Seguro de transporte de cargas avança em 2026 com alta na demanda e mudanças regulatórias

O seguro de transporte de cargas deve registrar crescimento este ano, acompanhando a expansão das operações logísticas e o aumento das exigências regulatórias no setor. A modalidade, que cobre prejuízos decorrentes de eventos como roubo, acidentes e avarias durante o deslocamento de mercadorias, tem ampliado participação no mercado segurador brasileiro diante da maior circulação de bens no território nacional e no comércio exterior.

 

Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) indicam que o segmento de seguros de transporte integra o grupo de ramos com expectativa de expansão neste ano, impulsionado pelo desempenho da atividade econômica e pela maior formalização das operações logísticas. Em 2024, segundo a entidade, o mercado segurador como um todo manteve trajetória de crescimento, movimento que também alcançou o seguro voltado ao transporte de mercadorias.

 

O aumento da circulação de cargas ocorre em um cenário de forte dependência do modal rodoviário. Informações da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas no país. Essa predominância amplia a exposição a riscos como acidentes e ocorrências criminais nas estradas, fatores que impactam diretamente a demanda por cobertura securitária.

 

Levantamentos da NTC&Logística apontam que os registros de roubo de cargas continuam representando parcela relevante das perdas no setor. As ocorrências concentram-se principalmente em estados com maior volume de circulação de mercadorias, como São Paulo e Rio de Janeiro. O impacto financeiro desses episódios é absorvido, em parte, pelas indenizações pagas pelas seguradoras, conforme relatórios setoriais divulgados por entidades do mercado.

 

No campo regulatório, normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estabeleceram regras específicas para contratação de seguros por transportadores rodoviários de cargas, incluindo cobertura de responsabilidade civil. As exigências buscam garantir indenização em casos de danos à carga e a terceiros, vinculando a regularidade da operação ao cumprimento dessas obrigações.

 

Além das coberturas obrigatórias, empresas contratam apólices facultativas para ampliar a proteção, conforme o tipo de mercadoria, o trajeto e o perfil de risco da operação. Produtos específicos atendem desde cargas de alto valor agregado até mercadorias perecíveis, com cláusulas ajustadas às características de cada embarque.

 

O crescimento do comércio eletrônico também influencia o setor. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicam expansão contínua das vendas online nos últimos anos, o que eleva o número de entregas e a fragmentação das remessas. Esse movimento amplia o volume de operações seguradas e modifica o perfil dos riscos, com maior quantidade de viagens e pontos de distribuição.

 

Relatórios de mercado apontam ainda aumento no volume de indenizações pagas no ramo de transporte, refletindo tanto a elevação do número de embarques quanto a persistência de eventos cobertos pelas apólices. O resultado financeiro das seguradoras no segmento depende do equilíbrio entre arrecadação de prêmios e despesas com sinistros.

 

Com base nesses indicadores, o seguro de transporte de cargas mantém presença crescente na estrutura de custos das empresas que atuam na logística e no comércio. A evolução do segmento acompanha o desempenho da atividade econômica, a dinâmica do transporte rodoviário e as regras estabelecidas para a operação do setor no país.

 

Fonte: Diário do Acionista

 

Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil