Recentemente, corretores de seguros passaram a relatar tentativas de fraude realizadas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagem. Os casos envolvem abordagens via WhatsApp, Instagram e LinkedIn, em que criminosos entram em contato solicitando o uso da documentação profissional para realizar vendas de seguros. A estratégia costuma vir acompanhada da figura do chamado preposto: o fraudador afirma ter carteira de clientes e produção pronta, mas diz precisar de um corretor para operar. Com esse discurso, tenta convencer o profissional a fornecer seu código da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) ou permitir o uso de seu cadastro para emissão de apólices.
Embora a atuação de prepostos seja uma prática existente no mercado de seguros, ela exige validação, formalização e controle por parte do corretor. Sem esses cuidados, a relação pode abrir espaço para o uso indevido de dados profissionais e para a aplicação de golpes.
Uma das modalidades dessa fraude quase aconteceu dentro do grupo de WhatsApp “Bom Dia Seguro”, do CQCS. Segundo os relatos, os criminosos utilizaram o ambiente para localizar profissionais, abordá-los de forma privativa e tentar obter acesso aos seus dados com o objetivo de emitir apólices de seguros. Em um dos casos, as propostas envolviam automóveis de alto valor. Alguns corretores desconfiaram da abordagem e denunciaram o caso à equipe do CQCS.
Esse tipo de fraude não atinge apenas o corretor individualmente. Trata-se de um crime contra o sistema de seguros como um todo. Ao compartilhar seu código da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), o profissional pode acabar sendo considerado conivente com a operação, já que a emissão da apólice fica vinculada ao seu registro.
Em um dos casos relatados, os criminosos conseguiram convencer um corretor a disponibilizar seu cadastro e tentaram emitir apólices por meio da Porto Seguro. No entanto, o sistema antifraude da companhia identificou movimentações incompatíveis com o padrão das operações, impedindo que a fraude fosse concluída.
A companhia detectou um volume incomum de cotações envolvendo veículos de alto valor, além de inconsistências nos dados informados, como CPFs (Cadastros de Pessoas Físicas) inválidos, informações cadastrais incompatíveis e padrões repetitivos nas propostas. Diante desses indícios, a Porto entrou em contato com o corretor vinculado ao cadastro para validar as operações. Confirmada a tentativa de fraude, as cotações foram bloqueadas antes da emissão das apólices, evitando prejuízos e alertando o profissional sobre o uso indevido de seu registro.
O vice-presidente Comercial e Marketing da Porto, Luiz Arruda, destaca que a companhia mantém processos de proteção para identificar esse tipo de ocorrência e reforça a importância da atuação ética dos profissionais. “A Porto segue, rigorosamente, todas as regras estabelecidas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) e conta, sim, com sistemas antifraude em todos os nossos processos. Trabalhamos para proteger os corretores, preservar a idoneidade da categoria e contribuir para o crescimento sustentável do mercado.”
Segundo Arruda, o fortalecimento do papel do corretor também passa pela proteção contra práticas irregulares. “A relevância do corretor de seguros para a proteção dos brasileiros faz parte da nossa missão. É muito importante poder contribuir para esse fortalecimento, mas também é preocupante saber que casos como esse ainda acontecem.”
O caso reforça a importância dos mecanismos de monitoramento e validação dentro do mercado de seguros, além de servir como alerta direto aos corretores: qualquer solicitação de uso de dados, especialmente quando acompanhada de pressa, promessas de produção imediata ou propostas fora do padrão, deve ser tratada com cautela.
Para o fundador do CQCS, Gustavo Doria Filho, o episódio mostra que o corretor precisa manter atenção permanente sobre o uso de sua identidade profissional. “O corretor não pode se iludir com caminhos fáceis. A jornada do corretor é lastreada em muito esforço e qualificação para poder proteger bem as missões e conquistas dos brasileiros.”
Segundo Doria, propostas sem origem clara podem colocar em risco a reputação e a atuação do profissional. “Esse tipo de iniciativa só pega corretores que acreditam na possibilidade de angariar clientes sem ter nenhuma referência. Isso não é condizente com a função do corretor profissional de seguros.”
O fundador do CQCS reforça que qualquer operação realizada em nome do corretor exige responsabilidade e cuidado. “O corretor tem que estar sempre atento a toda e qualquer disposição da sua marca. Uma operação mal feita pode resultar em uma ação de responsabilidade civil abrindo a possibilidade de cassação da sua habilitação profissional”
Fonte: CQCS








