Acessórios de segurança veicular tornam custos de reparos mais caros
Os veículos novos deverão contar com sistema de frenagem automática de emergência a partir de 1º de janeiro de 2029 no Brasil. Trata-se de uma boa notícia para os seguros de acidentes pessoais, mas nem tanto para as apólices de automóvel. Essa resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) faz parte do processo de ampliação dos equipamentos obrigatórios de segurança veicular no país.
Chamado de AEBS (Sistema Autônomo de Frenagem de Emergência), o recurso combina câmeras, radares e sensores para acompanhar, em tempo real, as condições do tráfego à frente do veículo. Ao detectar uma possibilidade iminente de colisão sem que o motorista reaja a tempo, a tecnologia aciona automaticamente os freios, com o objetivo de evitar o acidente ou diminuir a severidade do impacto.
Desde o começo de 2026, os novos projetos de veículos já vêm sendo desenvolvidos com esse equipamento. A partir de 2029, porém, a obrigatoriedade passará a valer para todos os modelos novos comercializados no Brasil, inclusive aqueles produzidos sobre plataformas mais antigas. Para continuar vendendo esses veículos, as montadoras precisarão adaptar seus produtos às novas exigências.
Esse novo recurso integra o conjunto de tecnologias conhecido como ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista), criado para ajudar na prevenção de acidentes. Além da frenagem automática de emergência, esse pacote pode incluir sistemas como assistente de permanência em faixa, alerta de colisão frontal e monitoramento de obstáculos.
Nos países cujos equipamentos de segurança já estão introduzidos, as seguradoras reconhecem que já houve redução no número de acidentes de trânsito, contribuindo para a baixa de mortes e lesões de motoristas e passageiros.
Dados da Associação de Seguradoras Britânicas (ABI na sigla em inglês de Association of British Insurers) demonstram a evolução de custos de reparo dos carros segurados no Reino Unido. Dos 2,9 bilhões de libras esterlinas pagos pelas seguradoras em indenizações no primeiro trimestre deste ano, £1,9 bilhão foram destinados a reparos de veículos, um aumento de 3% em relação ao quarto trimestre de 2025.
O valor médio de uma indenização por danos acidentais subiu para £3.699, um aumento de 8% em relação ao trimestre anterior, devido ao aumento dos preços das peças e à crescente complexidade dos veículos, que elevam os custos de reparo. “É animador ver que os prêmios de seguro automóvel permaneceram estáveis nos primeiros três meses deste ano, o que demonstra os esforços do setor para reduzir os custos. No entanto, os custos elevados e persistentes de reparos continuam sendo uma preocupação”, afirma Chris Bose, Diretor de GI e Assuntos Internacionais da ABI, acrescentando que o prêmio médio permaneceu estável em 560 libras, uma libra a mais no comparativo entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro de 2026.
Compromisso global da ONU aprimora segurança dos carros
O acréscimo de itens de segurança a bordo dos veículos é bem-vindo e faz parte do compromisso dos países de reduzir em 50% as mortes e lesões no trânsito até 2030, conforme prescreve a Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2021-2030), estabelecida pela Assembleia Geral da ONU.
Esta iniciativa exige que os países implementem o Plano Global para a Década de Ação da OMS, priorizando carros e vias mais seguras e mobilidade ativa.
Em seguidas alertas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e ONU cobram esforços redobrados do mundo para conter uma crise silenciosa que mata quase 1,2 milhão de pessoas por ano — mais de duas por minuto e a principal causa de morte entre jovens de 5 a 29 anos.
Dois momentos recentes retratam essa preocupação global. Em fevereiro de 2025, durante a Quarta Conferência Ministerial Global sobre Segurança Rodoviária, realizada em Marrakech, líderes de cerca de 50 países assumiram compromissos concretos para reduzir mortes no trânsito. Já em maio de 2026, especialistas, governos e representantes da sociedade civil se reuniram na ONU, em Nova York, para avaliar avanços e cobrar ações mais efetivas rumo à meta global de reduzir pela metade as mortes e lesões no trânsito até 2030.
Da promessa à implementação
Na conferência de Marrakech, ministros de 100 países endossaram a Declaração de Marrakech, que estabelece a segurança viária como prioridade política, com necessidade de financiamento contínuo, integração entre setores e planejamento de infraestrutura mais seguro.
“Uma pandemia silenciosa”
Durante o encontro preparatório para a Reunião de Alto Nível da ONU, prevista para julho de 2026, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, classificou o problema como uma “pandemia silenciosa” com impactos amplos na saúde pública, tendo em vista o número de mortos e feridos; na economia, em virtude dos custos sociais e financeiros; e na Sustentabilidade, pela relação com mobilidade urbana e clima.
Segundo ela, soluções duradouras exigem integração entre setores e participação ampla da sociedade. Apesar de avanços e compromissos, especialistas apontam que o principal obstáculo não é a falta de conhecimento, mas sim a implementação.
“Não temos uma lacuna de conhecimento, temos uma lacuna de implementação”, resumiu Lotte Brondum, da Aliança Global de ONGs para a Segurança Rodoviária.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou a necessidade de mudança de abordagem: é preciso construir sistemas rodoviários centrados nas pessoas, com infraestrutura segura, melhor gestão de velocidade, dados confiáveis e financiamento consistente.
Enfim, a agenda global de segurança rodoviária avança com compromissos mais ambiciosos, mas enfrenta o desafio de sair do papel. Em jogo estão não apenas metas internacionais, mas a proteção de vidas em todos os países. A avaliação é clara: o mundo já sabe o que precisa ser feito. O que falta é escala, velocidade e prioridade política para implementar soluções capazes de salvar milhões de vidas até 2030.
Fonte: Noticias do Seguro








