Bradesco Seguros articula mapeamento de riscos e diálogo com corretores para ampliar a proteção

A ampliação da proteção securitária no Brasil passa por duas frentes que se cruzam: a produção de dados sobre riscos e a escuta sistemática de quem está na ponta da distribuição. Na sexta edição do ConsegNNE, essas duas dimensões apareceram de forma recorrente nas falas de executivos que acompanham a evolução dos produtos voltados a eventos climáticos. As entrevistas realizadas durante o evento indicam um movimento de ajuste gradual, sustentado por informações mais precisas sobre exposição a riscos e pelo retorno direto dos corretores sobre as demandas locais. O tema esteve presente em diferentes momentos da programação e contou com a participação de executivos de diversas companhias. Entre eles, estiveram representantes da Bradesco Seguros, como Ney Ferraz Dias, diretor presidente da Bradesco Auto/RE, e Paulo Cesar Souza Martins, superintendente sênior de negócios.

 

Proteção insuficiente e avanço no uso de dados

 

Ao abordar a diferença de cobertura entre o Brasil e outros países, Ney Dias aponta uma lacuna recorrente. “Bom, a gente teve a oportunidade de falar desse gap de proteção que a gente tem no nosso país comparado com outros países”. Segundo ele, eventos semelhantes apresentam níveis distintos de cobertura, o que expõe a necessidade de ampliar o alcance dos seguros.

 

O executivo associa esse avanço à produção de conhecimento estruturado sobre riscos. Ele menciona um trabalho conduzido pela CNseg em conjunto com a FenSeg e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), voltado ao mapeamento geográfico de exposições. “Foi feito um mapeamento dos riscos junto com a UFMG, por latitude e longitude, para você ter em cada região do país a medição do risco de alagamento”.

 

A partir dessa base, a tendência é ampliar a variedade de coberturas. Ney observa que o número de seguradoras que oferecem proteção contra alagamentos já aumentou. “Antes só quatro seguradoras davam cobertura de alagamento, agora a gente já tem mais de dez companhias dando cobertura”. Para ele, esse avanço depende diretamente da qualidade das informações disponíveis. “O conhecimento é importante para você ter uma sustentabilidade nessa cobertura”.

 

Evento como espaço de troca e ajuste contínuo

 

O ConsegNNE aparece, nas duas entrevistas, como um ambiente voltado à circulação de informações entre seguradoras e corretores. Ney destaca o papel do encontro nesse processo. “Esse evento aqui é fundamental para a gente trocar informações, trocar conhecimento, receber provocações dos nossos corretores”.

 

Essa dinâmica, segundo ele, contribui para ampliar o alcance da proteção. A partir dessas interações, a expectativa é avançar na cobertura de pessoas, famílias e negócios, reduzindo a exposição a eventos adversos e fortalecendo a capacidade de resposta diante de ocorrências climáticas.

 

Escuta dos corretores como base para ajustes

 

Na mesma linha, Paulo Cesar Souza Martins enfatiza o contato direto com os profissionais que atuam na distribuição. Ele contextualiza o porte do evento: “Mais de 3 mil corretores se conectando com a companhia, aproveitando o nosso estande, falando com os nossos superintendentes”.

 

Para o executivo, o principal aprendizado está na escuta ativa. “Conseguir capturar dos corretores suas necessidades, seus anseios, suas oportunidades e obviamente isso, levar para dentro de casa e gerar um trabalho de avaliação, de ajustes de produtos, serviços e oportunidades é o grande gol que nós temos em um evento como esse”. A partir desse retorno, as seguradoras conseguem encurtar o tempo de adaptação de suas ofertas.

 

Ele também menciona iniciativas práticas realizadas durante o evento, como espaços para apresentação de ideias por parte dos corretores. Nessas atividades, propostas são compartilhadas e disseminadas entre profissionais da região, criando um fluxo de troca que se retroalimenta.

 

Riscos climáticos e demanda por proteção

 

O aumento da frequência de eventos climáticos aparece frequentemente nas discussões. Paulo Cesar observa que fenômenos antes menos recorrentes passam a ganhar presença em diferentes regiões. “As intempéries climáticas estão acontecendo pelo mundo todo e não é diferente em regiões que na linha do tempo tinham menos intempéries”.Ele cita exemplos recentes no Nordeste, com registros de chuvas intensas, alagamentos e vendavais. Nesse contexto, produtos de ramos elementares assumem papel relevante na organização financeira de famílias e empresas. “A proteção através desse tipo de seguro, repito, residencial, empresarial e afins, protege a sociedade local”.

 

Ao mesmo tempo, esse movimento amplia o espaço de atuação dos corretores, que passam a lidar com uma demanda mais concreta por proteção diante de eventos que afetam diretamente o cotidiano.

 

Ajustes de cobertura entre modelagem de risco e leitura do mercado

 

As duas falas convergem para um ponto comum: a evolução do seguro patrimonial depende tanto de informação estruturada quanto da experiência prática dos corretores. O mapeamento de riscos contribui para calibrar coberturas, enquanto a escuta do mercado orienta ajustes mais aderentes às necessidades locais.

 

Esse encontro entre análise técnica e percepção de campo tende a orientar os próximos passos do setor, sobretudo em um contexto marcado pela maior incidência de eventos climáticos e pela busca por soluções que acompanhem essa transformação.

 

Fonte: INSURTALKS

O papel e as funcionalidades do seguro na proteção patrimonial

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https://youtu.be/pgzI8BJbxOI   Em entrevista ao Conexão Sociedade, da Rádio Sociedade da Bahia, Paulo Cesar Martins explica como funcionam os seguros residencial e empresarial, abordando coberturas, ressarcimento e o cenário atual do mercado na Bahia.