A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) reuniu em 19 de agosto, no Bisutti Contemporâneo, em São Paulo, mais de 200 participantes na quarta edição do Conexão Corporativa. O encontro colocou no centro do debate as transformações tecnológicas que já impactam o mercado segurador, os caminhos para ampliar a eficiência operacional e o papel dos dados e da inteligência artificial na criação de processos mais produtivos. Ao longo da programação, também foram apresentadas soluções da CNseg com foco em compartilhamento de informações, prevenção a fraudes e melhoria da experiência de clientes, corretores e seguradoras.

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou que o evento representa uma oportunidade de aproximar a Confederação de quem utiliza, no dia a dia, sua infraestrutura tecnológica e seus serviços. Segundo ele, existe uma dimensão da atuação da entidade que nem sempre é conhecida pelo mercado: a de provedora de serviços, dados e tecnologia para o funcionamento do setor. “A CNseg não é uma empresa ou fornecedora de tecnologia; ela é, por um lado, propriedade das seguradoras e, por outro, uma parceira para realizar essas iniciativas”, afirmou.
Oliveira ressaltou ainda o caráter singular do modelo brasileiro de compartilhamento de informações entre seguradoras e defendeu a continuidade dos investimentos em inovação para acompanhar uma transformação tecnológica que, segundo ele, já é incontornável para o setor.
Dados compartilhados ampliam eficiência no seguro Auto

No painel “Dados e iniciativas inovadoras para otimização de processos no setor de Auto”, o debate mostrou como a utilização coordenada de informações pode reduzir etapas, aumentar a produtividade e tornar mais precisa a tomada de decisões. Moderador da discussão e diretor de Serviços às Associadas da CNseg, André Vasco abriu a conversa destacando todas as soluções que a CNseg tem para o mercado segurador, seja para Automóvel, Saúde entre outros ramos e as ferramentas de combate à fraude.
A superintendente de Produtos Auto da Tokio Marine, Keila Farias, definiu os dados compartilhados pela CNseg como um legado construído coletivamente pelas seguradoras. Para ela, a possibilidade de acessar informações confiáveis e rastreáveis permite que as empresas tenham uma visão muito mais ampla do mercado. “Nenhuma seguradora sozinha conseguiria ter tanta informação para trazer eficiência de produto, gestão e produtividade”, afirmou. Ao citar o serviço da CNseg, destacou que o histórico conjunto de sinistros amplia a capacidade de análise das companhias, enquanto as soluções voltadas à fraude ajudam a melhorar precificação e subscrição. Ressaltou o ganho de agilidade no ressarcimento, especialmente em operações envolvendo frotas corporativas.
O diretor-executivo da Porto Seguro – Seguros Auto, Jaime Batista Soares, apresentou a transformação pela qual passou a companhia e associou diretamente os avanços de produtividade ao uso de dados. Um dos exemplos foi a redução do número de informações necessárias para a cotação: de cerca de 70 perguntas para apenas quatro dados básicos: CPF, placa, CEP e uso do veículo. A digitalização também mudou a vistoria prévia e a emissão das apólices. “Sem os dados da CNseg, seria impossível essa jornada de transformação”, afirmou. Na avaliação do executivo, o compartilhamento de informações foi decisivo para tornar a experiência mais simples para corretores e clientes, ao mesmo tempo em que permitiu ganhos de escala para a seguradora.
O diretor da Bradesco Auto/RE, Saint’Clair Lima, chamou atenção para uma mudança de perspectiva: os dados já não devem ser utilizados apenas para compreender o risco e o sinistro, mas também para simplificar processos e elevar a produtividade. O executivo também citou a redução de aproximadamente 80% nas perguntas feitas ao cliente e destacou o potencial das bases da CNseg para aperfeiçoar a exigência de vistorias e outros procedimentos. “O diferencial da CNseg é que ela respira seguro e tem origem no mercado segurador, o que acelera o trabalho”, afirmou. Para ele, o próximo passo é avançar na compreensão do comportamento do risco e do consumidor, permitindo ofertas mais adequadas e jornadas cada vez menos burocráticas.
Saúde, vida e previdência: dados para personalizar e combater fraudes

No segundo painel, dedicado a “Dados e iniciativas inovadoras para a operação de Saúde, Vida e Previdência”, o foco se deslocou para os desafios específicos dos chamados ramos de pessoas. O vice-presidente de Marketing, Produtos e Clientes da Prudential do Brasil, Guilherme Marques, defendeu que a personalização em escala passa pela capacidade de combinar grandes volumes de dados estruturados com informações comportamentais e não estruturadas. Para ele, essa abordagem permite compreender melhor as motivações dos consumidores e construir produtos mais aderentes. Marques também reconheceu os avanços proporcionados pela parceria com a CNseg. “Essa parceria tem trazido resultados nesse sentido também”, afirmou, ao tratar do uso de dados para personalização.
O presidente do Instituto de Estudo de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Celso Lopes, destacou a importância das soluções da CNseg e afirmou que o envelhecimento da população é um dos principais desafios para a sustentabilidade dos sistemas de saúde. O aumento da longevidade, associado à maior incidência de doenças crônicas, pressiona custos, subscrição e incorporação de novas tecnologias. O executivo também chamou atenção para a judicialização e para os impactos das fraudes, defendendo maior uso de tecnologia e capacidade preditiva. Na avaliação de Lopes, o combate à fraude precisa combinar estruturas especializadas e ferramentas tecnológicas, já que os fraudadores também incorporam rapidamente novas tecnologias às suas estratégias.
O diretor-executivo de Produtos da Zurich Santander, Victor Bernardes, trouxe o cliente no centro da discussão sobre produtividade. Para ele, eficiência não significa simplesmente fazer as coisas mais rápido, mas utilizar informação para tomar decisões melhores. O executivo citou uma aplicação de inteligência artificial na regulação de sinistros na Zurich Santander que reduziu uma atividade que podia consumir 15 horas de trabalho para cerca de um minuto. O modelo também permite separar rapidamente casos simples de situações que exigem análise mais aprofundada. “Toda oportunidade que a CNseg, como órgão que atende as seguradoras, tiver de compartilhar o máximo de informações, o mercado se beneficia”, afirmou.
As possibilidades de aplicação das soluções da CNseg também ganharam destaque na discussão sobre subscrição, aceitação e fraude. André Vasco defendeu que soluções semelhantes às já consolidadas no seguro Auto também podem ser desenvolvidas para os ramos de pessoas. A ideia é permitir que as seguradoras tenham mais informações para aceitar riscos adequados, identificar situações suspeitas e, quando necessário, recusar rapidamente propostas que apresentem históricos reconhecidos de fraudes.
André Iorio: IA para liberar o potencial humano

Palestrante e escritor sobre transformação digital, inovação e liderança, André Iorio encerrou o evento propondo uma mudança de perspectiva sobre produtividade. Em vez de simplesmente fazer mais tarefas em menos tempo, ele defendeu que as empresas precisam questionar processos e crenças construídas no passado. Para ilustrar o argumento, recorreu à história da Polaroid e à pergunta de uma criança que levou à criação da fotografia instantânea. A mensagem foi direta: em um ambiente de transformação acelerada, fazer novas perguntas pode ser tão importante quanto dominar as respostas já conhecidas. “Temos que aprender a desaprender e reaprender o tempo todo”, afirmou.
Iorio apresentou a inteligência artificial como uma ferramenta capaz de automatizar decisões e ações, complementar o trabalho humano e liberar profissionais para atividades de maior valor. Para isso, ressaltou que a qualidade dos dados é fundamental e que o uso da tecnologia exige pensamento crítico, responsabilidade e capacidade de colaboração. Ao retomar a discussão que atravessou os painéis anteriores, o palestrante reforçou que o verdadeiro ganho de produtividade não está em substituir pessoas indiscriminadamente, mas em permitir que elas concentrem energia naquilo que exige julgamento, criatividade, empatia e interação. Em um setor cada vez mais orientado por dados, a tecnologia pode acelerar processos, mas é a inteligência humana que dará sentido às decisões.
No fim, a mensagem que atravessou todo o Conexão Corporativa foi: quanto mais inteligente for o uso dos dados e da tecnologia, mais espaço o mercado terá para fazer aquilo que nenhuma máquina pode substituir: compreender pessoas, criar confiança e transformar inovação em valor.
Fonte: Notícia do Seguro








