Indenizações do seguro de embarcador disparam mais de 8.000% na Bahia em 2025

O mercado de seguros ligados ao comércio exterior registrou um movimento atípico na Bahia em 2025. Dados do ramo de Embarcador Internacional apontam um aumento de 8243,8% nas indenizações, com cerca de R$ 4 milhões pagos entre janeiro e novembro de 2025, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Apesar de o valor absoluto ainda ser considerado modesto, a variação expressiva chama a atenção e encontra explicação em fatores estruturais e conjunturais ligados à economia e à logística do estado.

O primeiro elemento é o chamado efeito-base. Em 2024, a operação desse ramo na Bahia era reduzida, com baixo volume de prêmios, poucas apólices ativas e uma massa de risco limitada. Nesse contexto, a ocorrência de um ou poucos sinistros de maior valor em 2025 foi suficiente para provocar uma expansão percentual acentuada das indenizações, mesmo sem representar um desembolso elevado em termos nacionais.

Outro fator relevante é a expansão da base segurada. Ao longo de 2025, houve entrada ou ampliação de operações de grandes embarcadores ligados à agroindústria, ao setor químico e petroquímico, segmentos historicamente associados ao Polo de Camaçari, além de cargas movimentadas pelos principais portos baianos. Esse movimento elevou o valor segurado por operação e concentrou riscos em um número ainda restrito de apólices, o que aumenta a sensibilidade do indicador de indenizações.

Do ponto de vista operacional, o crescimento do fluxo portuário ampliou a exposição a eventos de risco. No primeiro semestre de 2025, a movimentação de cargas nos portos da Bahia alcançou 6,1 milhões de toneladas, alta de cerca de 10% na comparação anual. O Porto de Salvador movimentou aproximadamente 3,1 milhões de toneladas, com crescimento de 7%, enquanto o Porto de Aratu respondeu por cerca de 2,9 milhões de toneladas, avanço de 5,5%. O aumento de operações com contêineres, carga geral, produtos químicos e combustíveis eleva a probabilidade de avarias, falhas de manuseio, contaminações e perdas parciais.

A pauta exportadora da Bahia também contribui para explicar a severidade das indenizações. O estado tem forte concentração em produtos de alto valor e elevada complexidade logística, como soja, celulose, combustíveis derivados de petróleo, algodão, cacau, ouro e minérios. Apenas no agronegócio, soja em grãos respondeu por mais de um terço da receita de exportação, seguida por celulose e algodão.

São cargas sensíveis à umidade, ao manuseio e ao acondicionamento, além de, no caso de químicos e combustíveis, envolverem riscos adicionais de vazamento e contaminação.

Para Paulo César Martins, presidente do Sindicato das Seguradoras da Bahia Sergipe e Tocantins, SindSeg BA SE TO, nesse cenário, sinistros pontuais de grande impacto unitário, como: avarias em lotes de exportação, molhadura de cargas, falhas operacionais em terminais ou problemas no transporte interno até o porto, podem, isoladamente, gerar indenizações milionárias.  “Em um ramo ainda incipiente no estado, esses eventos têm peso desproporcional sobre as estatísticas”, afirma.

O salto nas indenizações do Embarcador Internacional na Bahia em 2025 reflete a combinação entre aumento do fluxo de exportações, maior complexidade das cargas seguradas e uma base histórica muito reduzida.

“Quando falamos de um ramo que ainda tem uma base pequena, a ocorrência de poucos sinistros de maior valor já é suficiente para provocar variações percentuais muito elevadas. O que estamos vendo na Bahia é o reflexo do aumento das exportações, da entrada de cargas mais complexas e de maior valor agregado e da necessidade crescente de uma gestão de riscos mais robusta ao longo de toda a cadeia logística”, avalia o presidente do SindSeg BA SE TO.

Fonte:  BA de Valor