Os preços dos seguros contratados por empresas na América Latina registraram queda de 9% no segundo trimestre de 2026, superando o recuo médio global de 6% no mesmo período. Os dados fazem parte de relatório da Marsh Brasil e foram divulgados pelo Valor Econômico.
Segundo o levantamento, Brasil e Chile apresentaram as quedas mais acentuadas da região, movimento influenciado principalmente pela redução dos preços nas linhas de seguros patrimoniais e cibernéticos.
De acordo com Silvana Speranza, diretora executiva de Placement da Marsh Risk, o mercado brasileiro atravessou um segundo trimestre marcado por forte concorrência entre as companhias, ampla disponibilidade de capacidade e maior apetite para a aceitação de riscos.
“Essa disputa acirrada por market share resultou em flexibilização comercial, com reduções consistentes de taxas e melhores condições em diversas renovações e programas. Além disso, as negociações bem-sucedidas de resseguro e a chegada de novas companhias ampliaram a liquidez e intensificaram a concorrência entre os players”, afirmou a executiva, em nota divulgada no relatório.
A expectativa, segundo Speranza, é de continuidade desse ambiente competitivo, com pressão sobre as taxas e maior seletividade em operações com deterioração de perfil de risco ou falhas de engenharia.
Apesar do cenário de maior liquidez e condições comerciais mais favoráveis, os riscos climáticos permanecem no radar. A aproximação do El Niño, segundo a executiva, aumenta a preocupação com eventos extremos, como inundações, enchentes, incêndios e secas.
“Torna-se essencial que as empresas revisem limites e exposições a riscos catastróficos, adotando medidas efetivas de prevenção e mitigação de perdas para proteger seus negócios”, ponderou.
O movimento de redução dos preços não ficou restrito à América Latina. Conforme os dados do relatório da Marsh Brasil, a região formada por Índia, Oriente Médio e África registrou a maior queda, de 16%, seguida pelo Pacífico, com recuo de 13%.
No Reino Unido, os preços caíram 8%, enquanto o Canadá registrou redução de 7%. Na Europa, o recuo foi de 6%, e na Ásia, de 5%.
Nos Estados Unidos, a tarifa composta geral caiu 2% no segundo trimestre, depois de ter registrado redução de 1% nos primeiros três meses de 2026.
Os números mostram um cenário de maior competição entre seguradoras em diferentes mercados, o que pode abrir espaço para negociações mais favoráveis aos clientes. Ao mesmo tempo, o avanço dos riscos climáticos reforça a necessidade de atenção à adequação das coberturas e dos limites contratados.
Fonte: CQCS








