Seguros automotivos e desastres naturais: entenda como as coberturas protegem contra danos causados por fatores climáticos

Quando o seguro automotivo cobre danos provocados por catástrofes naturais, quais situações podem excluir a indenização e como as mudanças climáticas impulsionam a evolução das coberturas?

 

A frequência de fenômenos naturais pode afetar o setor de seguros e cenário demanda adaptação

As mudanças climáticas têm alterado o cenário de riscos enfrentado por diversos segmentos macroeconômicos ao redor do mundo. Tempestades, enchentes, vendavais e outros eventos extremos estão se expandindo cada vez mais em algumas regiões do Brasil. À medida que os impactos das mudanças climáticas se tornam mais evidentes, cabe entender como os seguros automotivos podem atuar na proteção patrimonial dos motoristas. Nesse contexto, compreender quais eventos da natureza são contemplados pelo contrato, conhecer as situações que podem resultar na perda da cobertura e adotar medidas preventivas são elementos importantes para evitar prejuízos financeiros. Paralelamente, seguradoras podem fazer uso de tecnologias, análise de dados e modelos preditivos para aprimorar a avaliação dos riscos climáticos, tornar a precificação mais precisa e desenvolver soluções próprias para as novas demandas impostas pelas mudanças no clima.  aderentes à nova realidade ambiental. 

El Niño e seus efeitos provocam vendaval no Rio e em São Paulo 

Na última terça-feira (29), o incidente que provocou ventos intensos em São Paulo e no Rio de Janeiro faz parte do mesmo sistema meteorológico que provocou tempestades no Rio Grande do Sul nos dias anteriores. Segundo os meteorologistas, o fenômeno é conhecido como frente de rajada (gust front), caracterizado pelo avanço de uma massa de ar associada às tempestades que potencializa a intensidade dos ventos. Embora seja incomum durante o inverno, sua ocorrência tem sido relacionada aos efeitos do El Niño sobre o clima da América do Sul. De acordo com Marcelo Seluchi, coordenador de Operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño contribui para a formação da frente fria estacionária responsável pelas chuvas fortes registradas no Rio Grande do Sul, favorecendo a ocorrência de eventos meteorológicos mais severos – o que, além de  aumentar os riscos de danos a veículos e patrimônios segurados, também pode provocar estragos fatais, deixando vítimas e feridos.

Coberturas exigem atenção às condições previstas na apólice

Os danos provocados por enchentes, alagamentos, granizo, queda de árvores, raios e outros fenômenos da natureza podem estar contemplados nas apólices de seguro em modalidades que oferecem uma proteção mais abrangente ao veículo. Dependendo do contrato, a cobertura pode incluir desde prejuízos parciais até casos de perda total decorrentes de eventos climáticos extremos. No entanto, essa proteção não é padronizada em todo o mercado. A abrangência das coberturas varia conforme a seguradora e o produto contratado, podendo haver exclusões ou limitações específicas. Além disso, situações caracterizadas como agravamento intencional do risco — como trafegar por áreas alagadas desconsiderando alertas de segurança, quando isso puder ser comprovado — podem resultar na negativa da indenização, conforme as condições da apólice. Por isso, é preciso esclarecer aos segurados o contrato, com o apoio do corretor, para garantir que a cobertura esteja adequada ao perfil de risco e à região onde o veículo circula.

Mudanças climáticas aceleram a evolução da gestão de riscos

O aumento da frequência dos desastres naturais também está transformando a forma como as seguradoras avaliam e precificam riscos. Recursos baseados em inteligência artificial, big data, georreferenciamento e modelagem climática permitem identificar regiões mais suscetíveis a enchentes, granizo e tempestades severas, tornando a subscrição mais precisa e contribuindo para decisões mais assertivas na precificação das apólices. Além da análise preditiva, é preciso considerar a utilização de sistemas capazes de enviar alertas meteorológicos em tempo real aos segurados, incentivando medidas preventivas, como a retirada do veículo de áreas de risco antes da chegada das chuvas intensas. Essa combinação entre prevenção e tecnologia reduz a frequência dos sinistros, melhora a experiência do cliente e aumenta a eficiência operacional das seguradoras.

Susep avança na construção de uma política de proteção contra desastres climáticos

O aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos também impulsiona mudanças regulatórias no mercado segurador. Tendo em vista esse cenário, a Susep vem trabalhando na elaboração de propostas de política nacional de resiliência financeira voltada à mitigação dos impactos econômicos causados por catástrofes naturais. Iniciativas debatidas por representantes do setor buscam estruturar mecanismos de proteção financeira para ampliar a capacidade de resposta do país diante de enchentes, tempestades, deslizamentos e outros eventos extremos. Além da criação de instrumentos financeiros voltados ao seguro de catástrofes, a autarquia também pretende ampliar o debate sobre infraestrutura resiliente. A expectativa é que novos grupos de trabalho discutam estratégias para apoiar a reconstrução de áreas afetadas e fortalecer a capacidade do país de enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Para a Susep, trata-se de uma agenda estrutural que extrapola governos e envolve seguradoras, resseguradoras, corretores, poder público e sociedade na construção de um sistema mais preparado para lidar com os riscos climáticos do futuro.

Resiliência climática passa a integrar a estratégia do setor

A incidência imprevisível de enchentes, tempestades, vendavais e outros eventos extremos demonstra que os impactos das mudanças climáticas deixaram de ser um risco pontual e se tornaram um fator estrutural na gestão do seguro automotivo. Diante disso, seguradoras, lideranças do setor e órgãos reguladores são desafiados a repensar continuamente suas estratégias e desenvolvimento de produtos, incorporando variáveis climáticas às decisões de negócio e à gestão dos riscos. O uso de ferramentas preditivas tende a tornar a avaliação dos riscos mais precisa e a atuação consultiva dos corretores será cada vez mais importante para orientar os consumidores sobre as características das apólices e a adequação das coberturas ao perfil de cada motorista e à realidade climática. Ao mesmo tempo, iniciativas regulatórias, como as discussões conduzidas pela Susep sobre mecanismos de proteção contra catástrofes naturais, sinalizam que a adaptação às mudanças climáticas também passa pela construção de um ambiente segurador mais resiliente e preparado para responder a eventos de grande magnitude. Por isso, a evolução do seguro automotivo está atrelada ao fortalecimento da cultura de gestão de riscos, aumento da proteção patrimonial dos segurados e consolidação do papel preventivo e compensatório do setor na mitigação dos impactos econômicos e sociais provocados pelos desastres naturais.

 Fonte: Insurtalks