Explosão de moto elétrica em residência: o seguro cobre os danos?

O incêndio do dia 31 de maio, provocado pela explosão da bateria de uma moto elétrica em Paulínia (SP), que deixou três pessoas feridas e destruiu parte de uma residência, reacendeu as discussões sobre os riscos associados aos veículos elétricos de pequeno porte e os desafios que esses equipamentos trazem para o mercado de seguros. Com o aumento da circulação de motos, bicicletas e patinetes elétricos, cresce também a preocupação com acidentes envolvendo baterias de íon-lítio, principalmente durante o carregamento e armazenamento em residências.

De acordo com Carlos Valle, presidente do Sincor-PE, a análise da cobertura securitária em casos como esse depende de algumas circunstâncias específicas, principalmente da situação em que o veículo se encontrava no momento do sinistro. “É necessário verificar alguns pontos: se a moto estava plugada sendo carregada ou se estava apenas estacionada, se há seguradora que dá cobertura se ela estiver ligada pelo seguro do condomínio. Se não estiver plugada, tem que ser o seguro dela [da moto], porque o proprietário da motocicleta é quem será responsabilizado”, explica.

Segundo ele, além dos prejuízos materiais, o proprietário pode responder tanto na esfera civil quanto na criminal, dependendo das circunstâncias do acidente. “É muito sério isso, porque ele pode ser responsabilizado civil e criminalmente”, alerta.

A discussão também envolve possíveis falhas de fabricação das baterias ou dos equipamentos. Nesses casos, a responsabilização costuma gerar disputas judiciais, especialmente devido aos elevados valores envolvidos.

“Quando há suspeita de falha na bateria, é preciso verificar se a moto estava ou não na garantia. Acredito que o proprietário sempre será o responsável inicialmente e, se entender que houve defeito de fabricação, poderá acionar o fabricante e incluí-lo na ação. Mas, em primeiro lugar, o responsável é ele”, afirma.

O avanço da frota de veículos elétricos também exige atenção na contratação dos seguros. Para o especialista, a cobertura para danos causados a terceiros torna-se cada vez mais relevante diante do potencial de prejuízos que acidentes desse tipo podem gerar.

“Quando se contrata um seguro veicular, é preciso pensar nas verbas destinadas a terceiros, especialmente para danos materiais, corporais e morais. Isso é definido antes da contratação. Se não houver cobertura para essas situações, a seguradora não tem como atuar”, explica.

Valle ressalta que a contratação adequada permite a transferência da responsabilidade civil para a seguradora, mas não afasta eventuais responsabilidades criminais. “Se tiver essas verbas contratadas, é possível transferir a responsabilidade civil. A criminal, não. Ela é sempre pessoal”, destaca.

Nesse cenário, o papel do corretor de seguros ganha ainda mais importância. Segundo o especialista, cabe ao profissional orientar o cliente sobre os riscos específicos dos veículos elétricos e indicar as coberturas mais adequadas para cada perfil.

“Cada vez mais vemos a importância de contratar qualquer coisa com um profissional qualificado. Se o corretor conhece esses riscos, ele pode alertar o proprietário sobre os problemas que podem surgir e ajudá-lo a decidir o que contratar”, afirma.

Para Valle muitos consumidores acabam contratando seguros sem o suporte especializado e deixam de incluir coberturas importantes por desconhecimento.

“Muitas pessoas têm o hábito de achar que sabem tudo, mas não tiveram aquela experiência. Às vezes, deixam de contratar uma cobertura importante ou contratam algo que não é necessário para a sua realidade. Por isso, o corretor também precisa ter consciência da responsabilidade que assume ao orientar uma contratação”, conclui.

Fonte: CQCS