Corretor assume papel estratégico na proteção de moradores de ilhas

Riscos climáticos, isolamento e dificuldades operacionais exigem atuação mais consultiva dos corretores em regiões insulares, entenda como as apólices funcionam nessas situações

Moradores de ilhas convivem com desafios que impactam diretamente a contratação de seguros residenciais, empresariais e náuticos. Em regiões onde o acesso é limitado e a exposição a eventos naturais é maior, o corretor passa a assumir um papel mais estratégico para estruturar coberturas adaptadas à realidade local. Segundo o executivo Sérgio Ricardo, entender os riscos específicos dessas regiões e atuar de forma consultiva pode ser determinante para ampliar a proteção dos clientes e garantir continuidade operacional de negócios instalados em áreas insulares.

De acordo com o especialista, a localização geográfica é o principal fator que influencia a estruturação das apólices nessas regiões. Os riscos da natureza, com maior exposição a vendavais, ressacas, corrosão marinha causada pelo salitre e inundações são fatores que elevam o custo das coberturas. Outra ótica envolve a vulnerabilidade operacional, já que a dificuldade de acesso do Corpo de Bombeiros e de equipes de emergência aumenta o risco de perda total em incêndios e acidentes estruturais.

Nesse cenário, Sérgio Ricardo avalia que o corretor precisa ampliar sua atuação além da venda tradicional de seguros. “Em comunidades isoladas, o corretor deve atuar como um consultor de resiliência”, afirma. Segundo ele, o trabalho passa pelo entendimento das atividades econômicas locais e pelo mapeamento de ativos específicos, como pousadas, embarcações, frotas pesqueiras e estruturas de energia solar, bastante comuns em ilhas.

O especialista também destaca que a combinação entre presença digital e parcerias com associações de moradores e colônias de pescadores pode facilitar o relacionamento em regiões onde o acesso físico é mais complexo.

Outro ponto central envolve a continuidade das operações locais. “O argumento de venda não é apenas ‘perda de bens’, mas a sobrevivência do negócio”, ressalta Sérgio Ricardo. Em pousadas e restaurantes, por exemplo, uma queda de energia pode comprometer câmaras frigoríficas, interromper atividades e gerar prejuízos imediatos.

Entre os seguros que podem atender esse perfil estão coberturas residenciais e empresariais com proteção para incêndio, vendaval, danos elétricos e deterioração de alimentos refrigerados. O seguro náutico também ganha relevância em localidades onde embarcações representam transporte, trabalho e fonte de renda das famílias.

Além disso, cresce a procura por proteção para equipamentos como painéis fotovoltaicos e sistemas de dessalinização, cada vez mais utilizados em comunidades afastadas dos grandes centros urbanos.

Apesar das oportunidades de atuação, o atendimento nessas regiões ainda apresenta desafios operacionais para seguradoras e corretores. O envio de peritos e equipes de assistência costuma ser mais caro e demorado, levando parte das companhias a investir em autovistorias digitais. “Muitas seguradoras já utilizam fotos e vídeos via aplicativo para agilizar o atendimento”, explica Sérgio Ricardo.

O executivo afirma ainda que moradores de ilhas costumam ter maior percepção de risco e, por isso, valorizam soluções mais personalizadas. “Quem vive em ilhas sente a força da natureza e o isolamento de forma mais direta, o que gera uma percepção de risco mais elevada do que o morador de um centro urbano”, diz.

Segundo ele, quando o corretor consegue compreender as limitações logísticas e adaptar o atendimento à realidade local, o relacionamento tende a ser mais duradouro. “Devido à escassez de ofertas, quando um corretor oferece um serviço que realmente resolve a logística da ilha, a taxa de renovação e indicação é altíssima”, conclui.

Fonte: CQCS