Incentivos prometidos para micro e pequenas empresas podem ampliar a importância dos seguros empresariais como ferramenta de continuidade dos negócios.
O fortalecimento dos pequenos negócios está entre os principais temas das campanhas para as eleições de 2026. Propostas voltadas à ampliação do crédito, redução da burocracia e estímulo ao empreendedorismo aparecem em diferentes programas de governo, mas especialistas alertam que o crescimento sustentável das empresas também depende da gestão de riscos e da proteção patrimonial.
Para a especialista em Gente & Gestão, consultora sistêmica organizacional e autora Bruna Garcia, políticas públicas de incentivo têm potencial para impulsionar a procura por seguros empresariais à medida que as empresas ampliam suas operações.
“As políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos pequenos negócios têm um papel importante na geração de oportunidades, mas precisam vir acompanhadas de uma cultura de proteção. Quando um empreendedor tem acesso a crédito, amplia sua operação, contrata pessoas, investe em equipamentos e aumenta seu faturamento, ele também aumenta sua exposição a riscos”, afirma.
Segundo Bruna, incentivar apenas o crescimento financeiro não é suficiente para garantir a continuidade das empresas.
“O seguro deve ser visto como parte desse processo de desenvolvimento. Não faz sentido incentivar o crescimento de uma empresa sem incentivar também mecanismos que garantam sua continuidade. O empresário que protege seu patrimônio, sua operação e sua responsabilidade está mais preparado para enfrentar imprevistos sem comprometer anos de trabalho. No fim, crescimento e proteção precisam caminhar juntos.”
Apesar desse cenário, muitos empreendedores ainda subestimam riscos capazes de comprometer anos de investimento. Ataques cibernéticos, ações de responsabilidade civil, interrupções das atividades e falhas na prestação de serviços continuam fora do radar de grande parte das micro e pequenas empresas.
“Ainda existe uma falsa percepção de que determinados riscos atingem apenas grandes empresas. Hoje isso não corresponde mais à realidade. Questões como ataques cibernéticos, responsabilidade civil, interrupção das atividades, erros na prestação de serviços e até danos causados a terceiros podem gerar impactos financeiros significativos para um pequeno negócio”, explica.
Ela observa que o maior problema costuma estar na ausência de planejamento para enfrentar situações inesperadas.
“Muitos empreendedores concentram todos os seus investimentos na operação e deixam de proteger justamente aquilo que levaram anos para construir. Um único evento inesperado pode comprometer o fluxo de caixa, a reputação da empresa e, em alguns casos, inviabilizar a continuidade do negócio. O maior risco, muitas vezes, não é o sinistro em si, mas acreditar que ele nunca vai acontecer.”
Nesse contexto, Bruna destaca que o corretor de seguros assume uma função cada vez mais estratégica. Segundo ela, o profissional precisa atuar como consultor, compreendendo a realidade de cada empresa antes de indicar soluções.
“O corretor moderno deixou de ser apenas um intermediador de seguros. Ele precisa assumir um papel consultivo, entendendo o modelo de negócio do cliente, seus objetivos de crescimento, suas vulnerabilidades e os riscos que podem comprometer sua estratégia.”
Para a especialista, essa atuação amplia o valor agregado do profissional e fortalece o relacionamento com o empreendedor.
“Mais do que vender uma apólice, o corretor deve ajudar o empresário a construir uma política de proteção alinhada à realidade da empresa. Isso exige conhecimento técnico, visão de negócios e capacidade de traduzir riscos complexos em decisões práticas. Na minha visão, o melhor corretor é aquele que consegue mostrar que seguro não é um custo para quando algo acontece, mas um investimento que permite ao empreendedor continuar crescendo mesmo diante dos imprevistos.”
A expectativa é que a transformação dos pequenos negócios também impulsione novos segmentos dentro do mercado de seguros. Entre eles, Bruna destaca o seguro cibernético, responsabilidade civil, seguro garantia e produtos modulares desenvolvidos conforme as necessidades de cada empresa.
“Os seguros cibernéticos devem ganhar cada vez mais relevância diante da digitalização das empresas e do aumento dos riscos relacionados a vazamento de dados, ataques virtuais e interrupção das operações. A responsabilidade civil também tende a avançar, especialmente para empresas prestadoras de serviços, que estão cada vez mais expostas a possíveis reclamações e indenizações.”
Ela também aponta o crescimento do seguro garantia como consequência da participação cada vez maior de pequenas empresas em contratos públicos e privados.
“À medida que pequenas e médias empresas passam a participar de contratos privados e públicos de maior porte, cresce também a necessidade de oferecer garantias de cumprimento das obrigações assumidas. Além de transmitir mais credibilidade ao mercado, o seguro garantia permite preservar o capital de giro, evitando a imobilização de recursos que podem ser direcionados ao crescimento da empresa.”
Para Bruna Garcia, o futuro da proteção empresarial passa por soluções mais flexíveis e alinhadas às diferentes realidades dos empreendedores.
“Também acredito no fortalecimento de soluções mais personalizadas e modulares, permitindo que cada negócio contrate proteções compatíveis com sua realidade e seus riscos específicos. O futuro do mercado passa por uma visão cada vez mais estratégica da gestão de riscos. O seguro deixa de ser apenas um mecanismo de indenização para se tornar uma ferramenta de continuidade, sustentabilidade e crescimento empresarial. As empresas que entenderem essa mudança estarão mais preparadas para crescer de forma segura e perene.”

Reprodução/TSE/Agência Brasil
Fonte: CQCS








