“Resseguro como instrumento de proteção de investimentos e letra de riscos de seguro” foi o tema da terceira plenária do primeiro dia do Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, realizado nesta terça-feira (19). Emerson Medeiros, Officer Institucional do Itaú Unibanco; Henning Ludolphs, Diretor-Gerente da Hannover Re; Pedro Farme D’Amoed, CEO da Guy Carpenter no Brasil; e Vinicius Ratton Brandi, Subsecretário de Reformas Microeconômicas e Regulação Financeira do Ministério da Fazenda, participaram deste painel.
Dando um panorama da esfera pública, Vinicius Ratton acredita que o gerenciamento e o compartilhamento de risco são atividades necessárias para o avanço e desenvolvimento de um país, com impacto direto na qualidade de vida das pessoas. Por isso, o governo precisa ter uma visão do tema
“Numa visão de política econômica e pública, o Estado precisa ter esse olhar e reconhecer que, por um lado, o setor privado e a livre escolha dos agentes trazem benefícios para a sociedade, criando ambientes mais propensos ao desenvolvimento”, detalhou. “Mas, por outro lado, é fundamental que o Estado exerça um papel importante na coordenação dessas agendas, desse diálogo e na identificação de falhas de mercado, principalmente nas agendas relacionadas a riscos catastróficos”, completou Ratton.
Para Henning Ludolphs, houve avanços importantes na cooperação entre participantes do mercado e reguladores, especialmente na construção do ambiente para riscos ligados ao setor de seguros. Na visão dele, o agronegócio tende a ser, a longo prazo, um dos segmentos mais promissores para o desenvolvimento de estruturas de ILS, devido às suas características específicas e ao potencial de conexão com mercados internacionais.
“Acho que o regulador deve ajudar e apoiar para que os participantes locais possam interagir com os mercados internacionais de ILS, sempre que surgirem problemas ou questões. O regulador deve dar suporte”, explicou. “A outra parte principal é o desenvolvimento dos modelos. E acho que isso já está em andamento. Em particular, muitos dos nossos investidores analisam os modelos e acho que eles estão sendo desenvolvidos e provavelmente serão úteis também para o agronegócio a longo prazo”, acrescentou Ludolphs.
Também presente no painel, Pedro Farme D’Amoed ressaltou que o mercado de seguros brasileiro precisa desenvolver soluções próprias, sem apenas replicar modelos internacionais. “O Brasil, inclusive, construiu uma regulação bastante avançada, chegando em alguns aspectos à frente do aprendizado de outros reguladores”, detalhou. Mas, quando olhamos para o mercado internacional, especialmente para as emissões ligadas a catástrofes nos Estados Unidos e na Europa, vemos que cerca de 95% das emissões estão concentradas nesses segmentos”, completou D’Amoed.
O executivo da Guy Carpenter no Brasil também ressaltou que a atratividade do retorno para o investidor é outro desafio para o mercado do país. Embora tenha um mercado de capitais desenvolvido, o desafio é entender como aplicar ao setor de seguros e de garantias. “Talvez a “fórmula mágica” esteja justamente em deixar de apenas repetir estruturas que funcionam em outros mercados e criar soluções adaptadas à realidade brasileira, fomentando novas oportunidades de desenvolvimento para o setor”, compartilhou com o público.
Para Emerson, a construção da primeira LRS exigiu um grande esforço operacional, regulatório e jurídico, já que o mercado ainda não possuía uma esteira pronta para esse tipo de operação, sendo preciso adaptar processos internos de bancos, utilizar estruturas já existentes e manter diálogo constante com entidades para viabilizar a emissão. “Aproveitamos as estruturas existentes para lançar a primeira operação e provocar essa discussão: é possível fazer uma letra no Brasil. Os desafios passam muito por preço. Dependendo do tipo de garantia, o prêmio é baixo e existem custos atrelados à emissão, estruturação e ao próprio apetite do investidor”, explicou. “
Mas, de acordo com Medeiros, o mercado olha isso com bons olhos, principalmente em ramos específicos, que possuem maior capacidade e prêmios um pouco maiores, permitindo buscar essa energia de giro e novas possibilidades no longo prazo. “Quanto mais aparecerem novas letras, novas estruturas e novas operações, melhor será para o mercado”, finalizou o Officer Institucional do Itaú Unibanco.
Fonte: CQCS








