Eventos climáticos pressionam seguros nos EUA e levam estados a buscar novas formas de financiamento

Propostas incluem sobretaxas sobre seguros e ações judiciais contra petrolíferas para custear danos e infraestrutura

  • Os eventos climáticos extremos nos Estados Unidos estão levando governos estaduais a buscar soluções fora do padrão para financiar a reconstrução e lidar com a escalada dos custos de seguros no país.
  • A combinação de desastres mais frequentes, prejuízos bilionários e aumento dos prêmios tem pressionado o sistema – e já começa a gerar respostas no campo regulatório e jurídico.

Quatro movimentos chamam atenção nos EUA

Hoje, quatro iniciativas se destacam nesse cenário:

  • Connecticut: propõe uma sobretaxa direta sobre apólices de seguro ligadas à indústria de combustíveis fósseis
  • Califórnia, Havaí e Nova York: seguem caminho judicial, buscando responsabilizar empresas petrolíferas pelos danos climáticos

A diferença é relevante:

  • Connecticut atua diretamente no mercado de seguros
  • outros estados tentam transferir custos por meio de ações judiciais

A proposta de Connecticut: sobretaxa sobre seguros

O estado de Connecticut propõe uma sobretaxa de 5% sobre apólices comerciais de propriedade e acidentes relacionadas a empresas de combustíveis fósseis.

O objetivo é claro:

  • financiar obras de infraestrutura
  • reforçar a resiliência de cidades
  • apoiar a população afetada por desastres

A medida surge como resposta a dois fatores combinados:

  • aumento dos eventos climáticos extremos
  • encarecimento dos seguros em regiões mais expostas

O argumento a favor: mais recursos para adaptação climática

Organizações focadas em resiliência climática apoiam a proposta.

Uma delas, a Rebuild by Design, aponta que:

  • uma sobretaxa de 2% em determinados seguros nos EUA poderia gerar até US$ 287 bilhões
  • apenas em Connecticut, esse modelo poderia levantar cerca de US$ 3,7 bilhões

Na prática, seria um reforço significativo para obras de adaptação e prevenção.

O contexto ajuda a explicar a pressão:

  • Connecticut registrou 11 desastres federais entre 2011 e 2024
  • recebeu cerca de US$ 564 milhões em ajuda para reconstrução

A tendência, segundo estudos, é de aumento tanto na frequência quanto no custo desses eventos.

O contraponto: impacto no consumidor e riscos jurídicos

Representantes do setor de seguros e energia fazem críticas importantes à proposta.

Entre os principais pontos:

  • custo pode ser repassado ao consumidor
  • aumento potencial nas tarifas de energia e serviços
  • risco de judicialização

O argumento central é que: o custo do seguro tende a “viajar” pela cadeia econômica e chegar ao preço final pago pela população

Além disso, associações do setor alertam para possíveis questionamentos legais, como:

  • violação de princípios constitucionais
  • cobrança sobre riscos que não estão necessariamente localizados no estado

O pano de fundo político: saída do Acordo de Paris

O debate ocorre em um momento político sensível.

Os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, formalizaram em janeiro de 2026 a saída do Acordo de Paris pela segunda vez.

A decisão foi justificada com base em:

  • impacto sobre a indústria de combustíveis fósseis
  • custos energéticos para o país

O movimento reforça o contraste entre:

  • políticas federais mais alinhadas ao setor energético
  • iniciativas estaduais voltadas à adaptação climática

O que isso sinaliza para o mercado de seguros

O cenário americano mostra um ponto importante: o seguro está deixando de ser apenas instrumento de proteção e passando a integrar o financiamento da adaptação climática

Isso acontece porque:

  • eventos extremos aumentam a sinistralidade
  • prêmios sobem
  • governos buscam novas fontes de recursos

Fonte: Notícias do seguro