Seguro viagem: item obrigatório para evitar imprevistos no roteiro

Se antes o seguro viagem era visto como um custo extra, hoje é considerado investimento em segurança, bem-estar e proteção financeira, segundo especialistas

 

Janeiro costuma marcar o período de maior movimentação no setor de turismo e, também, é o momento em que muitos brasileiros começam a planejar as viagens ao longo do ano. Com a retomada do setor aéreo e o aumento do número de passageiros, cresce a preocupação com segurança e prevenção.

 

Nesse contexto, o seguro viagem vem deixando de ser um item opcional para ocupar posição de destaque no planejamento, tanto em deslocamentos nacionais quanto internacionais. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), vinculada ao Ministério da Fazenda, mostram que o seguro viagem já representa 1% do segmento de seguros de pessoas e movimentou R$ 750 milhões no acumulado do ano de 2024. O resultado corresponde a um crescimento de 9,06% em termos nominais e de 3,68% em termos reais na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

O avanço acompanha a retomada do setor aéreo. Até outubro de 2025, os aeroportos brasileiros receberam 106,8 milhões de passageiros em voos nacionais e internacionais, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

 

Comportamento

 

Se antes o seguro viagem era visto como um custo extra, hoje passa a ser percebido como um investimento em segurança, bem-estar e proteção financeira. Especialistas apontam que esse movimento é reflexo do amadurecimento da cultura do seguro no país. A advogada especialista em seguros, Suely Tamiko Maeoka, destaca que a importância do seguro vai além de uma exigência burocrática.

 

“Trata-se de uma proteção fundamental contra custos médicos que podem facilmente superar centenas de milhares de reais”, afirma. A mudança de percepção também é confirmada pelos números. Entre janeiro e abril de 2025, a contratação de seguro viagem cresceu 14% no Brasil, segundo levantamento da plataforma IRB+Inteligência, desenvolvida pelo IRB(Re) a partir de dados públicos da Susep.

 

Para o superintendente sênior da Bradesco Vida e Previdência, Alessandro Malavazi, o seguro viagem é uma ferramenta indispensável, especialmente em viagens internacionais.

 

“Mais do que uma exigência, ele representa tranquilidade e segurança financeira, permitindo que o viajante se concentre na experiência sem se preocupar com imprevistos”, afirma. Segundo ele, um erro comum é acreditar que o seguro é caro ou desnecessário em viagens curtas. “Mesmo em deslocamentos rápidos ou nacionais, situações como uma torção, febre alta ou extravio de bagagem podem acontecer”, ressalta.

 

Coberturas

 

O seguro viagem garante indenização ao segurado em casos de imprevistos ocorridos durante o período da viagem, desde que previstos na apólice. Entre as coberturas mais comuns, estão morte ou invalidez acidental, perda ou roubo de bagagem e Despesas Médicas, Hospitalares e Odontológicas (DMHO).

 

A cobertura de DMHO assegura o reembolso ou atendimento em casos de acidentes pessoais ou doenças súbitas durante a viagem. Em deslocamentos internacionais, essa cobertura é obrigatória e não pode se restringir apenas a eventos decorrentes de acidentes. As seguradoras vêm ampliando as coberturas para atender às novas demandas dos viajantes.

 

Atualmente, cerca de 85% das empresas oferecem telemedicina, além de serviços como assistência jurídica, hospedagem para pets, cobertura para esportes radicais e cancelamento de viagem por motivos de saúde. Segundo dados da Susep, os Estados Unidos lideram os acionamentos de seguro, com 28% dos casos, seguidos por França, Itália, Espanha e Reino Unido.

 

Destinos asiáticos como Tailândia, Indonésia e Filipinas já representam 12% dos sinistros, principalmente relacionados a atividades de aventura. Exigência Em alguns destinos, o seguro viagem não é apenas recomendado – ele é exigido oficialmente para entrar no país ou para obtenção de visto. Um dos exemplos mais conhecidos é o Espaço Schengen, que reúne cerca de 26 países europeus, onde turistas precisam apresentar um seguro com cobertura mínima de â¬30 mil para despesas médicas, hospitalares e repatriação ao solicitar o visto ou, em alguns casos, na imigração, sem isso, a entrada pode ser negada.

 

Outros destinos também impõem essa obrigatoriedade, como Cuba (com seguro válido durante toda a viagem) e Venezuela (com cobertura mínima definida), além de exigências específicas em países de outras regiões, como parte das regras de visto ou controle de saúde pública.

 

Realidade

 

Apesar do crescimento do mercado, dados da Susep indicam que apenas 30% dos brasileiros que viajam ao exterior contratam seguro viagem. O número revela uma vulnerabilidade significativa, considerando os altos custos médicos fora do país. Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) aponta que, nos Estados Unidos, uma consulta médica de emergência pode custar entre US$ 500 e US$ 1.500, enquanto uma diária de UTI varia de US$ 3 mil a US$ 10 mil.

 

Na Europa, mesmo com sistemas públicos de saúde, turistas costumam ser atendidos em hospitais privados, onde internações podem custar entre ⬠800 e ⬠2.500 por dia. Casos reais reforçam esse cenário. Um episódio que ganhou repercussão nacional envolveu uma brasileira que sofreu uma queda fatal durante uma trilha na Indonésia. O traslado do corpo para o Brasil custaria mais de US$ 120 mil, valor que seria arcado pela família, mas que o governo Federal em seguida custeou. Por outro lado, situações em que o seguro foi acionado demonstram o alto custo-benefício do produto.

 

De acordo com relatório da Allianz Travel, um estudante brasileiro que desenvolveu apendicite aguda no Japão teve despesas médicas equivalentes a R$ 110 mil totalmente cobertas por um seguro que custou apenas R$ 180 para sete dias de viagem. Durante a pandemia de Covid-19, o seguro viagem também se mostrou essencial. Segundo relatório especial da Porto Seguro, uma família brasileira retida na Itália evitou um prejuízo de cerca de R$ 150 mil graças à cobertura, que incluiu hospedagem, exames, medicamentos e remarcação de voos.

 

Experiência

 

Mesmo viajando para um país que não exigia seguro, a jornalista e estrategista digital Carolina Lima optou pela contratação. “Por questões de segurança, preferi adquirir o seguro para o caso de acontecer alguma coisa. Vimos relatos de policiais da imigração pedindo o documento, e isso pesou na decisão”, relatou.

 

Segundo ela, o processo foi simples e rápido. “Entrei em contato com o banco pelo aplicativo, informei as datas e o seguro ficou pronto em dois dias”. A cobertura incluía acidentes, morte e perda de voo. “Levei tudo impresso e no celular. A experiência foi excelente e super prática”, completou.

 

Fonte: Folha de Pernambuco – Online