Táxi-robô da Waymo atropela criança e acende debate sobre seguros e responsabilidades em veículos autônomos

Acidente com veículo autônomo revela lacunas regulatórias e desafios para o setor segurador na era da mobilidade automatizada

Um acidente que vai além da tecnologia

O recente atropelamento de uma criança por um táxi-robô da Waymo, subsidiária da Alphabet (Google), próximo a uma escola nos Estados Unidos, trouxe novamente à tona um dos debates mais sensíveis da mobilidade autônoma: a definição de responsabilidades em acidentes envolvendo veículos controlados por inteligência artificial. O caso, que está sob investigação das autoridades norte-americanas, revela que, mesmo diante de avanços tecnológicos expressivos, o risco não é eliminado. Isso ocorre em um contexto de crescente adoção de veículos autônomos em ambientes urbanos, justamente onde a convivência entre carros, pedestres e grupos vulneráveis, como crianças, é mais intensa. Para o setor segurador, trata-se de um alerta claro sobre a necessidade de adaptação das apólices tradicionais e da criação de coberturas mais aderentes à nova realidade da mobilidade.

Tesla recebe condenação bilionária e debate responsabilidade civil em direção assistida

No ano passado a Tesla foi condenada a pagar US$ 243 milhões após um acidente fatal envolvendo o uso do piloto automático. Mesmo com tecnologias avançadas de assistência à condução, fabricantes podem ser responsabilizados quando falhas de sistema ou comunicação ao consumidor contribuem para acidentes graves. O caso escancara os limites da automação veicular e expõe riscos jurídicos e financeiros associados a sistemas semi autônomos. Dito isso, os modelos tradicionais de seguros já não são suficientes e, por isso, é fundamental repensar a forma como a responsabilidade civil é distribuída, atualizar contratos e desenvolver coberturas específicas para riscos tecnológicos, e promover uma comunicação clara sobre as limitações reais dos sistemas automatizados. Com a expansão dessas tecnologias, o foco do seguro se desloca do comportamento humano para o papel desempenhado por fabricantes, plataformas digitais e soluções de software.

Investimentos bilionários, inovação acelerada e o risco que permanece

Em meio a aportes expressivos, como o investimento de US$ 2 bilhões da Tesla em inteligência artificial para acelerar a produção de táxis autônomos, o acidente envolvendo um veículo da Waymo evidencia que a evolução tecnológica não elimina totalmente os riscos. Segundo a empresa, a criança entrou repentinamente na via, ocultada por um SUV, e o carro autônomo reduziu a velocidade de cerca de 27 km/h para menos de 10 km/h antes do impacto. Conforme a Waymo, simulações indicam que um motorista humano atento, na mesma situação, teria atingido o pedestre a aproximadamente 22 km/h. No entanto, o episódio, ainda assim, levanta os questionamentos acerca de falhas potenciais na interação entre sensores, softwares, decisões algorítmicas e o ambiente urbano imprevisível. Por isso, sem o motorista humano como principal variável, a análise de risco pode considerar desempenho dos sistemas, qualidade dos dados, atualizações de software e decisões automatizadas tomadas em frações de segundo.

Responsabilidade compartilhada e o novo dilema do seguro para carros automatizados

Conforme abordado acima, em acidentes com veículos automatizados, a responsabilidade deixa de recair exclusivamente sobre o condutor e passa a envolver uma cadeia maior, que contempla fabricantes, desenvolvedores de software, operadores de frota e até fornecedores de dados e sensores. Conforme o debate avança, ganha força a noção de responsabilidade compartilhada, especialmente quando falhas ou limitações do sistema influenciam o desfecho do acidente. Essa indefinição jurídica dificulta a padronização dos contratos de seguro e pressiona o mercado a inovar, incorporando modelos híbridos de cobertura. Entram em pauta apólices que mesclam seguros tradicionais, responsabilidade do fabricante, proteção contra falhas sistêmicas e seguros específicos para software, inteligência artificial e riscos cibernéticos, um movimento que muda os fundamentos da subscrição na era dos veículos automatizados.

Logística autônoma impulsiona um mercado bilionário

A utilização da IA no transporte de cargas acelera a adoção de veículos autônomos, especialmente na última milha. Segundo a Precedence Research, o setor já movimenta US$ 6,57 bilhões e pode alcançar US$ 45 bilhões até 2034, com crescimento anual de 23,7%. Uma colaboração entre Aurora, Continental e NVIDIA prevê a produção global de caminhões autônomos a partir de 2027. A Aurora lidera o desenvolvimento dos veículos, a Continental responde pelo sistema de condução autônoma e a NVIDIA fornece a infraestrutura computacional. A expectativa é de ganhos em eficiência logística, redução de custos operacionais e menor índice de acidentes. Apesar das promessas de maior eficiência logística, redução de custos e menor incidência de acidentes, o cenário demanda atenção redobrada à responsabilidade civil, à confiabilidade dos sistemas e à integração entre hardware, software e dados. Os seguros devem

Como seguradoras podem se preparar

Parcerias com empresas de tecnologia, investimentos em capacitação técnica e desenvolvimento de produtos voltados a riscos, incorporar coberturas específicas para falhas tecnológicas, ciberincidentes e decisões algorítmicas, acompanhando a transformação da logística em um ambiente cada vez mais automatizado. Dessa forma, acordos entre montadoras, desenvolvedores de tecnologia e seguradoras pode ser um caminho para distribuir riscos, reduzir incertezas jurídicas e fortalecer a confiança dos consumidores na mobilidade autônoma.

Regulação, inovação e o papel do seguro

O avanço dos veículos autônomos exige uma evolução paralela da legislação e da regulação do mercado de seguros. Reconhecer os diferentes níveis de autonomia e definir claramente a responsabilidade em cada estágio será fundamental para criar um ambiente jurídico seguro, capaz de sustentar investimentos e proteger os segurados.

Casos como o do táxi-robô da Waymo reforçam que a confiança pública na tecnologia passa, inevitavelmente, pela capacidade do seguro de mitigar riscos, esclarecer responsabilidades e oferecer respostas eficazes nesses casos complexos.

Seguro adaptado ao condutor e volante automáticos

O atropelamento envolvendo o táxi-robô da Waymo deixa claro que a mobilidade autônoma é uma realidade, mas ainda longe de ser isenta de riscos. À medida que algoritmos assumem funções humanas, o setor de seguros deve se adaptar para equilibrar inovação, segurança e responsabilidade. Tendo isso em vista, seguradoras, reguladores e empresas de tecnologia precisam atuar de forma integrada para antecipar cenários, redefinir responsabilidades e construir modelos de proteção compatíveis com essa nova lógica. A confiança do público nos veículos autônomos não será conquistada apenas com avanços técnicos ou investimentos bilionários, mas com estruturas sólidas de governança, transparência e cobertura de riscos. Nesse contexto, o seguro vai além de um instrumento de reparação e viabiliza um futuro em que a automação conviva, de forma responsável, com a vida urbana.

Fonte: Insurtalks