Alessandro Octaviani, superintendente da Autarquia, conversou com a SND sobre inovação e a importância do corretor de seguros

30% da frota de veículos que circulam no Brasil tem seguro. A carteira de Vida, que mais cresce no segmento, chegou a 17% da população. Considerados dois dos mais populares do país, os seguros de automóvel e de vida estão distantes de atingir a maior parcela da população. Para deixar os produtos mais acessíveis, a atual gestão da Superintendência de Seguros Privados (Susep) acredita que a aplicação da tecnologia é essencial.

Em linha com o que acredita, a Autarquia apoiou o Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros (PDMS) lançado pela CNseg em março deste ano. Os pilares do projeto visam aumentar a população segurada em 20% e alavancar a participação do setor no PIB para 10% até 2030.

Para atingir a meta, o setor passa por uma série de inovações, como a digitalização das seguradoras, capacitação de profissionais e a ampliação dos canais de distribuição. O último item, porém, é motivo de divergências e dúvidas principalmente entre os corretores. Alessandro Octaviani, superintendente da Susep, avalia que todas as iniciativas legais de distribuição, desde aplicativos bancários até profissionais especialistas nesse ramo, são benéficas para o setor.

Octaviani avalia, porém, que o corretor é responsável em agregar valor ao relacionamento entre os clientes e as seguradoras, esclarecendo sobre diferentes produtos e “provendo assessoramento necessário para a tomada de decisão dos clientes”.

Seguro Nova Digital – Os canais de distribuição do mercado estão se diversificando. Como a Susep avalia esse crescimento nas vendas de seguros por meio de aplicativos bancários, sites e até lojas de varejo?

Alessandro Octaviani – A aplicação de tecnologia no mercado de seguros é essencial para a ampliação da cobertura securitária em nosso país e para que os consumidores tenham acesso a produtos e serviços cada vez mais customizados e eficientes. Toda nova forma de comercialização de seguros, entretanto, deve sempre respeitar os direitos dos consumidores, que, estruturalmente, encontram-se em posição vulnerável.

Seguro Nova Digital – Existe uma concorrência entre esses canais e o corretor?

AO – Todas as iniciativas que ocorram dentro da legalidade e da ética são benéficas para o setor, na medida em que buscam colocar o consumidor como centro do mercado, inclusive respeitando as diversidades de preferências. Nesse sentido, não observamos até o momento concorrência além daquela que é saudável e lícita em qualquer mercado.

SND – Mesmo diante dessa variedade, o corretor continua como principal distribuidor: 90% dos contratos de seguros no Brasil são intermediados pelos profissionais. Qual é o nível de importância que a Susep dá para esse canal?

AO – Os corretores de seguros são participantes essenciais do mercado de seguros, na medida em que agregam valor ao relacionamento entre consumidores e seguradoras, trazendo mais esclarecimentos sobre os diferentes produtos e provendo o assessoramento necessário para a tomada de decisão dos clientes. Além de auxiliarem no reequilíbrio entre as partes, eles próprios estão submetidos a uma série de deveres perante seus consumidores. O cumprimento adequado dessas funções torna o mercado muito mais confiável para todos, gerando um clima de segurança e novas contratações e investimentos.

SND – A Autarquia tem iniciativas para auxiliar esse profissional?

AO – A Susep vem trabalhando intensamente para proporcionar as melhores condições para o registro dos corretores de seguros.

A autarquia possui um sistema online e gratuito para garantir aos corretores as condições de atualização e regularização cadastral. Melhorias seguem sendo implementadas no sistema desde então, como, por exemplo, o login mais seguro via conta nível ouro do gov.br.

A Susep também disponibiliza o aplicativo CORRETORES SUSEP, que permite acesso ao registro e à carteira digital. Com o app, os corretores podem fazer seu cadastro pelo celular, checar e compartilhar suas informações com clientes. Tudo de forma simples, online e gratuita.

Além disso, deve ser ressaltado que a Susep, como órgão público que também responde aos órgãos controladores da Administração Pública, deve ter uma política de controle de condutas dos corretores que seja adequada, aderente aos padrões do devido processo legal e eficaz, para que se alcancem os objetivos principais da regulação setorial: um mercado no qual se possa confiar, exercido por atores de boa-fé.

SND – O Sandbox Regulatório é uma iniciativa com cerca de três anos. Quais avanços ela trouxe para o mercado?

AO – A experiência da Susep com o Sandbox foi muito proveitosa: pudemos avaliar 11 projetos no primeiro edital e 21 no segundo, criamos normativos adaptados à realidade dessas empresas e pudemos aplicá-los. A Autarquia vem analisando os resultados dos primeiros editais e já se prepara para futuras edições do Sandbox, que devem ser capazes de aprimorar o programa como um todo, aprendendo com os erros, buscando aperfeiçoamentos e, inclusive, novos desafios.

Nesse sentido, as próximas edições levarão em conta as seguradoras não somente como tomadoras de risco, mas também como propulsoras de inovação tecnológica para a economia brasileira como um todo. Os diálogos com a Finep e o BNDES para tal desenho estão sendo muito proveitosos.

SND – Como o Governo Federal avalia a importância desse mercado para a economia?

AO – A Constituição Federal e o Decreto-lei 73/66 colocam a atividade de seguros no centro da Ordem Econômica e da estratégia de desenvolvimento nacional, e o governo, como cumpridor da Constituição e das leis, tem essa mesma visão.

A Susep tem sob sua regulação e supervisão cerca de 15% do PIB, o que demonstra o potencial da política pública econômica para o setor.

SND – Poderia dar um exemplo que mostre essa visão do governo com o mercado?

AO – Uma demonstração evidente dessa importância ocorreu no final de julho, no lançamento da Agenda de Reformas Financeiras, que contou com a participação do Ministro Fernando Haddad.

A Agenda tem como objetivo unir governo e sociedade para discutir e apresentar propostas de aprimoramento regulatório para a atuação dos mercados financeiro e de seguros, possibilitando maior eficiência, justiça social e melhores condições para geração de renda e emprego.

Foram priorizados 18 projetos no total, divididos em quatro eixos: (1) Temas Tributários, (2) Seguros e Previdência, (3) Mercado de Capitais, e (4) Mercado de Crédito.

No eixo de Seguros e Previdência, cinco projetos serão debatidos: (1) investimentos das entidades de previdência complementar, (2) desenvolvimento do mercado de anuidades, (3) seguro garantia, (4) seguro rural e (5) regulamentação do Projeto de Lei 2.250/2023.

 

Fonte:Seguro Nova Digital | Entrevistas