Expansão das plataformas e aumento da informalidade criam novas oportunidades para corretores atuarem com proteção financeira voltada a entregadores, restaurantes e operações de delivery
O crescimento acelerado do delivery no Brasil vem transformando não apenas o setor gastronômico, mas também ampliando a demanda por soluções de proteção financeira voltadas a entregadores, cozinhas compartilhadas, restaurantes e pequenos empreendedores. Em meio à expansão das plataformas digitais e ao avanço das operações em cidades menores, corretores de seguros começam a enxergar novas oportunidades em produtos ligados a seguro de vida, acidentes pessoais e microsseguros.
Com jornadas intensas, exposição constante ao trânsito e alta dependência da renda diária, entregadores passaram a integrar um público cada vez mais estratégico para o setor de seguros. Segundo Augusto Kruschewsky, diretor do SindSeg BA/SE/TO, a proteção financeira pode reduzir impactos tanto para os trabalhadores quanto para as empresas.
“O seguro funciona como uma proteção tanto para o trabalhador quanto para a empresa. No caso dos entregadores e profissionais operacionais, qualquer afastamento por acidente ou problema de saúde pode comprometer imediatamente a renda da família. Coberturas como diária por incapacidade temporária e despesas médicas ajudam a garantir estabilidade durante a recuperação.”
Além do impacto social, a proteção também ajuda empresas do setor gastronômico a reduzir riscos financeiros ligados a acidentes e afastamentos. “Para os restaurantes e plataformas, o seguro também reduz impactos financeiros, evitando custos inesperados, passivos trabalhistas e processos relacionados a acidentes. Isso traz mais previsibilidade e segurança para a operação”, afirma.
Com o avanço do delivery para cidades de médio e pequeno porte, cresce também a necessidade de produtos mais acessíveis e adaptados à realidade desses profissionais. Na avaliação de Kruschewsky, os modelos tradicionais já não conseguem atender integralmente esse novo perfil de consumidor.
“O mercado precisa oferecer soluções mais simples, flexíveis e acessíveis. Hoje, o modelo tradicional já não atende bem esse público. Uma tendência forte são os seguros sob demanda, em que o profissional paga apenas pelo período em que está trabalhando.”
Os microsseguros também aparecem como alternativa relevante para ampliar o acesso à proteção financeira. “Os microsseguros ganham espaço ao focar em coberturas essenciais, como acidentes pessoais e despesas médicas, com preços mais compatíveis com a realidade dos entregadores e pequenos empreendedores”, destaca.
A discussão sobre proteção aos entregadores também começa a avançar no poder público. Segundo informações publicadas pelo portal Correio, de Salvador, uma proposta em tramitação prevê que aplicativos de entrega possam ser obrigados a oferecer seguro de vida para entregadores que atuam na capital baiana. O projeto também prevê cobertura para acidentes pessoais durante as entregas e assistência em casos de invalidez ou morte.
Ainda de acordo com o Correio, a proposta surge em meio ao aumento das discussões sobre segurança, informalidade e condições de trabalho nas plataformas digitais, cenário que vem ampliando o debate sobre responsabilidade social e proteção mínima para profissionais que atuam diariamente expostos ao trânsito e à violência urbana.
A digitalização das operações é outro fator considerado estratégico para ampliar a adesão aos seguros nesse segmento. “Contratação, atendimento e acionamento do seguro precisam acontecer de forma rápida e prática pelo celular”, pontua o diretor do SindSeg BA/SE/TO.
Para os corretores, as oportunidades não se limitam aos entregadores. O crescimento do ecossistema gastronômico abre espaço para atuação consultiva em diferentes frentes de proteção.
“O setor gastronômico oferece muitas oportunidades além do seguro para entregadores. Restaurantes e cozinhas compartilhadas, por exemplo, têm demanda por proteção contra incêndios, danos elétricos, perda de estoque e responsabilidade civil.”
Segundo Kruschewsky, também cresce a procura por seguros de vida em grupo e soluções voltadas a pequenos empreendedores. “Também há espaço para seguros de vida em grupo para equipes operacionais, além de soluções voltadas para pequenos empreendedores, como garantia locatícia e proteção para equipamentos.”
Na avaliação do executivo, o corretor que compreende as particularidades operacionais do delivery consegue atuar de maneira mais estratégica e ampliar relacionamento com empresas em expansão.
Em um ambiente marcado por forte concorrência e alta rotatividade de profissionais, benefícios ligados à proteção e bem-estar começam a ganhar peso na retenção de equipes. “Empresas que oferecem seguro de vida e acidentes pessoais demonstram mais cuidado com suas equipes, fortalecem sua imagem no mercado e aumentam a capacidade de retenção de talentos”, afirma.
Além da proteção financeira, a adoção desses benefícios também reforça práticas de responsabilidade social e posicionamento de marca em um setor cada vez mais pressionado por consumidores atentos às relações de trabalho e às condições oferecidas aos profissionais envolvidos nas operações de delivery.
Fonte: CQCS








