As vendas de seguro auto devem crescer em 2024 cerca de 11% segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o que é uma oportunidade para corretores de seguros aumentarem sua carteira. Ainda mais depois dos resultados e expectativas dos emplacamentos de veículos no Brasil. Segundo informações da FENABRAVE – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, a alta de emplacamentos de todos os segmentos foi de 12% e a entidade projeta crescimento de 13,5% no ano que inicia.

Considerando apenas autos e leves, foram mais de 2 milhões de unidades comercializadas. Para o mercado segurador, trata-se de demanda provável na proteção desses bens, patrimônios e vidas. Para a economia é bastante benéfico, já que além de movimentar o dinheiro no país, gera empregos e fomenta também as finanças públicas das regiões que, no caso dos emplacamentos de autos e comerciais leves, ficou em 579.377 no Estado de São Paulo, 510.150 unidades em Minas Gerais e 142.454 no Paraná. Os estados seguintes em números de emplacamentos em 2023 foram: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Os dados confirmam que há boas oportunidades de vendas de seguros para os corretores nessas regiões.

Para a FENABRAVE, a disponibilidade e custo do crédito foram fundamentais para os bons resultados do último trimestre do ano. No caso dos automóveis, existe ainda um ambiente positivo na indústria, que terá mais incentivos para o desenvolvimento de novos produtos, a partir do Programa MOVER, recém- anunciado pelo governo. Outra questão importante para o corretor que vende seguro auto é a tabela FIPE, que serve de cálculo para o seguro.

Perspectivas para o corretor de seguro auto

Todas essas são oportunidades para quem trabalha com o mercado segurador. Por outro lado, há ainda detalhes sobre como vender seguro auto, coberturas de seguro auto, franquias e assistências, que o corretor precisa estar atento. Dessa maneira, o especialista Jhonatan Luis da Silva, sócio da Organização Seta Corretora de Seguros, apoia os profissionais com várias dicas e informações para auxiliar no sucesso das vendas de seguro auto. Segundo ele, o seguro auto é um ramo que ampara boa parte da carteira de clientes, pois no Brasil a população tem um costume de fazer o seguro de automóvel.

Em princípio, é importante conhecer se o seguro do cliente é novo ou renovação. Na segunda opção, a primeira atitude do corretor é olhar todos os itens da apólice do segurado para conhecer o que ele havia contratado, vigência correta, bônus e o seu perfil. Além disso, é necessário confirmar os dados desse perfil, que muitas vezes muda de ano para ano. “Enfim, temos que fazer algumas perguntas para o cliente para tentar enquadrar da melhor maneira possível”, sugere Silva.

Perfil de seguro auto

De acordo com o especialista, esses dados podem mudar questões importantes da cobertura. Se o cliente mudar de endereço e o veículo pernoitar em um local que a companhia desconhece, essa informação servirá para fazer o cliente perder a cobertura em um sinistro. Outro ponto importante é o condutor, que dirige o veículo 85% do tempo semanal. É imprescindível informar isso na apólice se continua sendo o mesmo.

“A maioria das pessoas não sabe o que nós estamos perguntando, porque são leigos no assunto e nós somos os técnicos que somos responsáveis por enquadrar corretamente. Se nós, corretores de seguro auto, não fizermos assim, poderemos até mesmo submeter uma responsabilização civil diante de uma ação judicial. Dessa maneira, eu sempre confirmo com o cliente e esclareço pra que serve essa informação”, ressalta.

Condutor

A regra, então, é de que se há um condutor mais jovem, ele tem que aparecer no perfil. Dessa forma, os dois podem dirigir o veículo. Dentro do perfil de risco, na questão de cobertura para outros condutores, além do principal condutor, mesmo que esporadicamente deve constar outros condutores menores.

“Essa pergunta é decisiva se ela não for respondida de forma correta. Algumas companhias seguradoras perguntam se esses condutores são residentes, dependentes, e algumas, de algum tempo para cá, já não perguntam mais essas palavras, só perguntam se desejam cobertura para outros condutores nessa faixa etária. Se nós corretores não colocamos e vier a se envolver num sinistro com veículo, a negativa será certa. Então, por isso, a importância de revisar esse perfil de risco e esclarecer para o segurado todos esses detalhes, porque, como eu disse, eles não vão saber disso. É a nossa função”, esclarece.

Ainda sobre o perfil, o cliente e o corretor de seguro auto devem informar na apólice se o veículo vai ser utilizado somente para fins particulares ou também vai ser utilizado para fins comerciais. Até mesmo se o veículo será adesivado com logo de uma empresa. Mesmo que o cliente use particular, também deve ser informado onde o veículo fica quando o segurado vai trabalhar. Se o veículo fica na rua ou em estacionamento.

Cobertura compreensiva de seguro auto

Existem algumas modalidades de contratação de seguro auto, inclusive a compreensiva. Nesse caso, há uma ampla variedade de coberturas. Esse tipo vai compreender várias situações que podem ocorrer com o veículo, tais como furto, roubo, eventos da natureza (enchente e queda de árvore). Por outro lado, a companhia pode negar a indenização quando o cliente agrava o risco. O máximo que o cliente preservar o patrimônio, evitará problemas com a seguradora.

Além disso, dentro ainda da cobertura compreensiva, há várias situações de colisão que serão amparadas e devem ser informadas ao cliente. Atualmente, os corretores de seguro auto estão trabalhando com a tabela FIPE do mês do sinistro e não do mês de indenização, informa Jhonatan Luis da Silva. “É possível ofertar de 100% da tabela FIPE até 110%, para que, em um sinistro, o cliente possa minimizar os seus prejuízos, tendo em vista de que o carro pode ter subido um valor”, diz.

Cobertura contra terceiros

É possível inserir na apólice o RCF – Responsabilidade Civil de Veículos, conhecido como seguro de terceiros. Por isso, é sugerido alertar o segurado sobre a importância de contratar o maior valor possível para essas coberturas. Isso porque hoje os carros populares de entrada já estão custando mais de R$ 100 mil reais.

Entre os exemplos está as SUV’s, que só o câmbio custa R$ 70 mil. Além disso, não há cobertura para motor e câmbio. Se for problemas mecânicos, não tem mesmo. Nenhum seguro vai amparar isso mesmo dentro do seguro compreensivo. Porém, se bater o carro e, na colisão, esse fato ocorrer tendo relação com o sinistro e quebrar o câmbio, tem cobertura normal.

“E mesmo que o carro do cliente valha apenas R$ 30 mil, ele não pensa apenas no carro dele, mas sim nos que estão rodando. Nós temos vários SUVs, várias camionetas que já partem de 250 mil. O seguro contra terceiros é uma das partes mais importantes. Porque se um cliente que tem um carro de 30 mil reais bater em um Corolla de 150 mil por exemplo, não vai dar para pagar. Por isso, eu sempre costumo dizer para os meus clientes que o seguro não protege só seu carro, o seguro protege o seu patrimônio. Nesse sentido, é possível ainda desmistificar a questão de que o seguro é caro”, descreve.

Danos materiais

A cobertura de danos materiais não é somente para veículos. Outro caso foi de um condutor que bateu num poste e depois em duas residências. O seguro contra terceiros pagou o poste para a companhia de eletricidade, pagou o conserto dos muros e das residências. “Se o nosso cliente estiver errado no acidente, o seguro vai indenizar esse terceiro”, conta.

Existem ainda casos de segurados que bateram em taxistas, por exemplo, e causaram um dano chamado de lucro cessante, que era um direito do terceiro. Esse taxista ficou dias sem trabalhar. Então, esse valor que ele deixou de receber – lucro cessante que ele deixou de ganhar, pode cobrar da seguradora e está dentro das coberturas de danos gerais. “Inclusive, ampliar o valor da cobertura reflete em pequenas quantias de reajuste do valor das parcelas do seguro e vale muito a pena”, sugere.

Danos corporais

No seguro contra terceiros, a cobertura de danos corporais deve ser um ponto de atenção do corretor de seguro auto. Isso porque os custos hospitalares são altos e, caso haja falecimento, diversas questões serão consideradas na hora da indenização. Existe dentro da seguradora um departamento especializado em danos corporais, que já entra em contato com esse terceiro automaticamente e com o corretor.

“Vi casos e decisões judiciais de motociclistas de 18 anos, por exemplo, que faleceu e o juiz condenou de acordo com a expectativa de vida do brasileiro de 74 anos. O juiz somou todos esses anos. Pegou um salário mínimo, multiplicou e deu a sentença condenando na faixa de 800 mil reais. Tem várias seguradoras que dão até um milhão de cobertura. E se você olhar o valor do prêmio, quanto está custando essa cobertura, você vai ver que é muito barato, é uma das coberturas mais baratas da apólice, no seguro compreensivo. Então, quanto mais o nosso segurado tiver danos materiais para terceiros e danos corporais, mais amparado ele vai ficar”, diz o especialista.

 

Fonte: Corretora do Futuro