Tragédia em Minas Gerais reacende alerta para riscos em seguros

A tragédia provocada pelas fortes chuvas que atingiram Minas Gerais entre segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24) deixou mortos, desaparecidos e centenas de desabrigados, além de chamar a atenção do mercado de seguros para a fragilidade da proteção patrimonial e financeira das famílias diante de eventos climáticos extremos. O cenário registrado em cidades como Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata, expõe a dimensão social da catástrofe e reforça a necessidade de ampliar a cultura de prevenção e gestão de riscos no país.

De acordo com o presidente do Sincor-MG, é necessário que o setor assuma responsabilidade diante de situações como essa.

“Bom, acho que mais importante do que fazer uma análise em relação ao seguro patrimonial, seja residencial, empresarial ou de condomínio, em situações de chuva como essa, é a responsabilidade que nós, do setor, temos de proteger antecipadamente as famílias e as pessoas.”

Ele chama a atenção para a realidade de muitas moradias no país, especialmente em áreas vulneráveis.

“Porque situações como as ocorridas no interior do estado de Minas Gerais, por exemplo, em Juiz de Fora, mostram que nem todo tipo de construção ou residência tem amparo securitário. Muitas são construções em áreas de risco, sem habite-se, sem projeto, feitas em encostas e fruto de ocupações desordenadas. E esse tipo de construção, muitas vezes, ainda não conseguimos proteger por meio do seguro.”

Ainda assim, reforça o papel do setor na transformação desse cenário e na ampliação da cultura de proteção.

“Proteger o patrimônio é fundamental. E o projeto Cidades Protegidas vem exatamente com esse objetivo, que é promover a conscientização e debater os desafios da proteção securitária em relação aos mais variados riscos, considerando o ambiente regional, as características culturais e os aspectos socioeconômicos.”

Para Bentes, a mudança de postura precisa ocorrer antes que novas tragédias se repitam.

“Precisamos enfatizar e qualificar o debate sobre a proteção das vidas e da história da sociedade brasileira para que situações como essa não sejam vividas todos os anos. Não podemos apenas discutir o que fazer depois. Precisamos trabalhar antes, orientando e buscando alternativas de contratação e proteção securitária de forma antecipada.”

Ele também destaca o impacto direto da ausência de cobertura securitária para as famílias atingidas.

“Se essas famílias tivessem proteção securitária, como um seguro residencial ou patrimonial, e se os adultos tivessem coberturas como morte acidental, invalidez permanente e assistência funeral, haveria dignidade no sepultamento e um recurso inicial que daria fôlego financeiro para enfrentar os impactos econômicos dessa tragédia, ainda que de forma momentânea.”

E conclui com um alerta sobre a necessidade de mudança estrutural.

“O grande problema é não termos a garantia de que essas famílias tenham recursos em situações como essa. Sem isso, passamos a viver de doações, o que não se sustenta. O mercado de seguros precisa se posicionar de forma antecipada, e o projeto Cidades Protegidas surge justamente para transformar a análise, o entendimento e a cultura de proteção no país.”

Segundo a CNN, ao menos 36 pessoas morreram e 33 seguem desaparecidas após os temporais. Somente em Juiz de Fora, foram registradas 30 mortes, além de centenas de desabrigados. Os municípios afetados decretaram estado de calamidade pública e acionaram planos de contingência para enfrentar os danos.

O volume de chuva foi um dos fatores mais críticos. Em Ubá, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas, provocando uma inundação histórica. Já em Juiz de Fora, o acumulado ultrapassou 580 milímetros, tornando fevereiro de 2026 o mês mais chuvoso da história da cidade.

Fonte: CQCS