O rápido envelhecimento da população brasileira exige que o país avance para uma discussão mais ampla sobre o futuro da Previdência Social. Em entrevista ao portal Viva, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou que as mudanças demográficas fizeram o modelo atual cada vez mais pressionado e defenderam a necessidade de uma reforma que vá além das configurações de configurações, discutindo o próprio desenho do sistema previdenciário.
Segundo ele, a redução do número de filhos por família e o aumento da expectativa de vida vêm alterando profundamente a relação entre beneficiários e beneficiários. Mantido o cenário atual, a proporção poderá chegar a um contribuinte para cada beneficiário nas próximas décadas, comprometendo o equilíbrio do sistema.
Reforma precisa discutir o modelo, não apenas as regras
Na avaliação de Dyogo Oliveira, as reformas realizadas até agora se concentraram em mudanças como idade mínima e tempo de contribuição. Embora importantes, essas medidas não seriam suficientes para enfrentar os desafios estruturais provocados pela transição demográfica.
O presidente da CNseg defende a construção de um modelo híbrido, combinando uma previdência pública voltada à garantia de uma renda básica com mecanismos de acumulação individual ao longo da vida, por meio da previdência complementar. Para ele, essa combinação permitiria criar um sistema mais sustentável para as próximas gerações e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento econômico do país.
“A próxima reforma precisa mexer no modelo previdenciário”, afirmou.
Janela para uma transição gradual
Outro ponto destacado na entrevista foi a necessidade de agir enquanto ainda existe espaço para uma transição gradual. Dyogo avalia que o Brasil apresenta uma janela de aproximadamente quatro a dez anos para implementar mudanças estruturais sem recorrer a medidas mais drásticas no futuro.
Ele cita experiências de países que enfrentaram graves crises previdenciárias e foram obrigados a adotar ajustes severos, como aumento expressivo da idade de aposentadoria e redução de benefícios.
Previdência complementar ganha relevância
Ao abordar possíveis soluções para o envelhecimento populacional, Dyogo destacou o papel estratégico de previdência complementar. Em sua visão, um sistema baseado também na acumulação de recursos pelos próprios trabalhadores não apenas fortalece a segurança financeira na aposentadoria, como contribui para a formação de poupança de longo prazo, capaz de financiar investimentos e contribuições o crescimento econômico.
Para o executivo, a discussão sobre Previdência deve ser encarada não apenas sob a ótica fiscal, mas também como um tema de solidariedade entre gerações e de planejamento para o futuro do país.
A entrevista completa traz ainda análises sobre os desafios políticos de uma nova reforma previdenciária, o impacto do envelhecimento populacional nas contas públicas e as alternativas para garantir a sustentabilidade do sistema nas próximas décadas.
Fonte: Sindseg RS








