Como o seguro responde a incidentes como o do avião registrado em Guarulhos?

O motor de um avião da Delta Air Lines, com destino a Atlanta (EUA), sofreu uma explosão logo após a decolagem no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no dia 29 de março. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. No entanto, o piloto precisou realizar um pouso de emergência. Diante da situação, o CQCS conversou com Carlos Polizio, presidente da Comissão de Cascos Marítimos e Aeronáuticos da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), para entender como o seguro poderia agir em casos como esse.

 

Polizio explica que, caso o evento não seja caracterizado como falha mecânica ou quebra de componentes da aeronave, o principal seguro acionado é o de casco aeronáutico, que cobre danos materiais à aeronave, incluindo o motor e componentes como a turbina.

 

“Paralelamente, pode ser acionado o seguro de responsabilidade civil do operador aéreo (responsabilidade civil do transportador), que cobre eventuais danos causados a passageiros, bagagens e terceiros em solo”, detalha o presidente da Comissão de Cascos Marítimos e Aeronáuticos da FenSeg.

 

O especialista também acrescenta que, dependendo das circunstâncias, coberturas complementares previstas na apólice, conforme a estrutura contratada pela companhia aérea, podem ser acionadas. “Vale ressaltar que o evento envolve uma aeronave de linha aérea estrangeira, sujeita às regras da apólice contratada no exterior”, completa.

 

De uma forma geral, incidentes como o que aconteceu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, são tratados como parte da sinistralidade esperada no setor aéreo, que é altamente regulado e tecnicamente monitorado.

 

Polizio esclarece ainda que a aviação opera com padrões de segurança rigorosos, manutenção e gestão de riscos, o que permite que ocorrências pontuais sejam absorvidas pelo sistema securitário sem comprometer a estabilidade. “Ainda assim, cada evento é analisado tecnicamente, podendo contribuir para ajustes de subscrição, precificação e protocolos operacionais”, pontua o especialista.

 

Mesmo assim, episódios com grande repercussão reforçam a importância da gestão de riscos e da proteção securitária, podendo estimular a revisão de coberturas já contratadas, especialmente no que diz respeito a garantias acessórias. “Mais do que gerar aumento imediato na demanda, o efeito costuma ser o de ampliar a conscientização sobre a necessidade de estruturas de proteção mais completas e aderentes às operações”, diz.

 

Nesse contexto, o corretor se torna um agente fundamental junto a empresas que operam aviação executiva e táxi aéreo. “[Áreas que] apresentam demandas específicas e crescente necessidade de soluções personalizadas, o que abre espaço relevante para a atuação do corretor de seguros como consultor especializado”, compartilha. “Esse profissional é fundamental para avaliar os riscos da operação, orientar sobre coberturas adequadas, incluindo responsabilidade civil, casco, perda de uso e garantias adicionais, e estruturar programas de seguro alinhados às características de cada operador”, conclui Polizio.

 

Fonte: CQCS