A Mapfre deu sequência, no último sábado (29), à programação de sua Sala de Negócios no 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, com uma agenda voltada à troca de experiências com os profissionais e à apresentação de estratégias para diferentes áreas de atuação. Ao longo do terceiro dia de evento, os executivos abordaram as transformações do mercado, novas demandas dos segurados, oportunidades de negócios e iniciativas para tornar as jornadas mais simples e eficientes.
A programação foi aberta com o painel “A nova experiência no Seguro Auto Mapfre”, que reuniu Marcia Resende, superintendente do Produto Automóvel, Pedro Haunholter, superintendente de Processos e Transformação Operativa, e Leonardo Marins, diretor Territorial SP.
Marcia Resende apresentou um panorama do seguro automotivo brasileiro e destacou o potencial de crescimento do segmento. Segundo ela, cerca de 24,7% da frota brasileira possui seguro, enquanto o país reúne aproximadamente 41 milhões de automóveis, 32 milhões de motocicletas e 1,6 milhão de caminhões. Para a executiva, o desafio está em transformar esse grande mercado potencial em novos segurados.
“Temos 75 milhões de oportunidades de veículos”, afirmou Marcia, ao destacar que a mudança no perfil dos automóveis também exige uma transformação por parte das seguradoras. Ela explicou que os riscos estão diferentes, os veículos incorporam cada vez mais tecnologia e as oficinas precisam acompanhar essa evolução, tanto em capacitação quanto em estrutura e disponibilidade de peças.
Outro ponto destacado foi o crescimento dos veículos elétricos e híbridos. Para Marcia, esse movimento já deixou de ser uma tendência futura e passou a fazer parte da realidade do mercado brasileiro. A executiva citou que, enquanto os veículos a combustão apresentam contratação de seguro próxima de 24,7%, entre os elétricos esse índice chega a aproximadamente 70%.
“Não adianta achar que isso é amanhã, isso já é uma realidade. O produto precisa se atualizar e estar pronto para receber esse público”, destacou.
A evolução dos veículos também foi relacionada ao aumento da tecnologia embarcada. Nesse contexto, a Mapfre apresentou novidades como a cobertura para recalibragem do sistema ADAS após a troca do para-brisa, além da proteção para faróis inteligentes e uma atualização das condições para seguros de veículos blindados.
Na parte operacional, Pedro Haunholter explicou que a companhia vem ampliando o contato direto com os corretores para identificar dificuldades e transformar os feedbacks em melhorias. Segundo ele, as escutas estão sendo realizadas em diferentes regiões do país, com a participação de áreas que tradicionalmente não estariam diretamente ligadas ao relacionamento comercial.
“Todos somos comerciais. Não importa a área em que você trabalhe, você está aqui para atender o corretor”, afirmou.
Haunholter também destacou a participação da liderança da companhia nesse processo. De acordo com ele, o presidente da Mapfre acompanha de perto o atendimento a clientes e corretores, inclusive analisando jornadas de sinistros para identificar gargalos e cobrar melhorias das áreas responsáveis.
O executivo afirmou ainda que houve avanços no tempo de emissão e orientou os corretores a testarem a experiência. Para ele, profissionais com maior produção já conseguem perceber a evolução, enquanto aqueles que trabalham com o produto de forma ocasional podem encontrar uma experiência diferente da que tinham anteriormente.
A inteligência artificial também ganhou espaço na apresentação. Haunholter explicou que a Mapfre vem utilizando a tecnologia com cautela, especialmente porque situações de assistência e sinistro envolvem momentos sensíveis para os clientes. No atendimento por WhatsApp, a IA já consegue interpretar documentos, identificar informações em imagens, reconhecer placas de veículos e facilitar o preenchimento de dados.
A tecnologia também pode ajudar o cliente a informar sua localização de maneira mais simples. Em vez de descobrir um endereço completo ou CEP, ele pode indicar um ponto de referência e o sistema busca a localização correspondente, sempre solicitando a confirmação antes de prosseguir.
Segundo Haunholter, a ferramenta também permite o envio de áudios. O cliente ou corretor pode reunir diversas informações em uma única mensagem, mesmo sem seguir uma ordem específica, e a inteligência artificial transforma o conteúdo em dados para a abertura da assistência ou do sinistro. “A gente consegue reduzir de 30 para até cinco interações”, explicou.
A jornada também contempla geolocalização, indicação de oficinas referenciadas, agendamento e solicitação de carro reserva. As funcionalidades estão disponíveis em diferentes canais, incluindo WhatsApp, aplicativo e portal do cliente. Para os corretores, parte da jornada já está disponível, enquanto outras funcionalidades seguem em implantação ao longo do ano.
A experiência do cliente também é utilizada pela companhia como fonte de melhoria. Haunholter contou que a Mapfre acompanha as conversas e os retornos dos usuários para aperfeiçoar a ferramenta. Segundo ele, a satisfação registrada na abertura de assistência ou sinistro está próxima de 90%.
Outro ponto abordado foi a preparação para situações de emergência e eventos climáticos extremos. O executivo citou a experiência do Rio Grande do Sul como parte do processo de aperfeiçoamento dos protocolos de crise da companhia. Na ocasião, foram registradas mais de 4 mil assistências, mais de 2 mil sinistros e a mobilização de aproximadamente 340 prestadores.
A segunda palestra do dia foi dedicada ao “O novo momento do seguro de Vida na Mapfre”, com participação de Hilca Vaz, diretora de Vida, Previdência e Capitalização, e Guilherme Bini, diretor Territorial Sul.
Hilca destacou que a estratégia atual da companhia está baseada em três pilares: conexão, evolução e consistência. Segundo ela, a Mapfre ampliou sua presença comercial com a contratação de mais de 30 consultores e passou a atuar em regiões nas quais anteriormente tinha menor presença.
A executiva também ressaltou que os produtos e processos estão sendo desenvolvidos a partir da escuta dos corretores. “O ponto principal é ter o corretor de seguros no centro da nossa operação”, afirmou.
Na apresentação do cenário do mercado, Hilca destacou que o segmento de seguros de pessoas arrecadou aproximadamente R$ 80 bilhões em 2025 e permaneceu pelo sétimo ano consecutivo acima da arrecadação do seguro automóvel. O seguro de vida individual cresceu mais de 14%, enquanto os produtos coletivos avançaram cerca de 10%.
Em 2026, o segmento também vem apresentando um desempenho acima da projeção geral do mercado. Até maio, o seguro de Vida acumulava crescimento de 9,25%, diante de uma estimativa de expansão de 7,4% para o mercado de seguros como um todo.
Apesar desse avanço, Hilca chamou atenção para o baixo nível de proteção da população. Apenas 18% dos brasileiros possuem seguro de Vida e, desse grupo, mais da metade está protegida por apólices coletivas. “Existe uma oportunidade gigantesca no Brasil para a gente crescer esse número”, afirmou.
Para os executivos, o baixo índice está relacionado principalmente à falta de informação e à dificuldade de abordagem do produto. A mudança de percepção após a pandemia foi citada como um fator positivo, já que o tema da proteção financeira passou a ser discutido com mais frequência.
Guilherme Bini reforçou que o corretor pode encontrar oportunidades dentro da própria carteira. Segundo ele, muitos clientes acreditam já estar protegidos porque possuem seguro de Vida coletivo por meio da empresa onde trabalham. Porém, essa proteção pode ser perdida em caso de desligamento.
O executivo também destacou a importância de abordar o seguro de Vida não apenas como uma proteção em caso de morte, mas como uma ferramenta para situações que podem ocorrer durante a vida, como doenças graves e invalidez. “A gente tem que quebrar um pouco esse paradigma de quando vai fazer uma oferta de vida e falar: eu estou te vendendo o seguro”, afirmou.
Nesse contexto, a Mapfre apresentou soluções do seu portfólio, entre elas a assistência “Mapfre Cuidando de Você”, que oferece consultas e exames com preços diferenciados, descontos em medicamentos e serviços de assistência nutricional e psicológica. Bini relatou sua própria experiência com a ferramenta, contando que conseguiu agendar uma consulta médica por R$ 140, diante de um valor de aproximadamente R$ 400 no atendimento particular.
O produto também contempla assistência de medicina de precisão relacionada às doenças graves, com possibilidade de análise genética e direcionamento de tratamentos. A proposta, segundo os executivos, é ampliar a percepção sobre o seguro de Vida e mostrar que a proteção pode ser utilizada enquanto o segurado está vivo.
A companhia também apresentou oportunidades no mercado de pequenas e médias empresas. Bini explicou que a Mapfre está remodelando sua oferta para atender empresas entre duas e 499 vidas, preenchendo uma lacuna entre o produto PME Global e as soluções corporativas destinadas a empresas maiores.
O novo produto está em fase piloto com aproximadamente 40 corretores e foi desenvolvido a partir da participação desses profissionais. “Esse produto foi desenhado a quatro mãos”, explicou Bini, destacando que os corretores contribuíram para a definição da jornada, dos processos e das características da solução.
A ideia é ampliar o piloto para São Paulo e para a região Sul nas próximas semanas. A estratégia, segundo o executivo, é testar a solução em etapas antes de uma expansão nacional. “Primeiro foram 18 corretores, abrimos para 40, queremos fazer um teste de stress, vamos agora para duas territoriais, escuta, está funcionando legal, aí a gente coloca para todos os corretores”, afirmou.
A terceira palestra, “Property e Aeronáutico: estratégias que geram valor”, reuniu Carlos Eduardo Polízio, superintendente Aeronáutico, Casco e Transporte, Mauro Caetano, diretor de Empresas, e Diego Bifoni, diretor Territorial MG, Rio e Centro-Oeste.
Na abertura, Bifoni destacou novamente a proximidade entre áreas técnicas e comerciais e a estratégia de estar mais presente junto aos corretores. Segundo ele, a Mapfre levou cerca de 60 profissionais comerciais ao congresso para reforçar esse relacionamento.
Mauro Caetano apresentou o desempenho da área de Empresas e destacou o crescimento da companhia em segmentos como Property, energia, refinaria, petroquímica, infraestrutura e engenharia. Ele ressaltou ainda a importância de uma estrutura capaz de atender diferentes perfis de risco.
Entre as estratégias está o fortalecimento da atuação no médio mercado, segmento que exige uma combinação entre agilidade e capacidade técnica. A proposta é oferecer uma estrutura que reúna características dos produtos massificados e a expertise necessária para riscos mais complexos.
No segmento aeronáutico, Polízio destacou a posição da Mapfre e a variedade de soluções disponíveis. A companhia atua em diferentes frentes, incluindo aviação executiva, linhas aéreas, aviação agrícola, offshore, helicópteros, drones e aeronaves governamentais.
“Temos uma solução para vocês em praticamente todos os segmentos da aviação”, afirmou o executivo, ressaltando que as principais exceções estão nos seguros para aviação de instrução e aeronaves experimentais.
Os executivos também apontaram oportunidades relacionadas ao crescimento da aviação executiva e agrícola no país. No agronegócio, por exemplo, foram citadas frotas de aeronaves utilizadas para pulverização e combate a incêndios, além do avanço dos drones agrícolas.
Outro destaque foi o gerenciamento de riscos. Polízio explicou que a Mapfre apoia clientes com treinamentos especializados para pilotos, incluindo ações voltadas à prevenção de acidentes e cursos de gerenciamento de recursos de cabine.
A companhia também reforçou os investimentos no Mafre Air, plataforma criada para simplificar a cotação de seguros aeronáuticos. Segundo Polízio, a ferramenta reduziu o tempo de resposta, que anteriormente podia chegar a 20 ou 30 dias, para um prazo que atualmente varia, em geral, entre um e três dias.
A plataforma permite inserir as informações da aeronave e gerar uma cotação que chega à área de subscrição praticamente pronta. Após a aprovação e efetivação, o sistema também automatiza etapas da emissão, incluindo documentação e certificados necessários para a operação.
“Foi um grande exemplo de um sistema inovador” e de como a tecnologia pode contribuir para melhorar a jornada do corretor, destacou Polízio.
Ao final, os executivos reforçaram que a estratégia da Mapfre passa por ampliar a presença regional, aproximar especialistas dos corretores e combinar capacidade técnica, tecnologia e atendimento. A proposta apresentada durante a Sala de Negócios foi de transformar a proximidade com os profissionais em novas oportunidades de negócios e em melhorias concretas na experiência de quem trabalha com a companhia.
Fonte: CQCS








