Atlas de Risco 2026: Allianz Trade alerta para alta das insolvências e riscos globais

Press Talks apresenta dados do Atlas de Risco-País 2026 e analisa impactos para o Brasil e o mercado internacional

A Allianz Trade apresentou, na terça-feira (24), a terceira edição do Atlas de Risco-País 2026 durante o Press Talks, evento que reúne jornalistas e especialistas para discutir o cenário econômico global, risco de crédito e perspectivas para empresas. O estudo traz uma análise detalhada do desempenho econômico de 83 países, que representam aproximadamente 94% do PIB global.

A apresentação foi conduzida por Felipe Tanus, diretor de crédito da Allianz Trade, e Luca Moneta, economista sênior de mercados emergentes e especialista em risco-país. O levantamento utiliza uma metodologia própria que combina 17 indicadores de curto prazo e 18 de médio prazo para identificar onde o risco de não pagamento pode aumentar ou diminuir nos próximos 12 a 24 meses.

Mesmo diante de um 2025 marcado por tensões comerciais, riscos políticos, geopolíticos e fiscais, o relatório aponta que o risco global melhorou no último ano. As avaliações trimestrais resultaram na modernização de 36 economias, entre elas Argentina, Equador, Hungria, Itália, Espanha, Turquia e Vietnã. Por outro lado, 14 países foram rebaixados, incluindo Bélgica, França, Senegal e Estados Unidos.

Segundo o estudo, a melhora foi impulsionada por fundamentos macroeconômicos mais sólidos e políticas fiscais e monetárias mais acomodatícias. Em mercados emergentes, melhores condições de financiamento, valorização das moedas locais e alta das commodities permitiram a reversão de restrições de transferência e conversibilidade. Na Europa, a estabilidade política, a desinflação e o desempenho comercial fortaleceram economias como Alemanha, Grécia, Itália e Espanha. Na Ásia-Pacífico, países como Coreia do Sul e Vietnã também registraram ganhos relevantes.

O risco global de curto prazo foi elevado para nível Médio (2 em uma escala de 4), acima do patamar Sensível registrado antes da pandemia. Já a classificação de longo prazo permanece em B, em uma escala que vai de AA a D. Apesar das melhorias, o ambiente empresarial ainda apresenta recuperação incompleta, especialmente em governança, estado de direito e indicadores ambientais e sociais, além de maior risco comercial e aumento das insolvências.

Durante o evento, Felipe Tanus destacou que o cenário para as empresas segue desafiador. “ As Insolvências corporativas como um todo continuam em uma tendência de crescimento ao longo de 2026, por mais que tenhamos uma perspectiva favorável na redução de juros para o ano, devemos fechar a selic na casa dos 12% em 2026 e é importante reforçar que qualquer taxa de juros acima de 2 dígitos continua sendo uma taxa de juros extremamente alta, quando a gente faz o cálculo da inflação real, o que consequentemente tem um impacto direto nas insolvências corporativas”, disse Felipe Tanus.

O relatório projeta que as inadimplências podem atingir níveis 24% acima da média pré-pandemia até 2026. O deslizamento fiscal em economias avançadas, como França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, e em mercados emergentes, como Brasil, Colômbia, Hungria e Indonésia, elevou prêmios de risco e pressionou a inflação. Esse cenário, combinado com crescimento moderado de receita e margens comprimidas, amplia os desafios corporativos.

Entre os pontos destacados por Luca Moneta no contexto brasileiro está a relativa facilidade para empresas solicitarem recuperação judicial, mecanismo que possibilita a renegociação de passivos em condições mais favoráveis.

Questionado sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos, Felipe Tanus avaliou que o Brasil tem conseguido diversificar suas relações comerciais. “ A tarifação divulgada pelos estados unidos no ano passado nos trouxe, como país, uma grande lição de casa em termos de diversificação de parceiros comerciais, e até então o que temos visto é que o Brasil tem sim se colocado muito bem nesse quesito com a china,indonésia e a ásia como um todo tem sido grandes parceiros nossos, a gente tem visto, grandes exportações sendo feitas para esses países, o que compensa muitas vezes, não na totalidade, essa questão tarifária imposta, o que agora muda por completo com as últimas divulgações, o Brasil passa a ser um dos menos impactos na questão tarifária com os recentes anúncios do trump, mas é importante reforçar que a ásia permanece sendo como um todo um grande player super relevante para diversificar as exportações brasileiras como um todo”, disse Felipe Tanus.

O Atlas de Risco-País 2026 aponta um cenário global cada vez mais desigual, em que resiliência e fragilidade coexistem. Embora muitas economias tenham fortalecido sua capacidade de absorver choques, as vulnerabilidades estão mais concentradas em mercados influentes, como Bélgica, Brasil, França e Estados Unidos, que juntos representam cerca de 31,6% do PIB global.

Para empresas e investidores, o relatório reforça a necessidade de gestão de risco mais estratégica e monitoramento contínuo de indicadores fiscais, cambiais e comerciais. A recomendação é adotar análises mais granulares para proteger fluxo de caixa, alocar capital de forma seletiva e identificar oportunidades sustentáveis em meio à persistente incerteza econômica global.

Fonte: CQCS