China testa robôs com IA para controlar o trânsito: como isso pode afetar o seguro auto?

Experiências na China e no Brasil indicam que o uso de IA nas vias públicas pode começar a influenciar precificação, prevenção e responsabilidade no seguro auto.

A China está implementando robôs humanoides equipados com inteligência artificial para o controle e monitoramento do trânsito em algumas cidades. A iniciativa está em fase de teste e a proposta é otimizar a fluidez do tráfego e reduzir acidentes. Para o mercado de seguros, essa novidade significa lidar com uma possível mudança na frequência e no tipo de sinistros, já que a fiscalização automatizada e a resposta em tempo real podem reduzir infrações recorrentes, colisões em cruzamentos e acidentes causados por falhas humanas previsíveis. Ao mesmo tempo, a introdução de sistemas complexos e integrados amplia o debate sobre novas responsabilidades, eventuais falhas tecnológicas e a redistribuição do risco entre motoristas, gestores públicos e fornecedores de tecnologia, elementos esses que passam a integrar o cálculo atuarial e a formulação de coberturas no seguro auto.

Monitoramento em tempo real e leitura mais precisa da exposição ao risco

Conhecidos como “Robocop do trânsito”, esses robôs são equipados com câmeras de alta definição e sistemas capazes de reconhecer padrões de comportamento, esses dispositivos acompanham infrações, fluxos e situações de risco em tempo real. Para as seguradoras, a disponibilidade desse volume de informações pode ajudar na leitura mais detalhada da exposição diária ao risco. Dados coletados em tempo real ampliam a capacidade de compreender onde, como e com que frequência determinados eventos se repetem, abrindo espaço para ajustes mais finos em precificação, prevenção e gestão de sinistros, com base em evidências operacionais.

Escala das mortes no trânsito e respostas baseadas em controle tecnológico

Esse tipo de aprimoramento tecnológico ganha mais importância quando é confrontada com a escala do problema. Dados citados em reportagem do G1, com base em estimativas da Organização Mundial da Saúde, mostram que cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem todos os anos em acidentes de trânsito no mundo. No Brasil, a Polícia Rodoviária Federal registrou, durante a operação de Ano Novo, um aumento de 38% nas mortes em relação ao período anterior, com Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul liderando os flagrantes de excesso de velocidade. Na esteira dessa realidade, algumas iniciativas locais, como os testes realizados em Campinas, no estado de São Paulo, dialogam com o setor segurador. A integração de câmeras com capacidade analítica e dispositivos conectados aos semáforos permite intervenções imediatas no fluxo viário, reduzindo pontos de conflito e incentivando condutas mais prudentes. Para as seguradoras, a diminuição de ocorrências tende a se refletir em menor desembolso com sinistros e na possibilidade de estruturar produtos mais ajustados à realidade de vias monitoradas por IA, incluindo modelos que reconheçam comportamentos de condução associados a ambientes de maior controle e previsibilidade.

Parâmetros ajustáveis em seguros baseados no uso real das vias

A partir dessa base tecnológica, a leitura contínua do comportamento no trânsito cria condições para seguros com parâmetros ajustáveis, nos quais preço e escopo de cobertura acompanham padrões efetivos de uso da via. É possível que ganhem mais espaço modelos que incorporam informações geradas em tempo real para ajustar franquias, prêmios ou incentivos, conforme a conduta observada. Essa abordagem se conecta ao avanço da IoT, já presente em veículos conectados e em iniciativas de gestão urbana digital, nas quais sensores, câmeras e sistemas de controle operam de forma integrada. Para o mercado segurador, o efeito é a possibilidade de alinhar risco e custo com maior precisão operacional, ao mesmo tempo em que se estimula a adoção de práticas de condução mais consistentes em ambientes monitorados, criando um ciclo de informação que sustenta decisões técnicas, e não apenas projeções estatísticas.

Bancos de dados dinâmicos e antecipação de padrões de risco

Mais uma possibilidade a ser aberta é a geração de um banco de dados dinâmico, que pode alimentar sistemas preditivos utilizando machine learning para antecipar padrões de risco. Essa capacidade favorece a prevenção ativa, possibilitando que seguradoras e corretores ofereçam serviços de consultoria ligados à segurança viária e à educação dos segurados.

Integração dos robôs a processos de atendimento e regulação de sinistros

Em termos de inovação, os robôs com IA apresentam potencial para serem integrados a sistemas de resposta a sinistros, facilitando o atendimento emergencial e agilizando a coleta de evidências para regulação de sinistros. Este aspecto pode diminuir fraudes, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do segurado.

Tecnologia urbana e novos fundamentos para a gestão de risco em seguros

O uso de robôs com IA no controle e monitoramento do trânsito chinês retrata uma tendência global para o mercado de seguros: a integração da tecnologia para criar serviços e produtos mais precisos, eficientes e que promovam a prevenção ativa. Players de seguros precisam estar atentos a essas inovações, visando transformar dados urbanos em insights estratégicos. Portanto, para as seguradoras brasileiras e seus parceiros, fica o desafio de acompanhar essas inovações incorporando sensoriamento inteligente no portfólio e investindo em parcerias com empresas de tecnologia. A transformação digital no trânsito é uma oportunidade para melhorar a relação com o cliente e o modelo tradicional de gestão de risco.

Fonte: Insurtalks