O seguro de vida segue como o principal motor de crescimento do segmento de seguros de pessoas em 2025. Dados do boletim mensal da Superintendência de Seguros Privados (Susep) apontam que o ramo registrou alta superior a 12% até setembro, reforçando uma tendência observada nos últimos anos: a ampliação da procura por proteção financeira e planejamento de longo prazo.
O movimento, segundo especialistas, vai além do impacto inicial da pandemia e reflete mudanças estruturais no comportamento do consumidor e na forma de comercialização do produto.
Para Rogério Araújo, consultor em Planejamento e Proteção Financeira na TGL, o avanço não pode ser explicado apenas pelo aumento da consciência sobre riscos. “A pandemia despertou consciência, mas consciência sozinha não gera contratação. O crescimento é reflexo da mudança na forma de apresentar o seguro”, afirma.
De acordo com ele, um dos fatores centrais é a melhoria na qualidade da oferta, com profissionais deixando de focar apenas em coberturas técnicas para apresentar o seguro como solução de proteção e planejamento. “O mercado começa a falar menos de características e mais de propósito. Quando o profissional eleva o nível da conversa, a taxa de conversão aumenta”, explica.
Outro ponto relevante é a evolução da venda consultiva. Segundo Araújo, corretores mais preparados passaram a tratar o seguro de vida como um pilar do planejamento financeiro e uma ferramenta de organização patrimonial, o que contribui diretamente para o crescimento das contratações.
Além disso, mudanças socioeconômicas têm ampliado a percepção de risco entre os brasileiros. O consultor cita fatores como os impactos da reforma da Previdência, a instabilidade econômica, o aumento da longevidade e o crescimento do empreendedorismo como elementos que reforçam a necessidade de proteção.
Seguro individual puxa crescimento
Segundo o especialista, o avanço mais consistente do mercado tem sido observado no seguro individual, e não no coletivo.
Ele explica que o seguro coletivo historicamente cresceu atrelado à obrigatoriedade ou a benefícios empresariais, mas costuma apresentar capitais segurados menores e depende do vínculo empregatício. Ao deixar o emprego, o segurado geralmente perde a cobertura.
Nesse contexto, o seguro individual ganha espaço. “O brasileiro começa a entender que proteção financeira é fundamental e que não pode depender apenas do vínculo empregatício”, afirma Araújo. Ele acrescenta que o movimento também reflete um processo de amadurecimento do mercado por parte das seguradoras.
Perspectivas para os próximos anos
A expectativa é de continuidade no crescimento, mas o ritmo dependerá da evolução do próprio mercado. Para o consultor, a expansão está diretamente ligada à educação financeira da população e à capacitação dos profissionais de seguros.
“Se voltarmos ao modelo de venda transacional, o crescimento desacelera. Mas, se avançarmos na educação da sociedade e na qualificação do corretor, o potencial é gigantesco”, avalia.
Araújo destaca que o país ainda apresenta baixa penetração do seguro de vida, alto número de profissionais autônomos, envelhecimento populacional acelerado e déficit previdenciário estrutural. Para ele, esses fatores representam oportunidades de expansão para o setor, especialmente com o fortalecimento da cultura de planejamento financeiro e sucessório.
Fonte: CQCS







