A ideia de seguro não nasceu em um único lugar nem em uma data específica. Ela foi sendo construída ao longo de milênios, a partir da necessidade humana de dividir riscos e reduzir perdas
As primeiras práticas surgem na Antiguidade, enquanto o seguro moderno, com contrato e apólice, toma forma na Europa medieval, especialmente no comércio marítimo
As primeiras formas de seguro: Babilônia, Grécia e Roma
Os registros mais antigos de práticas semelhantes ao seguro remontam à Babilônia, entre 3.000 a.C. e 1.800 a.C., em contratos ligados a caravanas e transporte marítimo. Esses acordos previam a repartição de perdas caso mercadorias fossem roubadas ou navios sofressem acidentes.
Um marco fundamental é o Código de Hamurábi (século XVIII a.C.), que já estabelecia regras para operações comerciais com mecanismos de proteção contra prejuízos, considerado um dos embriões jurídicos do seguro.
Na Grécia Antiga, associações conhecidas como eranoi funcionavam como redes de ajuda mútua. Em Roma, corporações e colégios dividiam custos relacionados a funerais, acidentes e perdas, reforçando o princípio da mutualidade, base conceitual do seguro até hoje.
Nesse período, não existiam seguradoras como as atuais, mas acordos privados e coletivos para diluir riscos associados a viagens, comércio e morte.
O primeiro contrato de seguro moderno
O seguro moderno, com características próximas às atuais, surge nas cidades comerciais da Itália medieval.
1347 – Gênova: registro do que é considerado o primeiro contrato formal de seguro marítimo, cobrindo transporte de mercadorias entre Gênova e Maiorca
1385 – Pisa e 1397 – Florença: surgem algumas das primeiras apólices escritas conhecidas, também ligadas à navegação
Esses contratos já apresentavam elementos essenciais:
partes claramente definidas (segurador e segurado)
pagamento de prêmio pelo risco
direitos e obrigações descritos em documento escrito
Não houve um “inventor” do seguro. O que existiu foi uma evolução institucional, impulsionada por mercadores e juristas das cidades italianas, em resposta aos riscos do comércio marítimo
Do seguro marítimo ao mercado global
A partir da Itália, o seguro se espalhou e se sofisticou:
Portugal e Espanha (séculos XIV–XVI): desenvolvimento de normas sobre seguros marítimos, avarias e perdas de carga, impulsionado pelas grandes navegações
Londres – Lloyd’s (final do século XVII): a cafeteria de Edward Lloyd tornou-se ponto de encontro de armadores e investidores que passaram a assinar partes do risco (underwrite)
Entre os séculos XVIII e XIX, o sistema se institucionaliza, e o Lloyd’s evolui para um dos maiores mercados globais de seguros, expandindo para incêndio, indústria, vida e outros ramos
Em resumo: onde, quando e quem inventou o seguro?
Onde surgiu?
De forma difusa na Antiguidade (Babilônia, Grécia e Roma), mas o seguro moderno nasce nas cidades comerciais da Itália medieval, como Gênova, Pisa e Florença.
Quando surgiu?
- Práticas embrionárias: 3.000–1.800 a.C
- Primeiro contrato moderno: 1347
- Consolidação do mercado: séculos XVII a XIX
Quem inventou?
Não houve um inventor único. O seguro é fruto da evolução do comércio, da necessidade de repartir riscos e do desenvolvimento jurídico, com protagonismo de mercadores e juristas italianos e, mais tarde, de mercados como o Lloyd’s de Londres.
A história do seguro é, portanto, a história da organização coletiva diante da incerteza, um mecanismo social que evoluiu junto com o comércio, as cidades e a própria economia moderna.
Fonte: Noticias do seguro








