CNSeg defende participação do setor de seguros na agenda ambiental

Presidente da confederação, Dyogo Oliveira, critica ausência do setor nas edições da COP e aponta baixa cultura de seguros no Brasil

 

O setor de seguros responde por aproximadamente 40% dos gastos com desastres naturais no mundo. Apesar dessa fatia significativa, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), Dyogo Oliveira, avalia que a atividade segue ausente das agendas climáticas globais tanto no Brasil quanto no exterior.

 

“Ninguém do mercado de seguros, nacional ou internacional, se atentou ao fato de que fazemos parte dessa discussão e arcamos com uma parcela significativa dessa conta”, afirmou durante encontro setorial da entidade nesta quinta-feira (28), na sede do Sindicato das Seguradoras de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

 

Prova disso, segundo ele, é que o setor não foi mencionado em nenhuma edição das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP).

 

“Estamos falando da COP 30 e, nas 29 edições anteriores, a palavra ‘seguro’ sequer foi mencionada nos documentos e registros oficiais do evento. O setor está completamente ausente dessa agenda”, disse. A edição deste ano será realizada em novembro, em Belém (PA).

 

Segundo estudos internacionais citados pelo presidente da CNSeg no encontro, dos cerca de US$ 370 bilhões gastos com desastres naturais no mundo em 2024, o setor de seguros arcou com 40% o equivalente a aproximadamente US$ 150 bilhões.

 

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Brasil pode gastar R$ 15 bilhões com desastres naturais

 

No Brasil, não há dados oficiais sobre quanto o setor cobre em desastres naturais, mas a estimativa é de que o País gaste cerca de R$ 15 bilhões por ano, sendo o setor de seguros responsável por apenas 10% desse montante.

 

A estimativa é bem inferior à média mundial, o que Oliveira atribui à baixa cultura de seguros no País. “Apenas 25% das residências possuem seguro, menos de 25% das empresas estão asseguradas, o setor rural tem cobertura inferior a 7% e a infraestrutura quase não é protegida. Temos um grande trabalho pela frente”, afirmou.

 

Como exemplo, Oliveira citou os aeroportos no Brasil. “Em Porto Alegre, a concessionária do aeroporto atingido pelas enchentes de 2024 possuía apenas um seguro parcial em sua sede na Alemanha. Como não há exigência de seguro no País, os aeroportos brasileiros não contam com cobertura contra eventos climáticos”, explicou.

 

Ele acredita que o próprio governo brasileiro é impactado pela ausência de seguros. “No caso do Rio Grande do Sul, foi o governo que precisou reequilibrar o contrato para permitir a recuperação do equipamento”, alertou.

 

Nesse sentido, o setor tem buscado conscientizar governos e autoridades sobre o uso do seguro como instrumento para enfrentar eventos climáticos, que se tornam cada vez mais frequentes.

 

Fonte: Diário do Comércio Online