A cidade de São Paulo foi duramente afetada pelas chuvas que caíram recentemente.

Os ventos de mais de 100 quilômetros derrubaram árvores, postes, abrigos de ônibus, fiação e destelharam casas.

No litoral do Estado, os ventos alcançaram os 150 quilômetros, segundo a Defesa Civil.

A cidade de São Paulo foi duramente afetada pelas chuvas que caíram recentemente. Para se ter ideia, a capital paulista viu um rastro de destruição por conta dos ventos de mais de 100 quilômetros que derrubaram árvores, postes, abrigos de ônibus, fiação e destelharam casas. Outros municípios também foram atingidos.

No litoral do Estado, os ventos alcançaram os 150 quilômetros, segundo a Defesa Civil. O temporal, que iniciou na última sexta-feira (3), deixou vastas regiões residenciais sem energia elétrica por mais de 15 horas. Meio milhão de pessoas foram diretamente atingidas e sete perderam a vida. Os trabalhos de ordenamento e restauração continuam ainda nesta quarta-feira (8), cinco dias após o início das chuvas.

Vale lembrar que o período das chuvas ocorre de dezembro a fevereiro, no Sudeste, de março a maio na Região Norte e, no Leste do País, o fenômeno ocorre em julho, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Portanto, há a suspeita de que o temporal esteja ligado às mudanças climáticas que estão acontecendo em todo o globo.

Aumento da procura por seguros residenciais

A população brasileira, já experiente em meio a tantas ocorrências dessa natureza, principalmente por conta da intensificação dos registros de forma menos espaçada em um mesmo ano, parece ter aderido ao seguro residencial, conforme levantamento da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

A instituição aponta que houve uma elevação de 25% no Índice de Penetração (IP) deste tipo seguro entre 2017 e 2021 – data do dado mais recente disponível. A participação, que era de 13,6% no primeiro ano da série histórica, pulou para 17%, o que representa 12,7 milhões de residências seguradas em todo País.

Jarbas Medeiros, presidente da comissão de seguros patrimoniais massificados da FenSeg, disse que ao olhar os últimos anos, o que se vê é uma importante inclusão securitária, com mais 2,8 milhões de residências protegidas pelo seguro residencial.

Segundo a pesquisa, em 2021 a Região do País com maior participação foi a Sul, com 29,7%, seguida de Sudeste (22,3%), Centro-Oeste (12,9%), Nordeste (7%) e Norte (4,6%). “Entre os estados, a melhor cobertura é a do Rio Grande do Sul, com 38,6% dos domicílios segurados, acima de São Paulo, que vem logo atrás com 29%”, destacou.

De acordo com o executivo, Santa Catarina (27,1%), Paraná (22,7%) e Distrito Federal (21,8%) aparecem em seguida.

O levantamento da FenSeg cruzou dados das 61 seguradoras que comercializam o seguro residencial no País com números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Inundações recorrentes

Os estragos causados pelas chuvas em SP deixaram a população perplexa, mas em Santa Catarina, por exemplo, cidades como Blumenau, Itajaí, Rio do Sul e Indaial convivem com inundações iminentes todo o ano. Em 2023, inclusive, houve discussão entre os prefeitos do Vale do Itajaí e Médio Vale do Itajaí sobre a necessidade de abrir ou fechar as comportas de barragens.

Acontece que quando uma barragem enche, ela corre o risco de transbordar e inundar os municípios à volta. Com isso, os prefeitos pedem a abertura das comportas, mas, com isso, as cidades mais abaixo começam a ver o Rio Itajaí-Açú subir e transbordar, com as águas invadindo, aos poucos, as cidades e chegando até a altura dos telhados.

Medeiros, da FenSeg, destacou que a Região Sul tem mais adesões de seguros residenciais por conta de uma maior conscientização da população. Isso acontece pelo fato desta Região ser mais atingida por eventos naturais. “Mas é importante frisar que as mudanças climáticas têm atingido todo o Brasil”, comentou.

A Susep, por sua vez, aponta que de janeiro a julho de 2023 o desempenho do Rio Grande do Sul na contratação do seguro residencial pode crescer ainda mais na próxima edição do levantamento.

Isso porque a participação do Estado na arrecadação da Região Sul chegou a 39,3%. O valor arrecadado foi de R$ 261 milhões, que representa expansão de 14,7%, e o total pago em indenizações foi de R$ 75 milhões, equivalente a 37% do total pago no Sul.

Mas, vale a pena fazer seguro de casas ou não?

Para o Head Patrimonial da EQI Investimentos, Carlos Eduardo Biagioni, que trabalha tanto com proteção patrimonial, quanto com patrimônio à vida, além de outros tipos de seguros, vale a pena sim, ter seguro residencial, pois este recurso acaba transferindo o custo às seguradoras. “Estes acontecimentos são fatores que independem da vontade do cliente, como catástrofes, temporais, incêndios e apagões. É uma forma de mitigar os riscos”, diz.

Ele explica que a seguradora está preparada, financeiramente, para absorver os impactos que surjam. “Além disso, possuir seguro residencial também é um tipo de Plano B”, explica, citando uma “quase” reserva de emergência. “Esse mercado tem crescido muito desde a pandemia, principalmente por conta do home office, afinal de contas a população começou a perceber o quanto precisa de seus bens”, destaca.

Em relação às coberturas, existem inúmeras, sendo que as mais procuradas são o seguro contra incêndio, seguido de seguro para danos elétricos, bem como roubo. “Existe ainda as assistências que o próprio seguro te coloca, como assistência chaveiro, encanador e outros serviços. No meu ponto de vista, os seguros acabam complementando a estratégia financeira de uma família”, frisa.

Custo-benefício

De acordo com Bruno Motta, sócio da Globus Seguros, o custo-benefício de um seguro de casa deve ser levado em consideração, e somente este fator já faz valer a pena ter uma apólice. “O serviço costuma ser vantajoso e tem preços atrativos”, diz.

Em relação ao potencial do mercado, ele estima que 60% ou mais dos imóveis existentes não possuem seguro. É uma questão cultural, afirma. Acrescentando que embora seja um risco diferente do seguro auto, onde o consumidor contrata o seguro com uma taxa ao ano de aproximadamente 6% do valor do veículo, o custo do seguro residencial tem em média 0,2% de taxa ao ano sobre o valor de reconstrução do bem, mais o conteúdo, dependendo das coberturas contratadas.

Coberturas mais comercializadas

A FenSeg informou que as coberturas mais comercializadas dentro do seguro residencial são incêndio, danos elétricos, vendaval, roubo e responsabilidade civil. No entanto, apenas 10% das apólices contratadas atualmente incluem a cobertura de desmoronamento, enquanto a de alagamento representa menos de 1% do total.

O levantamento também conclui que os serviços emergenciais, presentes em todos os contratos deste seguro, são cada vez mais acionados pelos clientes. Entre eles, estão chaveiro, encanador, eletricista, vidraceiro, desentupimento, conserto de aparelhos e outros.

 

Fonte: E-Investidor – Estadão.com.br | Educação Financeira