patrimônio, embora a intensidade desse movimento dependa da regulamentação definitiva da reforma e das características de cada família.

Entre as principais ferramentas está o seguro de vida, que pode disponibilizar recursos rapidamente aos beneficiários e reduzir a necessidade de venda de imóveis, fazendas ou participações societárias para cobrir despesas imediatas.

“Um seguro de vida pode fornecer recursos para atender necessidades financeiras imediatas, reduzindo a necessidade de alienação precipitada de bens”, explica.

Além do seguro de vida individual, Sérgio destaca outras modalidades que podem complementar o planejamento patrimonial, como seguros empresariais para proteção de sócios estratégicos, seguros destinados a acordos societários, apólices de Responsabilidade Civil para administradores (D&O), seguros patrimoniais e coberturas de responsabilidade civil capazes de proteger ativos contra determinados riscos previstos em contrato.

No ambiente empresarial, essas soluções também ajudam a preservar a continuidade dos negócios durante processos sucessórios e reorganizações societárias, especialmente em empresas familiares.

Nesse contexto, cresce também o papel consultivo do corretor de seguros. Segundo Sérgio Ricardo, o profissional pode atuar de forma integrada com advogados, contadores e especialistas em planejamento patrimonial para identificar riscos financeiros, revisar coberturas existentes e propor soluções alinhadas à estratégia definida para cada cliente.

“O corretor pode mapear necessidades de liquidez, revisar valores segurados e orientar sobre soluções que contribuam para a proteção financeira da família ou da empresa. Sua atuação complementa o trabalho dos profissionais responsáveis pelo planejamento jurídico e tributário”, destaca.

O especialista ressalta, porém, que cabe aos advogados e tributaristas estruturar questões relacionadas à reforma, doações, holdings e sucessão. Ao corretor compete oferecer mecanismos de proteção financeira que fortaleçam esse planejamento e reduzam os impactos econômicos diante de eventos inesperados.

Assim, em um momento em que muitas famílias antecipam decisões patrimoniais motivadas pelas mudanças tributárias, o seguro passa a ocupar uma posição estratégica não apenas como instrumento de proteção, mas também como aliado da organização financeira e da preservação do patrimônio ao longo das gerações.

Fonte: CQCS