Setor de seguros mantém trajetória de expansão com destaque para o segmento de saúde

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) realizou, na última quarta-feira (15), uma coletiva de imprensa para apresentar a revisão das projeções para o setor de seguros em 2026. Durante o encontro, a entidade compartilhou informações em relação ao impacto do mercado no Produto Interno Bruto (PIB) e detalhou dados sobre diversos segmentos do setor, evidenciando o crescimento da indústria.

 

Nesta projeção, a CNseg estimou que o mercado de seguros, sem o segmento de saúde suplementar, deve crescer 2,9%, com destaque para expansão do ramo de danos e responsabilidades (7,4%), seguros de pessoas (7,4%) e capitalização (6,3%). Considerando o ramo de saúde, o mercado apresenta um número ainda melhor.

 

“Ao incluir o segmento de saúde, cuja projeção de crescimento é de 9%, o desempenho total do setor sobe para 5,7%. Trata-se de um cenário ainda positivo, com expansão acima da inflação. Na revisão mais recente, houve melhora nas projeções de saúde, que passaram de cerca de 7,6% para 9%”, detalha. “Em síntese, o cenário permanece positivo para o setor, com exceção da previdência”, completa Dyogo Oliveira, presidente da CNseg durante coletiva.

 

O representante da Confederação destacou que a evolução do conflito no Oriente Médio pode afetar essas projeções, principalmente no que diz respeito à inflação. Para ele, o aumento no preço do petróleo tende a elevar a inflação, pressionar os juros e desacelerar o PIB, impactando na demanda por seguros.

 

Em virtude do problema do IOF, a CNseg estima que a participação do setor no PIB seja menor durante todo o cenário pós-pandemia, cerca de 5,8%.

 

“Com essa redução na previdência, a gente vê que não será mais possível atingir esse patamar, mesmo que tenhamos sucesso em outras iniciativas, como já estamos trabalhando: expansão do seguro rural, expansão da saúde, outras propostas em catástrofe, seguros para infraestrutura, para o setor público e assim por diante”, explicou. “A gente certamente vai fazer uma revisão disso e recalcular quais são as ações que podemos tomar para compensar essa perda em relação à previdência também”, acrescentou o executivo.

 

Durante a coletiva de imprensa, Dyogo Oliveira também detalhou a projeção de arrecadação para o grupamento de Danos e Responsabilidades, que arrecadou R$ 144,54 bilhões em 2025.

 

Dentro dessa categoria, o segmento de Automóveis projeta uma alta de 7,1%, enquanto o setor Patrimonial apresenta um crescimento de 9,8%. Este último é impulsionado por subsegmentos como Grandes Riscos (13,9%) e Massificados (11%), apesar da queda acentuada prevista em Risco de Engenharia (-6,4%). O seguro Habitacional destaca-se com uma projeção robusta de 12,8%, e o

 

setor de Transportes estima um avanço de 8,1%, com destaque para o Transportador (8,3%) e o Embarcador Nacional (8,9%).

 

No âmbito dos Riscos Financeiros, a projeção de crescimento é de 9,5%, influenciada fortemente pela Fiança Locatícia (14,7%) e pelo Seguro de Crédito (13,7%). Outras modalidades também apresentam expectativas positivas, como Garantia Estendida (9,7%) e Responsabilidade Civil (4,5%). O maior crescimento percentual individual da lista fica com Marítimos e Aeronáuticos, com 14%. Em contrapartida, a CNseg estima retração de 3,9% no setor Rural.

 

Quanto ao Seguro Rural, Dyogo Oliveira justifica a retração devido à liberação de recursos pelo governo. “No ano passado, o governo liberou apenas cerca de R$ 500 milhões do orçamento destinado ao seguro rural. Evidentemente, isso reduziu a contratação de seguros”, apontou. “Para 2026, ainda não temos segurança quanto aos valores que serão efetivamente liberados pelo governo. Por isso, estamos estimando novamente uma redução”, finalizou o executivo.

 

Fonte: CQCS