Maioria dos prejuízos causados por desastres climáticos ficou sem seguro

Especialistas alertam que revisão das coberturas são fundamentais para reduzir perdas por enchentes e tempestades

Apenas 9% dos R$ 184 bilhões em prejuízos provocados por desastres climáticos no Brasil entre 2022 e 2024 estavam protegidos por seguros. O levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostra que a maior parte das perdas financeiras provocadas por enchentes, vendavais, granizo e outros eventos extremos foi absorvida por famílias, empresas e pelo poder público.

O cenário reforça a necessidade de prevenção e de uma análise mais criteriosa das coberturas contratadas, principalmente diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos registrados no país.

Para a presidente do Clube dos Corretores de Seguros de Rio Preto, Rosi Dellatorre, um dos erros mais comuns é acreditar que toda apólice oferece proteção para qualquer tipo de desastre. “Muita gente pensa que o seguro cobre automaticamente qualquer ocorrência. Mas é preciso verificar se a apólice inclui coberturas para enchentes, vendavais, granizo, danos elétricos e outros eventos climáticos. O momento de fazer essa conferência é antes do prejuízo acontecer.”

Além da contratação adequada do seguro, medidas como manutenção de telhados, limpeza de calhas, poda preventiva de árvores, revisão das instalações elétricas e um plano de emergência ajudam a reduzir danos em períodos de chuvas intensas.

Segundo o diretor da Sevisa Corretora de Seguros, de Rio Preto, Leonardo Duarte, revisar periodicamente a apólice tornou-se uma medida tão importante quanto a própria contratação. “O pior momento para descobrir que a cobertura é insuficiente é depois da tempestade. O patrimônio muda, os riscos mudam e o seguro também precisa acompanhar essa realidade.”

O aumento dos eventos extremos já provoca mudanças no mercado segurador. Recentemente, a presidente da Porto Seguro, Patrícia Chacon, afirmou que a companhia vem ampliando seu portfólio de produtos para atender aos novos riscos climáticos e fortalecer a proteção de clientes diante desse cenário.

Para os especialistas, as mudanças climáticas transformaram o seguro em uma ferramenta de planejamento financeiro. Mais do que proteger bens, uma cobertura adequada pode evitar que um evento extremo comprometa o patrimônio e a capacidade de recuperação de famílias e empresas.

Fonte: O Regional