Nos últimos anos, as mudanças climáticas intensificaram a ocorrência de eventos extremos, como chuvas fortes, alagamentos, vendavais e ondas de calor, ampliando os riscos para empresas e residências. Diante deste contexto, os seguros ganham ainda mais relevância ao oferecer proteção financeira contra danos materiais, interrupção das atividades e prejuízos causados por fenômenos climáticos cada vez mais imprevisíveis.
Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), os seguros compreensivos, como residencial, condominial e empresarial, se destacaram e, até agosto de 2025, apresentaram crescimento nominal de 12,73% e real de 7,17% em comparação com o mesmo período de 2024.
Quanto a isso, André Cabral, gerente de Habitat e Competitividade da Seguros SURA Brasil, acredita que tal crescimento foi impulsionado por dois pilares principais: a mudança nos padrões climáticos e a conscientização pós-catástrofes.
“Infelizmente, muitas vezes as pessoas buscam o seguro após ter sofrido uma perda ou testemunhado alguém próximo passar por isso. Tragédias recentes como as enchentes no Rio Grande do Sul ou furacões em Curitiba têm servido como um catalisador para que pessoas e empresas entendam a urgência da proteção proativa”, esclarece Cabral.
Apesar do crescimento, o setor de seguros ainda apresenta um certo desafio frente à penetração, especialmente porque, de acordo com o gerente de Habitat e Competitividade da Seguros SURA Brasil, o seguro é visto como algo para remediar e não para transformar.
Neste contexto, o corretor tem um papel fundamental. Ao canal de distribuição, o crescimento dos seguros residenciais e empresariais representa uma oportunidade de ampliar os negócios e aumentar a carteira de clientes. Para isso, o profissional deve atuar como um disseminador de informação e educação.
“Em vez de focar apenas na indenização, ele precisa destacar os serviços de assistência (chaveiro, encanador, eletricista) que agregam valor no dia a dia. Enfatizar a responsabilidade civil familiar, que protege contra danos a terceiros (ex: vazamentos que afetam vizinhos), também é crucial, pois muitos não percebem essa necessidade até que o problema ocorra”, detalha Cabral.
Para Raquel Cerqueira, superintendente sênior de Estratégia Comercial da Bradesco Seguros, com foco nos segmentos de auto e ramos elementares, utilizar ferramentas digitais para otimizar o relacionamento, gerar relatórios, acompanhar a carteira e identificar riscos potenciais também tornam o serviço dos corretores diferenciado.
“Programas de capacitação contínua, especialização em nichos e uso de dados para antecipar tendências e necessidades dos segurados ampliam a percepção de confiança e profissionalismo”, ressalta a executiva.
Além disso, Raquel também garante que a participação em eventos de mercado e a construção de uma presença consistente em canais digitais são diferenciais que ajudam na retenção e ampliação da carteira de clientes.
Projeção para 2026
A superintendente afirma que o crescimento dos segmentos em 2026 pode ser impulsionado por fatores macro e micro que reforçam tanto a necessidade de proteção quanto o acesso a soluções.
“Na esfera macroeconômica, a projeção é de crescimento do mercado de seguros, o que indica um ambiente favorável à expansão de produtos patrimoniais”, esclarece ela. “Do lado do cliente, a continuidade da expansão imobiliária, a valorização de bens patrimoniais e a percepção crescente de que prevenção e proteção contribuem para a continuidade financeira e a tranquilidade pessoal serão fatores que sustentam a demanda”, conclui Raquel.
Fonte: CQCS








