Como examinado anteriormente em cada segmento que compõe o mercado de seguros, depreende-se que ele é afetado pelo comportamento daqueles que mais contribuem relativamente para o agregado das receitas. Exemplo máximo é o VGBL, que tinha participação relativa de perto de 43% do total em julho de 2024, para agora situar-se na ordem de 27%.
Então, sabe-se que qualquer movimento do Governo ou da conjuntura da demanda que aumente ou diminua a sua penetração, tem decisiva influência no comportamento do setor de seguros como um todo. Essa assertiva, que também constou dos nossos últimos boletins, é mais importante ainda em vista do que comentamos sobre a incidência do IOF sobre aportes do VGBL.
Pelos dados até novembro deste ano de 2025, que mostram nova retração após crescimento de apenas 0,2% em outubro, fora a perda agregada de arrecadação do VGBL, estima-se que o segmento de Danos e Responsabilidades, secundado pelo segmento de Pessoas e de Capitalização, que vinham apresentando alguma resiliência, experimentou desaceleração em todos os segmentos, mesmo com as ações das seguradoras para reduzir o impacto das fortes perdas recentes com o VGBL e, alguma, do PGBL.
Sinteticamente, a conclusão geral sobre o desempenho do mercado global de seguros, previdência privada e capitalização brasileiro é que a variação da arrecadação no regime de 12 meses móveis, que reputamos ser a melhor medida estatística tendencial, voltou a cair para o campo negativo, agora com menos 3,3% ante menos 2,1% em outubro. Isso foi resultado da taxa negativa mensal que aprofundou a queda da variação contra o mesmo mês de novembro de 2024 para menos 10,9% e igualmente aprofundou a queda contra o período acumulado janeiro-novembro do ano passado para menos 4,7% (menos 4,1% em outubro). As taxas de decréscimo contra os períodos acumulados no ano são consistentes desde junho. Apenas para comparação, na base do fechamento de 2024 a variação havia sido positiva da ordem de 12,3%.
Já quando seguimos a opção analítica agora adotada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e, antes, pelo IRB Re (que nunca considerou a Capitalização) e examinamos o desempenho segregado do chamado mercado segurador “estrito senso”; vale dizer sem o VGBL, sem os planos de previdência privada aberta e com Capitalização, de forma a retirar os seus recentes efeitos trazidos pela nova tributação, temos o seguinte resultado:
- I) No mês de novembro, a arrecadação desse segmento exclusivo de seguros foi de R$ 20,3 bilhões (68% do mercado integral incluindo o VGBL, os planos de previdência e a Capitalização).
- II) No critério de evolução em 12 meses móveis, que, repetimos, é a melhor medida de tendência estatística, houve mais uma queda, passando dos 8,4% e 7,9% observados em setembro e outubro, respectivamente, para 7,4% em novembro. Isso por efeito da redução, comparativa a outubro, da variação mensal, passando de apenas 1% de crescimento para o campo negativo de 10,2%. Produzindo, igualmente, queda comparativa da variação contra igual mês de 2024, de 7% para 3,8%e queda na margem de 0,4 pontos percentuais quando comparado o período acumulado janeiro-novembro.
Estimamos que a plena recuperação da capacidade de atendimento do mercado de seguros dependerá, de maneira importante, do cenário econômico nacional e das ações regulatórias da Susep, de forma a dar cumprimento célere ao seu planejamento para 2026. Inclusive o destravamento do chamado seguro de vida universal e a flexibilização da oferta de produtos mais aderentes à atual capacidade de pagamento de amplos extratos da população.
É com base nas particularidades de cada segmento do mercado que pretendemos, aqui, doravante, aumentar a granularidade de cada componente de forma a que se possa contribuir mais para mais análises e projeções de desempenho dos seguros. A Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, recentemente ajustou as suas previsões para este exercício de 2025 e para o de 2026 na mesma linha já antes enunciada por estes nossos Boletins. E, como enfatizado, estamos também nos alinhando para segregar nos nossos Boletins parte exclusiva para demonstrar o mercado segurador “estrito senso”, vale dizer, sem os efeitos da tributação que derrubou diretamente as taxas de evolução do VGBL e, por efeito secundário, dos planos de previdência privada aberta.
Fonte: Capitolio Consulting | Noticias








