“As empresas brasileiras estão aderindo rapidamente ao uso da inteligência artificial, e a tendência para os próximos anos é que cada vez mais processos das companhias utilizem essa tecnologia”, afirma Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), durante a coletiva de imprensa de apresentação do estudo “Inteligência Artificial e o Setor de Seguros” em parceria com a consultoria EY. Mesmo com a evolução da aplicação de IA no mercado brasileiro, o ritmo de evolução ainda é menor que outros países, como os Estados Unidos.
Segundo a confederação, o projeto tem como propósito mapear e analisar o uso da inteligência artificial (IA) no setor de seguros brasileiro, identificando aplicações práticas, impactos econômicos e regulatórios e tendências futuras.
Motivações para aplicação de IA
Alexandre Leal, diretor Técnico, de Estudos e de Relações Regulatórias, ressalta que aumento de produtividade (100%), melhoria na experiência do cliente (81%), automação das tarefas (69%) e redução de custos (65%) foram as principais motivações das empresas para a aplicação de inteligência artificial em 2025.
Das companhias que participaram do estudo, 77% indicaram uma melhoria pontual em processos existentes, obtendo ganhos de eficiência ou redução de custos sem alterar o modelo de negócio.
Principais resultados
O levantamento mostra que, atualmente, 80% das seguradoras que atuam no Brasil já implantaram soluções de inteligência artificial. As empresas respondentes apontaram que, com a utilização da IA, houve:
- Redução do tempo de resposta ao cliente em 30% a 50%;
- Aumento de 100% no número de cotações realizadas;
- Crescimento de 30% na produtividade de TI;
- 88% das empresas reconheceram que a IA melhorou as capacidades tecnológicas existentes.
Em 2025, 78% das empresas investiram 1% da receita (prêmio direto / contribuição / contraprestações líquidas / faturamento bruto) em inteligência artificial. Outras 18% aplicaram entre 1% e 2% dos recursos, e 4% investiram de 2% a 3%. Considerando percentuais médios e valores de receita das empresas, o investimento estimado em IA para 2025 é de aproximadamente R$ 2,3 bilhões.
Desafios
Apesar do avanço, as empresas também apontaram barreiras que impactam o processo de adoção da IA: integração de sistemas legados (69%), precisão e confiabilidade dos modelos (58%), falta de expertise técnica e estratégica (46%) e custo de implementação (38%) foram as dificuldades mais citadas.
Brasil x EUA
Em sua participação na coletiva, Nuno Vieira, sócio de serviços financeiros da EY, comparou o uso da inteligência artificial em empresas de seguros no Brasil e nos Estados Unidos.
Um ponto relevante citado por Vieira foi o ritmo de desenvolvimento do uso de IA nos países. “Os Estados Unidos, em função do seu ecossistema, da capacidade de investimento e de inovação, estão em estágio mais avançado. No Brasil, os principais casos de uso concentram-se em operações de sinistros, tecnologia e análise de documentação”, destaca ele.
“Nos Estados Unidos, além dessas aplicações, há maior avanço em cross-selling, gestão de risco, detecção de fraudes e análise preditiva. Esse avanço está diretamente ligado ao ciclo de desenvolvimento: criação de casos de uso, testes, ganhos obtidos e novos investimentos. Quanto maior o desenvolvimento, maior o retorno e, consequentemente, maior a capacidade de reinvestimento”, completa.
Para Vieira, “quando se observa a visão futura, percebe-se que ela está fortemente relacionada ao estágio atual de desenvolvimento”. Neste sentido, no Brasil, a previsão é que 68% dos casos sejam totalmente automatizados em cinco anos; 48% das empresas devem priorizar casos centrados em clientes; 57% das companhias esperam investir até 1% da receita em IA, e 36% projetam redução de custos entre 1% e 2%.
Nos EUA, a previsão é que 27% dos casos sejam totalmente automatizados em cinco anos; 68% das empresas estão entusiasmadas com casos de uso centrados em clientes; 51% pretendem investir entre 11% e 15% do orçamento, e 39% estimam redução de custos na mesma faixa, entre 11% e 15%.
Fonte: CQCS






