O avanço dos carros elétricos e híbridos no Brasil está trazendo novos desafios para o mercado automotivo e para o setor de seguros. À medida que cresce a presença de veículos eletrificados nas ruas, também aumentam as particularidades relacionadas à manutenção, aos reparos e à disponibilidade de peças, fatores que podem impactar diretamente a rotina dos proprietários em caso de sinistro.
Um dos principais pontos de atenção está no tempo necessário para a reposição de determinados componentes. Em alguns casos, as peças não estão disponíveis para entrega imediata, o que pode prolongar o período de permanência do veículo na oficina. A espera pode variar entre 30 e 80 dias, dependendo do modelo e do componente necessário para o reparo.
Para Alessandra Monteiro, Diretora Executiva da Pluna Corretora de Seguros, do Grupo Bancorbrás, essa realidade exige uma atenção especial do consumidor no momento da contratação do seguro auto. “A cadeia de fornecimento de peças precisa acompanhar o crescimento da frota para que, em caso de sinistro, os reparos sejam realizados com mais agilidade e previsibilidade, reduzindo o impacto para o cliente”, afirma.
Diante desse cenário, uma das principais orientações da corretora é avaliar cuidadosamente as condições da cobertura para carro reserva. Embora esse serviço esteja presente em diferentes modalidades de seguro auto, o período de utilização disponível pode variar de acordo com o plano contratado. “Essa é uma preocupação frequente entre os clientes. Por isso, orientamos a contratação de coberturas estendidas para carro reserva, justamente para minimizar os transtornos causados por uma eventual demora no reparo. Quando o veículo precisa permanecer mais tempo na oficina aguardando uma peça, contar com um prazo maior de carro reserva pode fazer uma diferença importante na rotina do segurado”, explica Alessandra.
Seguro precisa acompanhar as particularidades dos eletrificados
A expansão da frota eletrificada vem acompanhada de uma transformação gradual em toda a cadeia automotiva. Diferentemente dos veículos convencionais, os carros elétricos possuem sistemas e componentes específicos, além de demandarem, em determinadas situações, mão de obra e oficinas especializadas.
Essas características tornam ainda mais importante compreender as condições da apólice antes da contratação. Além das coberturas tradicionais para colisão, roubo, furto e outros eventos previstos no contrato, o consumidor deve avaliar os serviços de assistência e as condições oferecidas para situações que possam resultar em um período prolongado de indisponibilidade do veículo.
“Mais do que olhar apenas para o valor do seguro, é fundamental entender quais são as coberturas contratadas e se elas fazem sentido para a realidade daquele veículo e daquele motorista. O carro reserva, por exemplo, pode ser visto como uma cobertura complementar, mas, diante de um tempo maior de espera para reparação, passa a ter um papel importante para garantir mobilidade e reduzir os impactos na rotina do cliente”, destaca a diretora.
Crescimento do mercado
Os dados mais recentes da FenSeg, obtidos a partir do cruzamento das informações das seguradoras com os registros da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), apontam que cerca de 30% da frota circulante no Brasil estava segurada em dezembro de 2025. Ao mesmo tempo, a eletrificação do mercado automotivo avança em ritmo acelerado. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mais de 215 mil veículos leves eletrificados foram emplacados no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 125% em relação ao mesmo período de 2025.
Para Alessandra Monteiro, informação e planejamento continuam sendo fundamentais para que o consumidor esteja preparado para as particularidades de possuir um carro eletrificado. “O mercado está em evolução, mas neste momento, é importante que o cliente conheça as particularidades do seu veículo e conte com uma orientação adequada na hora de contratar o seguro auto. Uma apólice bem estruturada ajuda a reduzir preocupações e oferece mais segurança justamente nos momentos em que o carro precisa ficar parado”, conclui.
Fonte: SEGS








