Indenizações do seguro de embarcador disparam 8.243,8% na Bahia em 2025, impulsionadas por exportações e efeito-base

As indenizações do seguro de embarcador internacional na Bahia cresceram 8.243,8% entre janeiro e novembro de 2025, alcançando aproximadamente R$ 4 milhões pagos no período, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Embora o valor absoluto ainda seja considerado modesto no contexto nacional, a variação percentual expressiva reflete a combinação entre efeito-base, ampliação da base segurada e aumento do fluxo portuário, em um cenário de maior complexidade logística e concentração de riscos.

Efeito-base explica variação percentual elevada

O principal fator para a alta estatística é o chamado efeito-base. Em 2024, o ramo de embarcador internacional operava na Bahia com baixo volume de prêmios, poucas apólices ativas e reduzida massa de risco. Nesse contexto, a ocorrência de um ou poucos sinistros de maior valor em 2025 foi suficiente para provocar um salto percentual significativo nas indenizações, sem que isso represente, necessariamente, um desembolso elevado em termos nacionais.

Quando a base histórica é limitada, variações pontuais ganham peso desproporcional nas estatísticas. A dinâmica observada na Bahia ilustra como mercados ainda em consolidação podem registrar oscilações acentuadas diante de eventos isolados de maior impacto financeiro.

Expansão da base segurada e concentração de riscos

Outro elemento relevante foi a entrada ou ampliação de operações de grandes embarcadores, especialmente nos setores da agroindústria, químico e petroquímico, segmentos historicamente vinculados ao Polo de Camaçari. O aumento da atividade exportadora elevou o valor segurado por operação e concentrou riscos em um número ainda restrito de apólices.

Esse movimento ampliou a exposição do mercado local a sinistros de maior severidade. Com mais cargas de alto valor agregado e maior complexidade operacional, a probabilidade de perdas relevantes por evento cresce, mesmo que a frequência de ocorrências não aumente de forma proporcional.

Para Paulo César Martins, presidente do Sindicato das Seguradoras da Bahia, Sergipe e Tocantins (SindSeg BA SE TO), sinistros pontuais podem alterar substancialmente os indicadores. “Em um ramo ainda incipiente no estado, esses eventos têm peso desproporcional sobre as estatísticas”, afirma.

Crescimento do fluxo portuário amplia exposição a riscos

O desempenho dos portos baianos em 2025 também contribui para o cenário. No primeiro semestre, a movimentação total alcançou 6,1 milhões de toneladas, crescimento aproximado de 10% na comparação anual.

O Porto de Salvador movimentou cerca de 3,1 milhões de toneladas, com alta de 7%, enquanto o Porto de Aratu respondeu por aproximadamente 2,9 milhões de toneladas, avanço de 5,5%. O aumento das operações com contêineres, carga geral, produtos químicos e combustíveis eleva a exposição a riscos como:

  • Avarias por manuseio inadequado
  • Molhadura de cargas
  • Contaminação de produtos
  • Vazamentos e perdas parciais
  • Falhas operacionais em terminais
  • Problemas no transporte interno até o porto

Em cadeias logísticas complexas, especialmente quando envolvem transporte rodoviário prévio e operações portuárias simultâneas, o risco operacional tende a se intensificar.

Pauta exportadora de alto valor agregado

A estrutura das exportações baianas também influencia a severidade das indenizações. O estado concentra parte relevante de sua pauta em produtos de alto valor e elevada sensibilidade logística, como:

  • Soja em grãos
  • Celulose
  • Algodão
  • Combustíveis derivados de petróleo
  • Produtos químicos
  • Cacau
  • Ouro e minérios

No agronegócio, a soja respondeu por mais de um terço da receita de exportação estadual, seguida por celulose e algodão. São mercadorias suscetíveis a danos por umidade, acondicionamento inadequado e falhas de transporte. No caso de combustíveis e químicos, os riscos incluem vazamentos e contaminações, com potencial impacto financeiro elevado por sinistro.

Segundo o presidente do SindSeg BA SE TO, o aumento das exportações e da complexidade das cargas exige gestão de riscos mais robusta ao longo de toda a cadeia logística, desde a origem até o embarque internacional.

Mercado em consolidação e maior maturidade do seguro

O salto nas indenizações em 2025 não indica, necessariamente, deterioração estrutural do mercado, mas sim a combinação entre crescimento econômico regional, ampliação do volume exportador e maturação do mercado segurador local.

À medida que mais operações passam a ser formalmente seguradas, a tendência é que os indicadores reflitam com maior precisão o risco real das cadeias logísticas. Em mercados emergentes, a transição entre baixa penetração de seguros e expansão da cobertura costuma gerar oscilações estatísticas relevantes.

Fonte: Jornal Grande Bahia