Seguro de vida ainda é sub-penetrado no Brasil e tem espaço para crescer, diz CEO da Porto

CEO do Grupo Porto disse que o seguro de vida segue sub-penetrado no Brasil; companhia fechou 2025 com receita de R$ 41 bilhões, lucro de R$ 3,4 bilhões e ROAE de 22,7%

A Porto fechou 2025 com receita anual de R$ 41 bilhões (+12% vs. 2024) e lucro líquido de R$ 3,4 bilhões (+28%). A rentabilidade (ROAE) foi de 22,7%, com alta de 2,7 pontos percentuais. Durante coletiva de resultados, o CEO do Grupo Porto, Paulo Kakinoff, afirmou que o mercado brasileiro vive um momento de demanda crescente, especialmente em segmentos com baixa penetração, e destacou o seguro de vida como uma das principais oportunidades.

Ao comentar a evolução recente do mercado, Kakinoff associou o crescimento à baixa penetração do produto no país. Segundo o executivo, observa-se um vigor na demanda, com crescimento consistente nos últimos anos, o que estaria diretamente relacionado ao fato de o seguro de vida ainda ser subpenetrado no Brasil. A comparação com outros mercados reforça a diferença do Brasil em relação ao peso do seguro de vida no PIB:

“O pessoal [da equipe Porto] fez um levantamento sobre quais são os principais mercados de seguros no mundo em 2024 e qual é o percentual de relevância dos segmentos de seguros em relação ao PIB total. Para dar uma ideia, nos Estados Unidos, por exemplo, o seguro de Vida representa 2,8%, e, na Itália, 5,1%.”, contou o executivo.

Kakinoff afirmou que, mesmo entre os 20 maiores mercados, o Brasil aparece com um patamar bem inferior ao observado no exterior. “Se você pega a média desses mercados, nenhum deles tem menos do que a Austrália, com 1% do PIB. A média é aproximada de um mercado de cerca de 4,5% do PIB. No Brasil, é 0,6%, ou seja, muito sub-penetrado, e vejo que não há uma razão para ser essencialmente tão baixo.”, explicou.

Para o CEO, o cenário abre espaço para crescimento sustentado do seguro de vida, especialmente com processos de comercialização mais simples e canais de distribuição mais fluidos. “Acredito que no [seguro de] Vida realmente tem essa demanda e vem ao encontro da indústria de processos muito mais fluídos de comercialização e distribuição. É um seguro, eu diria, relativamente menos complexo para se comercializar”, disse.

Saúde suplementar está estável e abre espaço para modelos mais acessíveis

Ao falar sobre saúde suplementar, Paulo Kakinoff afirmou que o segmento ficou praticamente estável na última década, oscilando em torno de 50 milhões de beneficiários. “A saúde suplementar, na última década mais ou menos, está realmente estacionada.”, disse.

Segundo o executivo, a saída para ampliar o acesso passa por produtos mais customizados e que “cabem mais no bolso”. Como exemplo, o Porto Bairros, voltado a pequenas e médias empresas com uso de rede hospitalar local. “Estamos falando de mensalidades abaixo de 200 reais por vida, tudo aproximado”, explicou.

De acordo com o relatório, no 4T25, a Porto Saúde cresceu 23% em receita, alcançando R$ 2,3 bilhões, com 831 mil vidas no seguro Saúde (+23%) e 1,2 milhão no Odonto (+19%). O lucro foi de R$ 170 milhões (+22%).

Auto ainda tem baixa penetração, diz CEO

Mesmo com a tradição do seguro auto no Brasil, Kakinoff avaliou que o segmento ainda tem espaço relevante para avançar, especialmente por causa da baixa penetração na frota segurável.

“O mercado de auto já é um setor em que a participação e a penetração, ainda que comparadas a outros mercados e a outros países, historicamente estão entre as maiores dos diversos ramos de seguros no Brasil. Tem uma tradição, mas a frota ainda apresenta penetração abaixo de 20% da frota segurável no país.”

No 4T25, a Porto informou que os prêmios de Auto ficaram praticamente estáveis (+0,2%), com frota segurada em alta de 4%. O lucro foi de R$ 459 milhões (+4%).

Consórcio cresce e ganha tração no banco

Outro destaque da foi o desempenho do consórcio. Paulo Kakinoff afirmou que o produto tem ganhado força como alternativa em um cenário de crédito mais restrito, especialmente em um país com alta informalidade. “O Brasil é um país ainda com uma renda informal muito significativa”, disse, ao apontar que o score tradicional nem sempre reflete a real capacidade de compra.

Segundo Kakinoff, o consórcio se consolida por ampliar o acesso a bens de maior valor, como imóveis e automóveis, mesmo para quem não está nas faixas mais altas de score. “O consórcio, em primeiro lugar, é realmente uma alternativa interessante para acessar os bens de alto valor”, afirmou.

Ao comparar com o financiamento, o CEO destacou que o consórcio pode ter custo total menor, já que não envolve juros, mas sim correção do bem e taxa de administração. “Isso vai ser de 15 pontos percentuais abaixo do que você vê no financiamento”, pontuou.

Segundo os dados enviados pela Porto, o Porto Bank registrou receita de R$ 2,1 bilhões no 4T25 (+31%), com destaque para o crescimento do Consórcio (+38%). O lucro líquido do banco foi de R$ 219 milhões (+35%).

Diversificação chega a 49% e dados impulsionam cross-sell

Paulo Kakinoff também destacou que o modelo de ecossistema da Porto tem ampliado o peso das verticais que não estão diretamente ligadas ao seguro tradicional, como Saúde, Serviços e Banco. Segundo ele, essas áreas já representam metade do valor total gerado pela companhia. “O tráfego desse resultado é de 25%. A soma da contribuição das três verticais que não aportam seguro, ou seja, saúde, serviço e banco, já representa aproximadamente 50% do valor total gerado pela companhia. Isso, há uma década, era só o Auto. Há dez anos, representava quase 80%.”, disse. 

O CEO ressaltou que, embora o seguro auto continue crescendo, seu peso no resultado total já é bem menor. “O Auto adicionou 250 mil itens à nossa carteira, ainda que crescendo, […] isoladamente representa hoje menos de 30% do nosso resultado.”, explicou. 

Kakinoff também comentou o impacto dessa estratégia no aumento do cross-sell, com os clientes passando a ter mais produtos da companhia. “É a quantidade de negócios por cliente. Hoje, temos 19 milhões de clientes na companhia, e o número de produtos ou serviços que cada um desses clientes ativos possui em todo o portfólio da Porto subiu mais uma vez: saímos de 1,7 para 1,9 produtos por cliente, nessa base de 19 milhões.”, contou. 

Fonte: CQCS