Um apanhado das experiências no campo da diversidade e inclusão, o vaivém do processo de equidade de gêneros e raça e depoimentos pessoais fortes marcaram o seminário Diversidade e Inclusão – DIVE IN, realizado durante a Fides Rio 2023. A conversa coincidiu com o Dia da Diversidade no Setor de Seguros da CNseg, comemorado em 25 de setembro, e às vésperas do maior festival de Diversidade e Inclusão no mercado de seguros e resseguros do mundo, o Dive In, organizado pelo britânico Lloyd´s Bank, que ocorre por três dias seguidos na última semana de setembro. Moderado pela diretora de Sustentabilidade, Consumo e Relações Institucionais da CNseg, Ana Paula de Almeida Santos, o espaço de debate reuniu executivas da alta administração de empresas e entidades do mercado segurador: Rafaela Barreda, presidente da Lloyd´s no Brasil, Valéria Chaves, diretora da Susep, Narely de Paula, gerente executiva de subscrição da Austral.

A presidente da Lloyd´s no Brasil afirmou que “o Dive In começou como um evento apenas em Londres, para falar de diversidade e inclusão e destacar a importância dessa pluralidade no mercado de trabalho. Em 2017, fizemos o primeiro evento no Brasil com nossos parceiros internacionais. E hoje em dia, já são mais de 41 países participantes do festival de diversidade e 35 mil pessoas envolvidas”, informou. A seu ver, um dos méritos do Dive In é despertar nas empresas a relevância de uma cultura diversa e inclusiva. “O que temos visto ao longo desse tempo é uma mudança de percepção na identificação de talentos, algo que não mais fica limitado a buscar equidade de gêneros, mas também inclui ampliar representativa por raça, cultura e religião diversas. A novidade dessa edição do Dive In, adiantou ela, é a mentoria reversa, para poder falar bastante do etarismo. Trata-se de uma oportunidade de líderes globais poderem ser “mentorados” por jovens talentos.

Os passos da diversidade e inclusão precisam ser acelerados, ainda assim, concorda Valéria Chaves (da Susep). “Fala-se muito de diversidade, mas agora a gente precisa falar de inclusão. O desafio é como trazer toda essa diversidade para dentro do nosso trabalho, para dentro do nosso mercado, como incluir toda essa população diversa.” Reflexão Um ponto para reflexão trata do mercado segurador nacional. Segundo ela, o board das seguradoras, que respondem por 80% e 90% da arrecadação, reúne 118 diretores, dos quais apenas 19 são mulheres. Nos conselhos de administração desses grupos, há 57 pessoas, dos quais 10 são mulheres. “Mas gosto de pensar como Ariano Suassuna. O otimista é um tolo, o pessimista é um chato e bom mesmo é ser um realista esperançoso. Tem solução? Sim, e precisamos pensar juntos como melhorar esses números”, disse ela. “Contra fatos e números não há argumentos. Temos um caminho distante para percorrer, mas, assim como a Valéria, somos realistas esperançosas, brincou Ana Paula, acrescentando que a participação das mulheres no setor segurador nacional é de 52%, mas o gap salarial ainda é grande, de 35%.

Acrescenta-se a isso o fato de que ainda há uma predominância de homens brancos em cargos de liderança. Narely de Paula disse que “a gente não fala de diversidades porque é bonito, mas sim porque esse país foi construído em cima de muita desigualdade”, que persiste e exige que o tema precise ser lembrado todo o tempo. Para ela, ações afirmativas podem ser verdadeiramente eficientes. Mas não basta ficar no reconhecimento da diversidade. Ou seja, fazer censo, mapear, mas ter dificuldades de avançar. A dificuldade é o comprometimento. Dificuldade essa que está em conseguir que todos os níveis das empresas se comprometam em fazer andar a diversidade, que sejam responsabilizados e cumpram metas relacionadas à promoção, à remuneração etc.

 

Fonte: Sou Segura – Associação das Mulheres do Mercado de Seguros