Inteligência artificial e seus desafios marcam plenária do segundo dia do 6º CONSEGNNE

No último sábado (14), a plenária principal do segundo dia do 6º Congresso dos Corretores de Seguros do Norte e do Nordeste (CONSEGNNE), no Centro de Convenções, em Salvador (BA), reuniu especialistas e lideranças do setor para discutir os impasses e oportunidades trazidos pelo avanço da inteligência artificial no mercado de seguros. O debate abordou como a tecnologia vem transformando processos, a relação com os clientes e o papel dos corretores em um cenário cada vez mais digital. Manuel Matos, vice-presidente da Fenacor; Abel Veiga Copo, da Universidade Pontifícia Comillas; Luiz Arruda, vice-presidente Comercial e de Marketing do Grupo Porto; Marcos Machini, vice-presidente Comercial do Grupo HDI; Edson Franco, presidente da FenaPrevi; e Victor Bistrizki, da Escola de Negócios e Seguros, participaram deste painel.

Para Manuel Matos, vice-presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), a evolução tecnológica tem alterado a lógica tradicional do mercado de seguros. “Acreditávamos que o produto era o centro do sistema de seguros, depois o cliente passou a ocupar esse espaço. Com o surgimento da inteligência artificial, estamos intercalando dados e conhecimento nesse processo”, afirmou.

O professor Abel Veiga Copo, da Universidade Pontifícia Comillas, destacou que o setor vive uma mudança significativa na forma de trabalhar e pensar o mercado. Segundo ele, a adaptação às novas tecnologias é inevitável, mas não substitui o papel humano na atividade. “Estamos assistindo a uma mudança de conceito e na forma de trabalhar no nosso mercado. O maior desafio é nos adaptarmos. O ser humano não pode ser substituído por nenhum aprendizado mecânico. O conhecimento e a empatia são fundamentais”, ressaltou.

Na visão de Luiz Arruda, vice-presidente Comercial e de Marketing do Grupo Porto, o uso da inteligência artificial deve ocorrer de forma responsável, especialmente em empresas com grande base de clientes. “Temos uma tese consolidada, mas também conservadora. Uma marca com mais de 80 anos tem uma responsabilidade que vai além da prática com algumas tecnologias. Quando combinamos isso com uma base de milhões de clientes, temos um grande poder de análise para melhorar os serviços”, afirmou.

Também participante do painel, Marcos Machini, vice-presidente Comercial do Grupo HDI, destacou que a tecnologia deve ser encarada como ferramenta de apoio ao trabalho do corretor e não como uma substituição da atividade profissional. Segundo ele, a inteligência artificial pode contribuir para direcionar ofertas e melhorar o relacionamento com os clientes, fortalecendo a atuação dos profissionais no mercado.

Outros participantes também reforçaram que a tecnologia já é utilizada há décadas pelas seguradoras em processos de análise e precificação, e que a inteligência artificial representa uma evolução desses mecanismos. Para Edson Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), a inovação deve contribuir para ampliar o acesso da população ao seguro, especialmente no segmento de pessoas.

Durante o debate, Victor Bistrizki, da Escola de Negócios e Seguros (ENS), também destacou que, apesar dos riscos associados ao uso de novas tecnologias, a inteligência artificial pode liberar profissionais de tarefas repetitivas e permitir maior foco em atividades estratégicas e no relacionamento com os clientes.

Ao final da plenária, os participantes reforçaram que a inteligência artificial tende a ocupar um papel cada vez mais relevante no setor de seguros, mas que seu desenvolvimento deve caminhar junto com a valorização do conhecimento humano, da ética e da confiança, pilares fundamentais para o futuro do mercado. 

Fonte:  CQCS