Alta nos roubos e recargas clandestinas a carros elétricos representam mudança no setor de seguros
O Globo revelou, em recente reportagem, que os carros elétricos passaram a ser alvo de furtos e crimes no estado do Rio de Janeiro. Segundo o Sindicato das Seguradoras do Estado do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (SindSeg RJ/ES), o ato atingiu uma alta incomum de 30% entre janeiro e outubro de 2025 e tende a aumentar com o crescimento acelerado da produção e comércio dos automóveis no Brasil. Em comunidades cariocas houve registro de pontos de recarga ligados ilegalmente a postes de energia, e isso também acende um alerta ao seguro auto.
Para o mercado de seguros, o aumento da criminalidade tende a gerar impactos diretos. Fred Almeida, advogado, corretor e professor da ENS, explica que o seguro responde de forma imediata ao risco observado.“O seguro reage diretamente ao risco. Quando há aumento consistente de roubo e furto, principalmente de forma organizada, o impacto é inevitável”, afirma Fred.
Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o mercado de veículos elétricos registrou crescimento de aproximadamente 26% em 2025, ultrapassando 222 mil unidades comercializadas no país. Em dezembro de 2025, pela primeira vez, um veículo híbrido elétrico entrou nos 10 modelos mais vendidos do país.
Em um primeiro momento, as consequências desse novo movimento se refletem no aumento do preço do seguro. No entanto, Fred alerta que o efeito mais crítico pode ir além do valor do prêmio. “O ponto mais crítico não é apenas o prêmio mais caro, e sim a falta de aceitação”, diz. Ele lembra que o mercado já enfrentou situações semelhantes com veículos na mira do crime.
“O mercado já viveu isso antes. Veículos muito visados, como a Toyota Hylux, por exemplo, em determinadas regiões simplesmente não são aceitos pelas seguradoras, independentemente do valor que o cliente esteja disposto a pagar. Se o roubo de elétricos seguir crescendo, é possível que vejamos esse mesmo comportamento: restrições regionais, análise muito mais criteriosa e, em alguns casos, recusa total de aceitação”, confirma o especialista.
Outro ponto que gera dúvidas entre os proprietários de carros elétricos é o funcionamento do seguro em casos de roubo ou furto, o que o corretor abordou. “Se a apólice possui cobertura para roubo e furto, a indenização segue exatamente as mesmas regras aplicáveis aos veículos a combustão. A diferença pode aparecer no efeito prático dessa indenização. Alguns modelos de carros elétricos apresentam forte desvalorização em relação à tabela FIPE, especialmente em função da rápida evolução tecnológica e da chegada constante de novos modelos ao mercado”, afirma Fred.
Necessidade do corretor de seguros é crucial
É preciso ter atenção no mercado específico, e nisso os corretores se destacam, na prática, embora a indenização seja paga conforme o contrato, o valor recebido pode não ser suficiente para a compra de um novo elétrico equivalente.
“É importante destacar que esse efeito não é uma exclusividade dos veículos elétricos — a indenização geralmente segue a FIPE, independentemente do tipo de motorização. O ponto de atenção é que, nesse mercado específico, temos observado desvalorizações mais acentuadas em alguns modelos, o que pode gerar frustração ao segurado”, acentua o professor da ENS.
Nesse aspecto é importante buscar um corretor ao escolher um seguro, alinhar expectativa, avaliar modelos com maior estabilidade de preço e, quando possível, discutir alternativas de cobertura que reduzam esse impacto.
A reportagem do O Globo também chama atenção para o uso de recargas clandestinas. Nesse ponto, o risco para o segurado é ainda maior. Segundo Fred, o principal cuidado é utilizar o veículo dentro das recomendações legais, técnicas e do fabricante, o que inclui carregadores homologados, instalações elétricas regulares e pontos de recarga autorizados.
“Em situações envolvendo pontos clandestinos de recarga, ligados por gato de energia, se houver dano ao veículo, especialmente à bateria ou aos módulos eletrônicos, a seguradora pode questionar ou até negar a cobertura”, alerta. Isso porque a prática pode ser interpretada como agravamento intencional do risco ou uso em desacordo com especificações técnicas e leis vigentes.
Diante desse cenário, o papel do corretor de seguros se torna ainda mais estratégico. Mais do que apresentar preços e coberturas, cabe ao profissional orientar o cliente sobre riscos, comportamentos e cuidados que podem comprometer a proteção contratada. Em um mercado em rápida transformação, informação e prevenção passam a ser tão importantes quanto a própria apólice.
Fonte: CQCS








