Proteção ainda é exceção para carros e casas no Brasil

Levantamento da CNseg mostra que apenas 29% dos automóveis e 17% das residências brasileiras possuem seguro e aponta caminhos para ampliar o acesso à proteção financeira

Apenas 29% dos automóveis em circulação e cerca de 17% das residências brasileiras possuem seguro. Os dados fazem parte de levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) que traça o perfil do consumidor pessoa física e dimensiona a lacuna de proteção patrimonial no país.

O estudo mostra que a maior parte dos carros e das casas permanece exposta aos impactos financeiros de roubos, colisões, incêndios, danos elétricos, eventos climáticos e outras ocorrências. Ao mesmo tempo, revela espaço para ampliar a inclusão securitária entre diferentes faixas de renda e regiões.

Como os índices de cobertura foram calculados?

Os percentuais nacionais foram obtidos por meio do cruzamento de informações do mercado segurador com bases externas. No Seguro Automóvel, a CNseg comparou aproximadamente 18,4 milhões de automóveis segurados com uma frota de 63,3 milhões de automóveis registrada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

O resultado indica que menos de um em cada três automóveis possui seguro. Outros 44,9 milhões circulam sem essa proteção. O cálculo considera especificamente automóveis e não inclui motocicletas, caminhões ou outras categorias.

No Seguro Residencial, a estimativa de 17% foi construída com informações da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e dados sobre os domicílios brasileiros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já os indicadores sobre idade, renda, gênero e distribuição regional dos consumidores foram elaborados pela Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg com informações fornecidas por empresas que representam aproximadamente 56% do mercado analisado. Na divulgação específica sobre Seguro Automóvel, esse alcance foi arredondado para cerca de 60%.

A distinção metodológica é importante: as taxas de cobertura de automóveis e residências são estimativas nacionais, enquanto os dados de perfil se referem à base das empresas participantes. As informações integram o levantamento divulgado no Notícias do Seguro.

Quem contrata Seguro Automóvel no Brasil?

A classe C lidera a contratação do Seguro Automóvel e representa 41% dos clientes da base analisada. Em seguida aparecem as classes B, com 24%, e D, com 23%.

A participação da classe C mostra que a proteção não está restrita aos proprietários de automóveis de alto valor. Entre os bens segurados, 46% valem até R$ 70 mil e 27% estão avaliados entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.

A maior parte dos consumidores está em faixas etárias associadas à atividade econômica e à consolidação patrimonial: 29% têm entre 36 e 45 anos e 26% estão entre 46 e 55 anos.

Na distribuição regional, o Sudeste concentra 53% dos segurados, seguido pelo Sul, com 16%, e pelo Centro-Oeste, com 15%. Os números refletem diferenças de renda, urbanização, tamanho da frota e acesso aos canais de distribuição.

O que significa ter 71% dos automóveis sem seguro?

Para milhões de famílias, o automóvel é mais do que um bem de consumo. Ele pode ser utilizado para o trabalho, para o deslocamento da família e para o acesso a serviços essenciais.

Sem seguro, o proprietário precisa assumir integralmente os custos de reparação ou reposição diante de uma colisão, um roubo, uma enchente ou uma perda total. Dependendo da gravidade, o prejuízo pode consumir a reserva financeira, levar à contratação de crédito ou interromper uma fonte de renda.

O Seguro Automóvel pode reunir coberturas para colisão, incêndio, roubo e furto, além de responsabilidade civil por danos causados a terceiros e serviços de assistência. As proteções dependem das condições contratadas.

Quem possui Seguro Residencial?

O perfil do consumidor de Seguro Residencial é mais maduro. Entre os segurados da base pesquisada, 24% têm entre 56 e 65 anos e 17% possuem mais de 65 anos.

A classe C também é o principal grupo nesse segmento, com 31% dos clientes. As classes D e B aparecem em seguida, com 27% e 21%, respectivamente.

O Sudeste concentra 56% das contratações, seguido pelo Sul, com 15%, Nordeste, com 13%, Centro-Oeste, com 11%, e Norte, com 5%.

A presença das classes C e D reforça que o Seguro Residencial não é uma proteção destinada apenas a imóveis de alto padrão. Ainda assim, cerca de cinco em cada seis moradias brasileiras permanecem fora da cobertura.

Como o Seguro Residencial protege o patrimônio?

O Seguro Residencial oferece cobertura básica para riscos como incêndio, queda de raio dentro do terreno segurado e explosão. De acordo com a contratação, também pode incluir proteção contra danos elétricos, roubo ou furto qualificado, vendaval e responsabilidade civil, além de serviços de assistência.

As coberturas, os limites de indenização, as franquias e os serviços variam de acordo com cada apólice. Por isso, a contratação deve considerar as características do imóvel, os riscos da região e a capacidade financeira da família para enfrentar um prejuízo.

Quando uma residência sem seguro é atingida por um evento grave, os custos de reparação ou reconstrução recaem diretamente sobre o proprietário ou o morador. Em situações de maior impacto, a recuperação pode exigir endividamento, venda de outros bens ou apoio do poder público.

O que é a lacuna de proteção?

A lacuna de proteção é a diferença entre os prejuízos econômicos aos quais pessoas, empresas e governos estão expostos e a parcela dessas perdas que conta com cobertura de seguros ou outros mecanismos financeiros.

No caso das famílias brasileiras, essa diferença aparece de forma concreta nos baixos índices de proteção de automóveis e residências. A falta do seguro não elimina o prejuízo: determina apenas quem terá de absorver seus custos.

O cenário representa uma vulnerabilidade patrimonial, mas também evidencia o potencial de crescimento do setor e a oportunidade de aproximar o seguro de públicos que ainda não se sentem atendidos.

Por que a classe C é estratégica para a expansão do seguro?

A classe C é o maior grupo de consumidores nos seguros Automóvel e Residencial analisados. São famílias que já possuem patrimônio, mas podem encontrar maior dificuldade para absorver uma perda elevada sem comprometer o orçamento.

Para esse público, preço, clareza das informações, flexibilidade e relevância das coberturas são fatores importantes para a decisão de compra. A ampliação da proteção também passa pela diversificação dos canais de distribuição, pelo uso de meios digitais e por iniciativas de educação financeira e securitária.

O desafio é ampliar continuamente a oferta de produtos simples, acessíveis e adequados a diferentes necessidades e capacidades financeiras.

Como escolher uma proteção adequada?

O preço é um dos fatores considerados na contratação, mas não deve ser o único. O consumidor precisa avaliar os riscos cobertos, as exclusões, os limites de indenização, as franquias e os serviços oferecidos.

No Seguro Automóvel, o valor da apólice varia conforme características como modelo e ano do automóvel, perfil dos condutores, região de circulação e coberturas escolhidas.

No Seguro Residencial, entram no cálculo a localização, o tipo de construção, a utilização do imóvel e os valores definidos para cada cobertura. A orientação de um corretor de seguros pode ajudar na comparação dos produtos e na identificação das necessidades de proteção.

O que os dados revelam sobre o futuro do setor?

O levantamento mostra que conhecer o consumidor é uma etapa central para reduzir a lacuna de proteção. A expansão não depende apenas do crescimento da arrecadação, mas da capacidade de alcançar famílias, faixas de renda e regiões ainda pouco atendidas.

Os dados também reforçam a importância de desenvolver produtos aderentes aos riscos de cada público, tornar a jornada de contratação mais simples e explicar com clareza o funcionamento do seguro.

Em um país onde menos de um terço dos automóveis e aproximadamente uma em cada seis residências possuem cobertura, ampliar o acesso ao seguro significa fortalecer a capacidade de recuperação das famílias diante de imprevistos.

Perguntas frequentes

O percentual de 29% inclui motocicletas e caminhões?

O percentual de 29% se refere exclusivamente aos automóveis. O cálculo compara aproximadamente 18,4 milhões de automóveis segurados com uma frota de 63,3 milhões. Motocicletas, caminhões e outras categorias não fazem parte desse universo.

Seguro Residencial é obrigatório?

Em geral, não. O Seguro Residencial contratado pelo morador é facultativo e não deve ser confundido com o Seguro Habitacional, normalmente vinculado aos contratos de financiamento imobiliário.

O seguro cobre qualquer prejuízo?

Não. A indenização depende das coberturas, dos limites, das franquias, dos riscos excluídos e das demais condições previstas na apólice.

Quem mora de aluguel pode contratar Seguro Residencial?

Sim. O inquilino pode contratar coberturas para proteger os bens mantidos no imóvel e outras responsabilidades previstas no produto. Proprietário e morador devem avaliar quais interesses precisam ser protegidos.

 

Fonte: Notícia do seguro