Apesar de a Venezuela ter hoje peso reduzido no comércio exterior brasileiro — cerca de 0,25% das exportações —, o ataque dos Estados Unidos ao país pode gerar um efeito de contágio, com impacto sobre custos operacionais e logísticos para o Brasil . Esse cenário se traduz em reprecificação de seguros e fretes, elevação das exigências de compliance por bancos e seguradoras e ajustes operacionais impostos por armadores e instituições financeiras, que passam a adotar critérios mais conservadores para a região como um todo, explica a advogada especialista em comércio internacional Carol Monteiro, do escritório Monteiro & Weiss Trade.
— Com o aumento da aversão ao risco para operações na região, há endurecimento dos requisitos de compliance e pressão sobre rotas logísticas, prazos e custos operacionais. A instabilidade na região deve levar ao encarecimento do comércio exterior, com aumento de fretes, seguros, exigências de due diligence e prazos de liberação mais longos.
O cenário reforça um ambiente já marcado por cautela na América Latina, destaca a advogada.
— Não se trata de um risco pontual, mas de mais um elemento que contribui para a reprecificação contínua do risco regional, influenciando decisões de investimento, logística e financiamento do comércio, ainda que os efeitos diretos sobre volumes permaneçam limitados.
Carol Monteiro explica que os impactos tendem a ocorrer em duas etapas. No curto prazo, podem surgir aumentos imediatos em itens mais sensíveis à percepção de risco, como seguros, fretes e prazos operacionais. Já no médio prazo, as empresas tendem a promover ajustes mais estruturais.
— É comum observar diversificação de rotas, revisão de contratos logísticos e reforço de estoques estratégicos como forma de mitigar riscos operacionais — diz a especialista.
Aos exportadores brasileiros, Carol Monteiro recomenda a adoção de estratégias preventivas e de monitoramento constante de riscos. Entre elas, considera fundamental o mapeamento de exposições indiretas, a identificação de rotas, operadores e financiadores mais sensíveis à região e o reforço das práticas de compliance e rastreabilidade, especialmente para empresas com vínculos com os Estados Unidos. A revisão de contratos logísticos e comerciais, com cláusulas de força maior e mecanismos de flexibilidade operacional, também é essencial, afirma, para responder com agilidade a mudanças repentinas no ambiente político e regulatório.
Fonte: Blog Miriam Leitão (O Globo)








