Mercado de seguros deve investir R$ 2,6 bilhões em Inteligência Artificial neste ano

Setor também projeta uma redução de despesas da ordem de R$ 177 milhões com a IA

 

O mercado segurador brasileiro adotou a Inteligência Artificial (IA) em um patamar similar à adesão vista nos Estados Unidos (EUA), mas o desenvolvimento ainda está em um ritmo menos avançado do que as empresas norte-americanas. A pesquisa “Inteligência Artificial e o Setor de Seguros no Brasil”, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), aponta que a IA já está implantada em 80% das empresas do setor, enquanto nos EUA está em 84%.

 

A CNseg estima que, neste ano, o setor de seguros no Brasil deverá investir cerca de R$ 2,6 bilhões em IA, aportes cerca de 13% superiores ao realizado pelo setor no ano passado. Com a IA, o mercado segurador nacional espera conseguir reduzir as despesas em R$ 177 milhões, uma redução 27% do que a redução de R$ 140 milhões observada em 2025.

 

Apesar de volumoso, o montante investido em inteligência artificial ainda representa uma pequena parte do total investido pelo setor segurador em inovação. Segundo os dados mais recentes da CNseg, o total dos investimentos em inovação do setor alcançou quase R$ 20 bilhões em 2024, o equivalente a 2,63% da arrecadação das seguradoras naquele ano (R$ 751,3 bilhões).

 

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O levantamento da confederação foi realizado entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, com 26 executivos de seguradoras, empresas de previdência, capitalização e saúde que representam 50,7% do mercado segurador no país, além de reguladores e especialistas.

 

O diretor técnico de Estudos e de Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, explica que o próximo passo da inteligência artificial no setor de seguros é ganhar escala. As seguradoras consideram ter processos totalmente automatizados em cinco anos, em diversas áreas, como sinistros, resgates, pagamentos de sorteio, subscrição, operações, entre outras.

 

“A gente tem observado e, fugindo até um pouquinho da IA, as empresas têm buscado melhoria e eficiência operacional. O investimento em IA vai em algum momento fazer parte dessa equação”, afirmou o executivo da CNseg, em coletiva de imprensa realizada pela confederação seguradora nesta terça-feira (24/2).

 

“O investimento ainda é tímido e as empresas ficam muito preocupadas em relação a isso, como esse investimento vai se pagar, com aumento de receita, desenvolvimento de novos produtos, e também na parte de custos. A IA acaba sendo tratada como outros investimentos que o setor acaba fazendo ao longo do ano”, complementa Leal.

 

O estudo mostra que a adoção de inteligência artificial nas seguradoras ocorre principalmente em áreas de back-office, como tecnologia da informação, atendimento ao cliente, sinistro e operações, com destaque para chatbots, análise de documentos, análise de sentimento e ferramentas de apoio ao desenvolvimento de código.

 

Algumas empresas relatam redução de 30% a 50% no tempo de resposta ao cliente, aumento de 30% na produtividade das áreas de TI e crescimento de 100% no volume de cotações realizadas após a adoção de soluções baseadas em IA. Além disso, 88% das organizações afirmam que a tecnologia ampliou suas capacidades tecnológicas existentes.

 

O estudo da CNseg indica que o principal motor da adoção em 2025 é o aumento de produtividade, citado por 100% dos respondentes da pesquisa, seguido pela melhoria da experiência do cliente (81%), automação de tarefas (69%) e redução de custos (65%).

 

Ainda assim, a maior parte do mercado avalia que o impacto da IA permanece incremental, sem provocar, por ora, uma disrupção significativa no modelo de negócios.

 

Na governança, predomina o modelo centralizado de gestão de IA, adotado por 41% das empresas respondentes da pesquisa, embora estruturas híbridas (33%) e federadas (26%) ganhem espaço conforme a maturidade organizacional.

 

O principal obstáculo, aponta o levantamento da CNseg, é a integração com sistemas legados, mencionada por 69% das empresas, seguida por desafios relacionados à precisão e confiabilidade dos modelos (58%), falta de expertise técnica e estratégica (46%) e custo de implementação (38%). A dificuldade de mensurar claramente o retorno sobre o investimento (ROI) também limita a criação de equipes dedicadas exclusivamente à IA.

 

Fonte: O Tempo