Celebridades que seguram pernas, voz ou mãos costumam chamar atenção e gerar curiosidade. No entanto, por trás dos valores milionários e do apelo midiático, existe um mecanismo técnico bem definido no mercado segurador brasileiro, que vai muito além do marketing. Segundo Nelson Uzeda, gestor e técnico de seguros da Excelsior, o chamado “seguro de partes do corpo” não é um produto isolado, mas uma adaptação de coberturas já existentes.
“Aqui no Brasil, não existe exatamente um seguro específico para uma parte do corpo. O que existe é o seguro de vida ou o seguro de acidentes pessoais, com extensões e ampliações de cobertura conforme a profissão do segurado”, explica Uzeda.
Seguro de acidentes pessoais com cobertura ampliada
Na prática, esse tipo de proteção está enquadrado principalmente no seguro de acidentes pessoais, que prevê indenização em casos de morte ou invalidez permanente. O diferencial surge quando o contrato é ajustado à realidade de profissionais cuja renda depende diretamente de uma habilidade física específica.
Uzeda exemplifica com o caso de um cirurgião plástico. “A perda de um dedo, para uma pessoa comum, é considerada uma invalidez parcial, com indenização que pode variar entre 10% e 20% do capital segurado. Mas, para um cirurgião, essa mesma perda pode representar a impossibilidade total de exercer a profissão”, afirma.
Nessas situações, o segurado pode solicitar ao corretor a majoração do percentual de invalidez, fazendo com que a indenização passe a corresponder a 100% do capital segurado, mesmo em casos de invalidez parcial. O mesmo raciocínio se aplica a músicos, pianistas, artistas, odontólogos e profissionais que dependem diretamente das mãos, dedos ou da voz.
“É uma adaptação do seguro convencional à realidade profissional do segurado”, resume Uzeda. “No caso da voz, por exemplo, trata-se de um seguro de acidentes pessoais com majoração para invalidez, garantindo 100% do capital segurado se houver perda funcional que impeça a atividade.”
Proteção financeira, não apenas marketing
Apesar da ampla divulgação envolvendo famosos, Uzeda reforça que esse tipo de seguro é, acima de tudo, uma ferramenta efetiva de proteção financeira. “Sem sombra de dúvida, funciona como proteção real, ainda mais hoje, quando muitos seguros de vida estão atrelados a benefícios adicionais, como capitalização e possibilidade de resgate”, afirma.
Além da proteção individual, o seguro de vida também desempenha um papel fundamental no amparo à família. Diferentemente de outros ativos, o valor da indenização não entra em inventário. “Basta nomear o beneficiário, e a seguradora faz o pagamento. Isso garante que a família mantenha seu padrão de vida, mesmo diante da perda do provedor”, destaca.
Por que os valores das celebridades impressionam?
Os altos valores divulgados em seguros de celebridades chamam atenção principalmente porque, ao contrário de outros bens, o seguro de vida não possui um limite máximo de capital segurado. “Não existe tabela como a Fipe para veículos ou parâmetros fixos como na construção civil. A vida não tem um teto de valor”, explica Uzeda.
Assim, o capital segurado pode variar de milhares a bilhões de reais, desde que o segurado tenha capacidade financeira para arcar com o prêmio. No caso de artistas e figuras públicas, o valor costuma ser elevado não apenas pela exposição ao risco, mas também pela responsabilidade econômica envolvida.
“Uma grande celebridade não se sustenta apenas a si mesma. Existem empresas, equipes, funcionários e famílias que dependem daquela renda. Isso justifica capitais segurados mais altos”, afirma Uzeda. “É o caso de artistas que estão constantemente expostos a eventos, viagens e agendas intensas.”
Planejamento sob medida
A conclusão, segundo o especialista, é que o chamado seguro de partes do corpo não é um produto exótico, mas uma solução técnica de planejamento financeiro e gestão de risco, personalizada conforme a profissão e o impacto que uma eventual perda funcional teria sobre a renda do segurado.
“Tudo passa por uma boa orientação do corretor, que vai identificar o risco, ajustar as coberturas e garantir que aquele profissional esteja realmente protegido”, finaliza Uzeda.
Fonte: CQCS







