Curto-circuito em hospital acende alerta para riscos elétricos e importância do seguro nas unidades de saúde

Um princípio de incêndio registrado, na manhã do dia 26 de março, no Hospital da Ordem Terceira, em Belém, após um possível curto-circuito na sala do gerador, acendeu um debate acerca dos riscos operacionais em unidades de saúde e o papel estratégico dos seguros nesse tipo de situação. Apesar do susto e da grande quantidade de fumaça, não houve feridos, mas o episódio levanta questionamentos importantes sobre coberturas, responsabilidade e continuidade das operações.

 

Casos como esse evidenciam que, mesmo sem vítimas, os impactos podem ser significativos. Danos estruturais, equipamentos comprometidos e até a paralisação temporária das atividades são riscos reais e é justamente nesse ponto que entram coberturas como incêndio, danos elétricos, lucros cessantes e responsabilidade civil.

 

Na prática, um evento originado por curto-circuito pode acionar diferentes frentes do seguro. A cobertura de danos materiais tende a ser a primeira a responder, contemplando prejuízos físicos à estrutura e aos equipamentos. Já a cobertura de danos elétricos pode ser acionada especificamente para falhas em sistemas e aparelhos afetados pela oscilação ou pane.

 

Outro ponto sensível é a interrupção das atividades. Dependendo da apólice contratada, o seguro também pode cobrir lucros cessantes, garantindo suporte financeiro durante o período em que o hospital ou clínica não puder operar normalmente.

 

Além disso, há o aspecto da responsabilidade. Em situações como essa, a apuração pode envolver diferentes agentes, desde o próprio hospital até fornecedores de equipamentos ou concessionárias de energia, o que reforça a importância de coberturas de responsabilidade civil bem estruturadas.

 

Para Sérgio Ricardo, sócio e consultor de treinamento na Gravitas AP, o tema vai muito além da contratação de apólices. “Em um ambiente tão complexo, sensível e intensivo em recursos como o hospitalar, o gerenciamento de riscos deixa de ser uma prática acessória para se tornar um elemento estruturante da própria sustentabilidade institucional”, afirma.

 

Segundo ele, hospitais estão expostos a múltiplos riscos operacionais, tecnológicos, financeiros e reputacionais, que podem gerar desde eventos adversos até perdas financeiras expressivas. “Gerir riscos de forma sistemática significa antecipar vulnerabilidades, reduzir incertezas e criar condições para decisões mais seguras”, destaca.

 

O especialista reforça que, mesmo com controles robustos, nem todos os riscos podem ser eliminados. “É nesse ponto que o seguro funciona como uma camada adicional de proteção, garantindo que eventos adversos não comprometam a saúde financeira da instituição”, explica.

 

Na avaliação de Sérgio Ricardo, o grande desafio está na contratação adequada. Muitas vezes, hospitais e clínicas apresentam lacunas de cobertura ou contratam proteções desalinhadas com seu perfil de risco. Por isso, o papel do corretor de seguros se torna ainda mais relevante, atuando como consultor estratégico na identificação de exposições e na estruturação de soluções completas.

 

Outro fator crítico é o impacto reputacional. Em um setor onde a confiança é essencial, a forma como a instituição responde a incidentes pode ser determinante para sua credibilidade. Nesse contexto, o suporte financeiro e jurídico proporcionado por seguros também contribui para uma resposta mais eficiente e organizada.

 

O episódio em Belém reforça uma lição importante para o mercado: mais do que uma exigência operacional, o seguro deve ser visto como parte da estratégia de gestão de riscos das instituições de saúde. Para os corretores, abre-se uma oportunidade clara de orientação e atuação consultiva junto a hospitais e clínicas, ajudando a transformar a proteção em continuidade de negócios.

 

Fonte: CQCS