O setor de seguros e a economia baiana

Um dos livros mais fascinantes que eu já li foi escrito pelo economista/historiador Peter Bernstein: Desafio aos Deuses, a Fascinante História do Risco (Editora Alta Books). Ele aborda o nascimento da matemática e seus avanços até as modernas teorias dos mercados financeiros. Descreve como fomos aos poucos compreendendo o comportamento das variáveis aleatórias futuras, as probabilidades de ocorrência dos eventos. Como começamos a desenvolver técnicas para nos precaver da incerteza: pois o futuro a Deus pertence.

E nada mais relacionado à necessidade de proteção dos eventos incertos do que um contrato de seguro.

A criação dos seguros foi fundamental para o capitalismo. Ao reduzir os riscos provenientes da incerteza, os seguros criam uma espécie de horizontalização do cenário imprevisto, garantindo ao setor privado maior segurança para seus negócios, protegendo o patrimônio das famílias, em função das intempéries do destino, ao mesmo tempo em que servem como vetor de investimentos, em virtude do volume das provisões e reservas detidas pelas empresas do setor.

O setor de seguros é vital para a economia. Dados públicos do Boletim SUSEP (www.susep.br) mostram que em 2025 as receitas do setor de seguros e acumulação (que inclui operações de VGBL, PGBL e previdência tradicional), em todo o Brasil, alcançaram cerca de R$ 381 bilhões.

Já o estoque das provisões técnicas das seguradoras e empresas de previdência aberta (que são reservas exigidas por regulamentação do CNSP, Conselho Nacional de Seguros Privados), alcançaram R$ 2 trilhões em dez/2025: esse valor equivaleu a 15% do PIB!!

Considerando que a Bahia é o maior PIB do Nordeste e a sétima maior economia entre as 27 unidades da federação, com PIB próximo a 4% do PIB brasileiro, inferimos que essas provisões, proporcionalmente ao tamanho da economia baiana, equivaleram a algo próximo a R$ 80 bilhões. Essa magnitude mostra a importância das operações do setor.

Mas há espaço para crescer. Em 2025 o total das receitas apenas do setor de seguros no Brasil foi de R$ 223 bilhões, mas a Bahia esteve somente na nona posição entre os estados em função dessas receitas (com R$ 6 bilhões). Já no VGBL, o mais relevante produto de acumulação, a Bahia esteve na sétima posição em função das suas contribuições (também com R$ 6 bilhões).

Seguros e previdência cumprem um papel vital para a economia: o pequeno empresário, o poupador no seio de sua família e os grandes investimentos, todos eles, precisam se proteger das incertezas da ação do tempo. Os empresários e consumidores baianos devem utilizar cada vez mais as ferramentas de defesa de seu patrimônio, como forma de bem-estar e estímulo ao desenvolvimento econômico.

Fonte: A Tarde